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Por que o mercado está pagando US$2 bilhões por uma startup que ainda não existe?

Miles Wang, da OpenAI, negocia criação de startup de drug discovery com IA avaliada em US$2 bi, padrão crescente entre ex-funcionários dos grandes labs.
Miles Wang, ex OpenAI.
Miles Wang, ex OpenAI, com startup de drug discovery.

Redação The Beatstrap

Miles Wang, pesquisador sênior da OpenAI, está em negociações avançadas para fundar uma startup de descoberta de medicamentos com uso de inteligência artificial avaliada em US$2 bilhões. Detalhes sobre nome da empresa, estrutura da rodada e investidores envolvidos ainda não foram divulgados.

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O número chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo momento, já que a empresa não existe ainda. O valuation de US$2 bilhões é pré-produto, pré-ensaio clínico, pré-qualquer coisa que não seja a tese e o nome de quem está à frente.

E Miles Wang não é o primeiro a fazer esse caminho. Ex-pesquisadores da Anthropic fundaram uma startup de drug discovery que captou US$200 milhões após apenas um ano de operação. A Anthropic, por sua vez, lançou um programa interno de descoberta de medicamentos para desenvolver ferramentas de IA voltadas à área, o que sinaliza que até os próprios laboratórios estão reconhecendo o setor como estratégico.

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Por que drug discovery

Se a IA generativa ainda busca demonstrar ROI consistente no marketing, na produtividade corporativa e no atendimento ao cliente, a descoberta de medicamentos oferece algo que outros setores ainda não conseguiram: um caso de uso com impacto mensurável, claro e enorme.

A Chai Discovery, startup de drug discovery apoiada por Pfizer e Eli Lilly, foi avaliada em US$1,3 bilhão e afirma ser capaz de reduzir o tempo de desenvolvimento de fármacos de mais de 10 anos para meses. Pfizer e Eli Lilly não são fundos de venture capital com apetite por apostas especulativas, mas empresas que conhecem o processo de desenvolvimento farmacêutico por dentro e estão colocando dinheiro real nessa tese.

O desenvolvimento tradicional de um medicamento custa bilhões de dólares e leva mais de uma década, com taxa de fracasso altíssima nas fases clínicas. Se a IA consegue comprimir essa curva de forma relevante (mesmo que parcialmente), o retorno potencial justifica valuations que parecem absurdos à primeira vista.

Isso não significa que os números vão se sustentar. Valuation pré-produto em qualquer setor é uma aposta sobre o futuro, não uma avaliação de ativos existentes. O histórico de startups de biotech e healthtech está cheio de empresas que captaram fortunas, chegaram às fases clínicas e encontraram resultados que não sustentavam a tese. Drug discovery com IA não está imune a esse risco, está apenas numa fase em que o otimismo do mercado ainda supera a evidência clínica disponível.

O que observar daqui em diante

O acompanhamento da rodada de Miles Wang vai revelar quais investidores estão de fato dispostos a precificar esse nível de credencial antes de qualquer entrega, e os nomes que entrarem vão dizer muito sobre a tese em jogo. Ao mesmo tempo, a reação dos grandes labs é um ponto relevante: a Anthropic já sinalizou um movimento ao lançar sua própria frente de drug discovery, o que levanta a questão de se os laboratórios vão estruturar programas mais robustos de retenção ou continuar operando como viveiros de startups.

No médio prazo, o que vai definir o futuro desse setor é se alguma dessas empresas vai apresentar dados clínicos que validem os valuations, transformando o otimismo atual em evidência concreta, ou se o mercado vai passar por uma correção quando a exigência por resultado superar a força das credenciais de seus fundadores.

Por ora, o dinheiro continua entrando. E os pesquisadores continuam saindo.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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