A Accenture, uma das maiores consultorias globais de tecnologia, anunciou a redução de mais de 11 mil posições em apenas três meses e sinalizou que os cortes podem se estender até novembro. O motivo declarado não é a retração do mercado, mas sim a falta de requalificação dos profissionais para o novo cenário da inteligência artificial.
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Segundo a CEO Julie Sweet, a empresa já treinou mais de 550 mil colaboradores nos fundamentos da IA generativa, mas ainda assim precisou optar por desligamentos onde a transição de carreira não se mostrou viável. O programa de reestruturação, avaliado em US$865 milhões, envolve custos de indenizações e ajustes internos, mas também mira ganhos de eficiência e margens mais consistentes.
A contradição chama atenção: ao mesmo tempo em que corta, a Accenture prevê voltar a contratar no próximo ano, priorizando perfis alinhados à transformação digital. Projetos com IA generativa já movimentaram US$5,1 bilhões em contratos no último exercício — frente a US$3 bilhões no ano anterior — e o time dedicado a IA e dados praticamente dobrou em dois anos, chegando a 77 mil profissionais.
O episódio joga luz sobre um dilema que atravessa empresas em todos os setores: enquanto algumas chegam a proibir o uso de IA por receio de riscos, outras avançam em uma direção oposta, tornando a familiaridade com a tecnologia um fator de permanência (ou saída) de talentos.
Mais do que apenas acompanhar as novas ferramentas no mercado, estamos diante de uma redefinição de papéis e expectativas. Para profissionais, isso significa que a capacidade de aprender e se requalificar rapidamente deixa de ser um diferencial — e passa a ser uma condição básica de relevância no mercado.