Na última quarta-feira (1º de outubro), Adam Mosseri, CEO do Instagram, voltou a rebater um dos maiores mitos das redes sociais: a ideia de que a Meta “escuta” secretamente os usuários pelo microfone do celular para exibir anúncios mais certeiros.
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Mosseri classificou a prática como uma “grave violação de privacidade” e garantiu que não faz parte da política da empresa. Ele explicou que a precisão dos anúncios vêm de outros fatores, como dados compartilhados por anunciantes sobre quem visitou seus sites, algoritmos de recomendação e até coincidências ou vieses de memória, como ver um anúncio rapidamente e só depois associar à conversa.
A declaração, no entanto, acontece em um momento curioso. A Meta anunciou que, a partir de 16 de dezembro, passará a usar dados das interações com seu assistente virtual, o Meta AI, disponível em WhatsApp, Instagram e Facebook, como novo sinal para segmentação de anúncios. Em outras palavras, as conversas que usuários têm com a IA poderão servir de base para recomendações comerciais.
Especialistas destacam que esse tipo de dado pode ser ainda mais poderoso do que os sinais tradicionais, já que os usuários tendem a compartilhar com chatbots informações muito mais pessoais sobre interesses, ideias e atividades.
O debate também ganha força porque casos anteriores ajudaram a alimentar a desconfiança. Em 2023, empresas americanas como MindSift e Cox Media Group admitiram testar tecnologias de “audição ativa”, capazes de captar sons de microfones para segmentar publicidade em tempo real. A prática levantou investigações no Senado americano e foi descontinuada após forte reação pública.
Ao negar o mito e, ao mesmo tempo, anunciar um novo passo para coletar dados em interações com IA, a Meta reforça uma questão maior: não se trata de “ouvir ou não ouvir”, mas de como a definição de privacidade muda quando a própria conversa do usuário com uma inteligência artificial passa a ser insumo para publicidade direcionada.