O Itaú desligou diversos funcionários na última segunda-feira, 8 de setembro, após avaliar a produtividade de equipes em home office. O banco cruzou dados de performance com registros digitais de atividade para embasar as demissões. A decisão reacendeu um debate que vai além das paredes de uma instituição financeira: até que ponto medir produtividade no remoto é gestão de performance e quando passa a ser vigilância digital?
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Segundo o Itaú, os desligamentos não representam uma mudança de postura em relação ao home office, mas um processo de gestão contínua de performance. O banco afirmou que mantém o modelo híbrido, mas que funcionários com baixa entrega foram identificados por meio de cruzamento de metas de resultado com registros digitais de atividade — como cliques, tempo conectado e acessos no computador durante o expediente.
A escala das demissões, estimada em cerca de mil pessoas, levantou questionamentos. Especialistas classificaram o método como excessivamente quantitativo e próximo de uma forma de vigilância digital. Sindicatos também criticaram a falta de transparência sobre os critérios aplicados.
O episódio do Itaú se soma a uma tendência maior: empresas de diferentes setores têm recorrido a softwares de monitoramento e até inteligência artificial para avaliar produtividade em modelos híbridos. A promessa é eficiência e dados objetivos, mas o risco é transformar gestão em vigilância digital. O caso traz à tona uma dúvida recorrente em equipes remotas: quais métricas realmente importam? Medir logins e cliques pode dizer pouco sobre entrega real de valor, enquanto indicadores ligados a resultados de negócio, colaboração e impacto no cliente ganham cada vez mais relevância.
O caso reforça como a discussão sobre produtividade no trabalho remoto está longe de um consenso. Empresas buscam dados e tecnologia para reduzir subjetividade, mas enfrentam o risco de transformar gestão em vigilância. Para startups, a lição é clara: métricas de performance só fazem sentido quando conectadas a resultados concretos — como receita, retenção e evolução de produto — e sustentadas pela confiança necessária para que equipes remotas entreguem valor real ao negócio.