A Robbin, fintech paulistana de crédito B2B fundada por ex-executivos do Itaú, anunciou uma captação total de US$108 milhões dividida em duas frentes: uma rodada seed de US$8 milhões em equity, co-liderada por Canary, Atlântico e Caravela (com participação de AB Seed, Norte Ventures, Clocktower e Tomorrow Capital), e a estruturação de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) de US$100 milhões em parceria com a Augme, gestora da XP Investimentos.
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As duas frentes têm funções distintas. O equity financia o crescimento da plataforma de pagamentos e crédito com arquitetura nativa em IA, além do desenvolvimento de novos agentes inteligentes para a operação. O FIDC alimenta exclusivamente a operação de crédito, financiando as compras dos varejistas junto às indústrias parceiras.
O que a Robbin faz
A fintech conecta grandes indústrias às suas redes de varejistas por meio de um cartão virtual co-branded que roda sobre o Pix, não sobre bandeiras tradicionais como Visa ou Mastercard. A indústria oferece crédito, prazo e benefícios ao lojista sob sua própria marca, com liquidação em tempo real e custo operacional menor do que os arranjos convencionais de cartão.
O resultado para cada ponta é direto: o varejista ganha mais crédito e melhores condições de compra, a indústria amplia vendas e frequência de recompra, e a operação de crédito fica fora do balanço da empresa, financiada pelo FIDC. É uma estrutura em que o risco de inadimplência não recai sobre a indústria.
Recentemente, a Robbin lançou o Robbinson, um assistente de IA integrado ao WhatsApp voltado à força de vendas da indústria. O agente aprova limites de crédito em tempo real durante a negociação comercial, eliminando o atrito entre o representante, o varejista e a área financeira. Na prática, o vendedor consegue oferecer crédito ao lojista no momento da visita, sem esperar dias por uma análise manual.
Por que esta captação chama atenção
Combinar seed com FIDC numa mesma operação não é comum em estágio inicial. A estrutura sinaliza que os investidores já enxergam o motor de crédito da Robbin como validado o suficiente para receber dívida estruturada, algo que normalmente acontece em rodadas mais avançadas.
Os US$8 milhões constroem o produto. Os US$100 milhões escalam a operação sem diluir os fundadores. Para uma fintech de crédito B2B num mercado que, segundo o próprio CEO Leonardo Moura, “ficou parado no tempo” enquanto o consumidor final teve uma revolução em pagamentos, a configuração indica confiança na tese antes mesmo de uma Série A.
A aposta da Robbin é que a combinação de IA com a agenda regulatória do Banco Central (especialmente o Pix e suas evoluções) vai acelerar a digitalização de um elo de pagamentos que ainda opera de forma analógica e fragmentada no Brasil. Se a tese se confirmar, o FIDC de US$100 milhões é só o começo da escala.