A n8n, startup alemã especializada em agentes de inteligência artificial e automação de fluxos de trabalho, captou US$180 milhões em uma rodada liderada pela Accel, com participação da NVentures, unidade de investimentos da Nvidia. O aporte eleva a avaliação da empresa para US$2,5 bilhões, consolidando-a entre as startups mais promissoras do ecossistema europeu e em um grupo cada vez mais disputado, o das empresas que buscam transformar a inteligência artificial em infraestrutura.
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A rodada chega apenas sete meses após o último aporte, reforçando a disputa entre fundos por startups capazes de traduzir a IA em ganhos concretos de produtividade. Segundo a PitchBook, o mercado global de inteligência artificial já movimentou US$192,7 bilhões em 2025, e o interesse de gigantes como Nvidia, Microsoft e Meta demonstra que o investimento agora se desloca da “criação de modelos” para o uso aplicado e integrado da IA nas operações corporativas.
Fundada em 2019 por Jan Oberhauser, a n8n oferece uma plataforma de automação com baixo ou nenhum código, permitindo que empresas conectem sistemas e dados com uma interface visual simples. A ferramenta integra de Slack e Google Docs a bancos de dados internos, possibilitando a criação de fluxos automatizados e agentes de IA personalizados.
Diferente de outras startups focadas em nichos específicos, a n8n aposta na flexibilidade e interoperabilidade. Sua plataforma permite combinar modelos de diferentes provedores (Google, Anthropic, OpenAI) sem depender de um único ecossistema. “Nosso objetivo é permitir que cada empresa escolha o modelo e a estrutura que melhor se encaixam em sua operação, sem o risco de bloqueio tecnológico”, afirmou Oberhauser.
A empresa também começa a colher resultados de escala. Segundo dados divulgados pela própria n8n, clientes como a Vodafone já reduziram custos de forma significativa, e a receita teria crescido dez vezes no último ano. Os recursos captados serão direcionados à expansão global, com foco em novos hubs de engenharia e parcerias estratégicas.
O movimento da n8n acontece no mesmo momento em que outras gigantes também reposicionam suas apostas em IA. A OpenAI alcançou recentemente uma avaliação de US$500 bilhões, impulsionada por sua transição de laboratório de pesquisa para plataforma corporativa, enquanto a Meta formou um novo time dedicado à superinteligência artificial, liderado por Matt Deitke. Todas essas iniciativas apontam para o mesmo eixo, onde a IA deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a ocupar o centro da operação empresarial, conectando dados, decisões e pessoas em tempo real.
A n8n se insere num contexto em que a infraestrutura de automação se torna tão estratégica quanto os próprios modelos de IA. É uma disputa por quem vai dominar a nova economia da inteligência e, mais do que isso, transformar a promessa da inteligência artificial em resultado mensurável.