O ecossistema de startups da Índia registrou nos últimos meses rodadas e alianças que refletem a diversidade do mercado local. Entre os destaques estão as movimentações em delivery, deep tech e energia limpa, que ajudam a mostrar tanto o potencial quanto os desafios do país.
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Os casos reforçam a Índia como um dos polos de inovação no cenário global. Apesar disso, o mercado ainda convive com lacunas regulatórias, diversidade regional e gargalos de infraestrutura, que dificultam a escalabilidade das soluções.
CityMall: expansão em cidades de médio porte
A startup indiana de entregas de mercado online CityMall levantou US$47 milhões em rodada Série D, liderada pela Accel, com participação de fundos como WaterBridge, Citius, General Catalyst, Elevation Capital, Norwest e Jungle Ventures. Avaliada em cerca de US$320 milhões, a empresa aposta no atendimento de cidades Tier 2 e Tier 3, onde oferece entregas em até um dia, sem cobrança de taxa, operando por meio de líderes comunitários para reduzir custos.
A estratégia difere dos grandes players de entregas ultrarrápidas, ao priorizar capilaridade e preços acessíveis em regiões fora dos grandes centros urbanos. Na prática, isso mostra uma leitura pragmática do mercado indiano, onde o crescimento de consumo se espalha para além das metrópoles. Segundo a consultoria Bernstein, o segmento de quick commerce pode representar até 20% do e-commerce indiano até 2035, reforçando o potencial de crescimento desse modelo.
Aliança bilionária para deep tech
Fundos americanos e indianos anunciaram a criação da India Deep Tech Investment Alliance, com compromisso inicial de mais de US$1 bilhão para financiar startups de deep tech nos próximos cinco a dez anos. Entre os participantes estão nomes como Accel, Blume Ventures, Celesta Capital e Premji Invest, em um movimento que busca fortalecer áreas como inteligência artificial, hardware, biotecnologia e energia.
Além do capital, a aliança prevê mentoria e apoio estratégico, em coordenação com o governo indiano, que lançou recentemente um programa nacional de P&D com cerca de US$11 bilhões em incentivos. O desafio é suprir uma lacuna histórica: a falta de financiamento em tecnologias de base, essenciais para sustentar a próxima fase do crescimento do ecossistema.
Offgrid Energy Labs: baterias além do lítio
A Offgrid Energy Labs, incubada no IIT Kanpur, captou US$15 milhões em rodada Série A para escalar sua tecnologia de bateria ZincGel, baseada em zinco-bromo. A solução é apresentada como uma alternativa mais segura e de menor custo em relação ao lítio, com eficiência de 80% a 90% e maior durabilidade para aplicações de armazenamento estacionário de energia.
Os recursos serão usados na construção de uma instalação demonstrativa de 10 MWh no Reino Unido até 2026, além do plano de instalar uma gigafábrica na Índia. A startup já conduz testes com empresas como Shell e Tata Power, mirando o mercado de energia renovável e as metas de transição para emissões líquidas zero.
O ecossistema indiano
O dinamismo atual do mercado indiano se apoia em um histórico de avanços que estruturaram o ecossistema de startups. Iniciativas como o Aadhaar, sistema nacional de identidade digital, impulsionaram o acesso a serviços bancários e fomentaram a ascensão de fintechs. Durante a pandemia, superapps de delivery como o Zomato ganharam tração e abriram caminho para a expansão do e-commerce. Programas públicos como o Startup India também tiveram papel central na criação de incentivos e na atração de capital de risco.
Hoje, a Índia ultrapassa a marca de 118 unicórnios, consolidando seu protagonismo não apenas em consumo e fintechs, mas também em áreas como deep tech e energia limpa. Ao mesmo tempo, os obstáculos estruturais seguem no radar: regras pouco claras, diversidade socioeconômica e falhas de infraestrutura ainda são barreiras a escalar modelos de negócio. Para muitas startups, o sucesso depende da capacidade de adaptar modelos à realidade heterogênea do país.
As movimentações recentes mostram a diversidade de apostas no ecossistema indiano. Para quem investe ou empreende, ficam dois recados: a diversidade de setores abre espaço para disrupções de escala global; mas só sobrevive quem adapta o modelo à realidade local. A combinação entre capital internacional, políticas públicas e adaptação seguirá determinante para definir o próximo capítulo das startups na Índia.