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Oito vezes disseram não: a insurtech que recusou aquisições e agora expande para quatro países da LATAM

Hero Seguros captou R$35 mi com a Headline XP, recusou 8 propostas de compra e expande para Chile, México e Colômbia.
Founders da Hero Seguros.
Founders da Hero Seguros.

Redação The Beatstrap

A Hero Seguros captou R$35 milhões em rodada liderada pela Headline XP, já opera na Argentina e no Uruguai, e tem entrada no Chile prevista para o fim de julho (com México e Colômbia na sequência). O detalhe que diferencia esse movimento de mais uma rodada de insurtech: ao longo da trajetória da empresa, os fundadores recusaram oito propostas de aquisição. A informação foi confirmada por Guilherme Wroclawski, CEO e co-fundador.

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Fundada em 2021 por Wroclawski e Raphael (sócios que já trabalhavam juntos antes da fundação), a Hero nasceu com foco exclusivo em seguro viagem, aproveitando a retomada do turismo no pós-pandemia. Quatro anos depois, a empresa detém 15% do mercado brasileiro de seguro viagem e começa a dobrar a aposta: a rodada com a Headline XP, gestora de referência em startups de consumo e tecnologia na América Latina, serve de combustível para a expansão regional e para a diversificação do portfólio.

A rodada e o que vem a seguir

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Os R$35 milhões (aproximadamente US$7 milhões) têm destino declarado: financiar a entrada nos novos mercados latino-americanos e sustentar o crescimento do portfólio além do seguro viagem. Argentina e Uruguai já estão operacionais e o Chile é o próximo passo, com operação prevista para o fim de julho. México e Colômbia completam o mapa de expansão planejado.

A empresa informou uma meta de 70% de crescimento para 2025. A estrutura para suportar esse ritmo inclui mais de 1.800 franquias e mais de 50 seguradoras parceiras, conforme informações divulgadas pela própria companhia.

Foco como estratégia, não como limitação

O que chama atenção na trajetória da Hero Seguros não é o tamanho da rodada, é a disciplina que precedeu a captação. Em um setor onde insurtechs frequentemente chegam ao mercado prometendo cobrir múltiplos produtos desde o primeiro dia, a Hero ficou anos concentrada em um único produto. O resultado: liderança de mercado no seguro viagem antes de ampliar.

Hoje, outros produtos além do seguro viagem já representam 25% do volume de prêmios da empresa. Ou seja, a diversificação está em curso, mas construída sobre uma base estabelecida (não como tentativa de crescer em múltiplas direções ao mesmo tempo).

Oito vezes, não

O número de propostas de aquisição recusadas (oito, confirmadas pelos próprios fundadores) é incomum o suficiente para pedir uma leitura mais cuidadosa. Recusar uma proposta pode ser estratégia, agora recusar oito vezes? Isso é uma tese.

A decisão de manter independência, em vez de aceitar liquidez imediata, sugere que os fundadores apostaram que o valor de longo prazo da empresa (construído com foco, market share e expansão regional) superaria qualquer oferta recebida até agora. Com 15% do mercado de seguro viagem no Brasil e uma plataforma de distribuição que já aponta para quatro países da América Latina, o argumento tem substância.

Para fundadores que se perguntam quando aceitar ou recusar uma proposta de M&A, o caso da Hero oferece um dado concreto: crescer devagar, com foco em um produto e rentabilidade operacional, pode preservar mais valor do que vender no momento em que o crescimento começa a aparecer. O risco oposto (recusar e nunca mais receber uma oferta equivalente) também é real, mas a trajetória da Hero, até aqui, sustenta a aposta dos fundadores.

O que o movimento revela sobre as insurtechs brasileiras na LATAM

A Hero Seguros não é a única insurtech brasileira de olho na América Latina, mas a combinação de base sólida no Brasil, expansão gradual e rodada recente coloca a empresa em posição diferente da maioria. Entrar em mercados como Chile, México e Colômbia com 15% de share no mercado local e um produto já validado reduz parte do risco que startups costumam carregar quando expandem antes de consolidar o core.

O momento também diz algo sobre o mercado de seguros na região: ainda há muito espaço para digitalização e acesso. O seguro viagem, produto de baixa complexidade regulatória e com demanda crescente junto ao aumento do turismo regional, é uma porta de entrada eficiente para construir marca e base de clientes antes de ampliar para produtos mais complexos.

A Headline XP (que liderou a rodada) sinaliza que há tese de investidor alinhada com essa lógica. O próximo teste da Hero é replicar, em novos mercados, a mesma disciplina de foco que a levou a dominar 15% de um mercado no Brasil enquanto recusava oito propostas de quem queria comprá-la antes de ver o que ela ainda era capaz de construir.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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