O Nubank, maior banco digital da América Latina, protocolou um pedido de licença para operar como banco nos Estados Unidos. Caso seja aprovado, o roxinho poderá oferecer produtos como contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e até custódia de ativos digitais sob as mesmas regras aplicadas às instituições tradicionais do país.
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A nova operação será uma subsidiária integral da Nu Holdings e terá Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, como CEO local. A executiva já se mudou para os EUA, reforçando a expectativa de aprovação, embora o processo seja conhecido por sua rigidez. Junqueira também reconhece que os primeiros early-adopters devem ser os próprios clientes do Nubank que vivem no país, mas o mercado já projeta grande interesse para a estreia.
David Vélez, fundador e atual CEO, ressaltou que o foco principal segue em Brasil, México e Colômbia, onde a fintech já soma 123 milhões de clientes. Mas a aposta no mercado norte-americano é clara: além de atender brasileiros e latinos que vivem no país, a empresa enxerga espaço para disputar com players como Revolut, C6 e Wise. Em comunicado oficial, Vélez afirmou: “A solicitação da licença de banco nacional nos EUA nos ajuda a atender melhor nossos clientes já estabelecidos no país e, no futuro, a nos conectar com pessoas que têm necessidades financeiras semelhantes e que poderiam se beneficiar de nossos produtos e serviços.”
O movimento também reforça o contraste da expansão global: em abril, o Nu México recebeu autorização para se tornar banco no país, enquanto agora o grupo enfrenta o escrutínio do regulador americano. A fintech, listada na Bolsa de Nova York desde 2021, encara o desafio em um processo longo e rigoroso, que exige capital robusto, governança sólida e alto nível de compliance.
Na prática, a licença teria três implicações centrais: dar ao Nubank autonomia para oferecer toda a cadeia de produtos bancários sem depender de parcerias locais, permitir acesso a depósitos (recurso mais barato que pode sustentar expansão de crédito) e colocá-lo em disputa direta com grandes bancos e fintechs já estabelecidos em um mercado maduro e altamente regulado.
Como destacou Junqueira, alguns estados norte-americanos têm economias maiores que a do próprio Brasil. Para o Nubank, conquistar esse território é tanto uma oportunidade de escala global quanto um teste sobre como mesmo unicórnios listados em Wall Street precisam avançar passo a passo diante da burocracia que define quem pode (ou não) operar como banco nos Estados Unidos.