A SoftBank está em negociações para adquirir uma participação significativa na Gravis Robotics AG, startup sediada em Zurique que desenvolve tecnologia para tornar equipamentos de construção tradicionais (escavadeiras, tratores, maquinário pesado) semiautônomos ou totalmente autônomos. A operação pode avaliar a empresa em mais de US$500 milhões.
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O movimento ocorre logo após a SoftBank concluir sua saída da Boston Dynamics, a empresa de robótica vendida à Hyundai em 2021 depois de anos de investimento sem retorno comercial expressivo. A troca entre os dois ativos não é apenas uma substituição de portfólio, como também indica uma mudança de tese sobre onde robótica e IA vão gerar resultado.
A Boston Dynamics construiu uma reputação global com robôs bípedes e quadrúpedes capazes de dançar, pular e escalar escadas. O problema deles foi a monetização. Robótica de propósito geral exige criar mercados do zero, educar compradores sobre casos de uso ainda indefinidos e sustentar ciclos de desenvolvimento longos antes de qualquer escala comercial.
A Gravis Robotics funciona em outra lógica. A empresa não fabrica novos robôs, ela pega equipamentos que já existem em canteiros de obra ao redor do mundo e adiciona capacidade de operação autônoma via hardware e software embarcados. O cliente já existe. O equipamento já existe. O problema que a tecnologia resolve (escassez de operadores qualificados, segurança em ambientes de risco, eficiência em obras de infraestrutura) já existe. Um novo mercado não precisa ser criado.
Fundada como spinout do ETH Zurich, uma das principais universidades de tecnologia do mundo, a Gravis carrega o perfil típico de deep tech europeia com aplicação industrial imediata: pesquisa de alto nível convertida em produto com caso de uso específico e cliente definido desde o início.
A Roze e a construção de um portfólio estruturado
O deal com a Gravis não está sendo negociado isoladamente. A SoftBank criou a Roze, uma entidade separada para concentrar seus ativos e apostas em robótica com IA. A Gravis seria integrada a essa estrutura, o que indica que a investidora japonesa não está fazendo apostas pontuais, mas construindo um portfólio com tese unificada.
Em paralelo, a SoftBank negocia liderar uma rodada de US$800 milhões na Agile Robots, startup alemã de robótica industrial. Dois movimentos simultâneos, ambos em robótica industrial europeia, ambos com valores expressivos e ambos convergindo para a mesma Roze. A SoftBank está consolidando posições em automação industrial com IA embarcada, com foco em setores de infraestrutura, construção e manufatura.
Apesar disso, o negócio ainda não tem estrutura definida. A SoftBank pode adquirir participação minoritária relevante, entrar como majoritária ou estruturar uma combinação de investimento e aquisição gradual. A forma como a operação for desenhada vai dizer mais sobre a convicção da investidora do que o valuation em si.
O outro ponto a acompanhar é a Roze. Se a entidade absorver a Gravis e a Agile Robots simultaneamente, e novos ativos forem adicionados ao portfólio nos próximos meses, o mercado vai ter uma leitura mais clara sobre se a SoftBank está construindo uma plataforma de robótica industrial ou apenas realocando capital entre apostas de venture.
O movimento lembra, em estrutura, o que a Amazon fez ao entrar no Rappi: menos sobre um ativo isolado e mais sobre capilaridade em um mercado estratégico. No caso da SoftBank, o mercado estratégico é automação industrial, e a construção civil pode ser apenas o ponto de entrada.