O Canva lançou globalmente o Code 2.0, sua ferramenta de vibe coding por inteligência artificial, disponível para todos os planos da plataforma (incluindo o gratuito). A nova versão gera código 75% mais rápido do que a iteração anterior e permite que qualquer usuário crie sites, aplicativos e landing pages interativas descrevendo em linguagem natural o que quer ver, sem escrever uma linha de código.
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O que o Code 2.0 faz, e o que o diferencia
A mecânica é a do vibe coding: o usuário descreve o que quer em linguagem natural, a IA gera o código, e o resultado aparece como uma experiência navegável. Até aqui, nada que Replit Agent, Bolt.new ou Lovable já não façam. A diferença está no que acontece depois da geração.
No Code 2.0, o resultado é entregue diretamente no editor visual do Canva. O usuário pode ajustar cores, trocar fontes, editar textos e substituir imagens exatamente como faria com qualquer outro projeto de design na plataforma, sem tocar no código subjacente, sem inspecionar arquivos, sem etapa técnica intermediária. Para quem já usa o Canva no dia a dia, o fluxo de criação de um site ou app se parece com o fluxo de criação de uma apresentação.
A ferramenta também integra os ativos de marca já salvos na plataforma (logos, paletas de cores, fontes) ao processo de geração. Para equipes de marketing que precisam de landing pages consistentes com a identidade visual da empresa, isso elimina uma etapa inteira de ajuste pós-geração.
Vibe coding: onde o mercado está e onde o Canva quer entrar
“Vibe coding” é o termo que descreve a prática de criar software por meio de linguagem natural, delegando a escrita do código para modelos de IA. Ganhou tração significativa a partir de 2025, com ferramentas como Cursor, Replit Agent e Lovable disputando tanto desenvolvedores que querem acelerar quanto não-técnicos que querem construir sem depender de times de engenharia.
A maioria dessas ferramentas ainda carrega uma barreira de entrada real para usuários sem perfil técnico. Gerar o código é simples, mas hospedar, depurar e entender o que foi gerado quando algo quebra são etapas em que o usuário não técnico frequentemente trava, especialmente quem nunca abriu uma IDE (ambiente de desenvolvimento integrado, o software onde desenvolvedores escrevem e organizam código).
O Canva está apostando que o gargalo não está na geração, mas no que acontece depois dela. Ao manter o resultado dentro do próprio ambiente visual onde o usuário já se sente confortável, o Code 2.0 tenta eliminar a fricção pós-geração que afasta criadores e pequenos empreendedores das ferramentas developer-first.
A escala como argumento
A decisão de disponibilizar o Code 2.0 para todos os planos não é só uma jogada de adoção, é um posicionamento de mercado. O Canva tem mais de 200 milhões de usuários globais, a maioria formada por criadores, profissionais de marketing, pequenos empreendedores e times de comunicação, exatamente o público que precisa de presença digital funcional mas não tem desenvolvedor disponível para cada landing page.
Colocar o Code 2.0 no plano gratuito significa acesso imediato sem barreira de preço. Para o Canva, é expansão de valor percebido dentro de um produto que já é dominante em design. Para o usuário, é acesso a criação de experiências interativas sem contratar desenvolvimento ou aprender a programar.
Outras ferramentas até têm planos gratuitos, mas com limitações significativas e são desenhadas primariamente para desenvolvedores. O Canva não está disputando esse usuário, está construindo uma categoria paralela: o criador que quer um resultado funcional, com a cara da sua marca, sem passar por uma IDE.
O vibe coding está em fase de expansão de público. A primeira onda trouxe desenvolvedores que usam IA para acelerar o que já sabiam fazer. A segunda onda, que está acontecendo agora, está trazendo não-desenvolvedores que querem fazer o que nunca conseguiram fazer antes. O teste agora é se a expansão deste comportamento se concretiza.