O Nubank anunciou, em 15 de julho de 2026, a nomeação de Lívia Chanes (atual CEO da operação brasileira) para acumular também o cargo de CEO para a América Latina. A decisão vem logo após a fintech conquistar licença bancária plena no México, seu segundo maior mercado, e sinaliza uma reorganização estrutural relevante: o Nubank passa a ter uma liderança unificada para a região, em vez de gestões separadas por país.
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Chanes segue acumulando as duas funções de forma concomitante. Não houve contratação externa, o Nubank optou por promover quem já conduzia a operação mais madura do grupo. O anúncio foi confirmado por múltiplas fontes jornalísticas e pela própria executiva em publicação no LinkedIn.
Até agora, as operações do Nubank fora do Brasil (México e Colômbia) funcionavam de forma relativamente descentralizada em relação à liderança executiva regional. A criação formal de um cargo de CEO para a América Latina, ocupado pela mesma pessoa que comanda o Brasil, indica uma mudança de postura: menos autonomia fragmentada por mercado, mais alinhamento estratégico sob uma única visão de topo.
A escolha por acumulação de função, e não por uma contratação externa, diz algo sobre a lógica do movimento. O Nubank aposta em continuidade cultural e alinhamento de execução, e a mesma liderança que construiu a operação brasileira até o estágio atual passa a ser responsável por replicar e adaptar esse modelo nos demais mercados da região.
O México como catalisador
O timing da nomeação não é coincidência. O anúncio veio após a conquista da licença bancária plena no México, um marco regulatório que eleva substancialmente o nível de responsabilidade operacional e de governança da fintech no país. Uma licença bancária plena não é um detalhe burocrático, ela exige estrutura robusta de compliance, capital regulatório, relacionamento com autoridades locais e capacidade de oferecer produtos que antes eram restritos.
Nesse contexto, a criação de um cargo regional de CEO é coerente com o novo patamar de exigência. O México deixou de ser um mercado em fase de testes para se tornar uma operação bancária de verdade, e isso demanda uma liderança regional que possa coordenar a expansão com mais autoridade e visibilidade interna.
A nomeação de Chanes também chega junto à outro movimento, o Nubank anunciou a entrada de Diego Piacentini (executivo com quase duas décadas na Amazon e passagem pela Apple) para seu Conselho de Administração. Isso foi lido pelo mercado como sinal de fortalecimento da governança sênior em um momento de escala acelerada fora do Brasil.
Esse conjunto de ações pode mostrar um padrão, onde um conselho reforçado com nome de peso global, licença bancária no México e agora CEO regional são peças de uma mesma estratégia de institucionalização da operação internacional.
A voz da protagonista
Em publicação no LinkedIn, Lívia Chanes comentou sobre a nova função: “Meu compromisso nesta nova fase é garantir que toda a América Latina se beneficie de tudo o que conquistamos e continuaremos a construir no Brasil.”
A declaração condensa bem o ângulo do movimento: não se trata de criar uma liderança regional do zero, mas de exportar o que já funciona. O Brasil, nesse modelo, deixa de ser apenas o mercado principal para se tornar também a referência de execução para os demais países.
A reorganização levanta questões concretas para os próximos trimestres. Como o Nubank vai equilibrar as demandas de uma operação brasileira que ainda cresce com a pressão de acelerar no México agora que tem licença bancária plena? Quais produtos e funcionalidades do portfólio brasileiro serão priorizados para expansão regional, e em que sequência?
O cargo de CEO para a América Latina também cria uma nova camada de interlocução com reguladores, parceiros e investidores na região. Ter uma liderança regional formalmente designada facilita esse tipo de relação, especialmente em mercados onde a presença institucional pesa na construção de credibilidade.
O Nubank está preparando a estrutura para uma expansão mais coordenada e menos oportunista. Se a execução vai confirmar esse sinal, os próximos resultados trimestrais e os anúncios de produto para México e Colômbia vão dizer mais do que qualquer comunicado corporativo.