LATAM

Pesquisa revela contraste entre SaaS brasileiro e latino-americano

Estudo revela que 93% da receita do SaaS brasileiro é doméstica, enquanto startups latino-americanas avançam mais na internacionalização.
Estudo mostra diferença entre SaaS no Brasil e América Latina.
Estudo mostra diferença entre SaaS no Brasil e América Latina.

Redação The Beatstrap

O SaaS brasileiro lidera a América Latina em tamanho de mercado, mas ainda opera de forma majoritariamente local. É o que revela a pesquisa Latam SaaS Survey 2025, conduzida pela Riverwood Capital, gestora global de private equity, em colaboração com o BTG Pactual (banco de investimentos brasileiro) e o J.P. Morgan (instituição financeira global).

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Segundo o estudo, cerca de 93% da receita das empresas brasileiras de Software as a Service (SaaS) vem do mercado doméstico, um percentual significativamente mais alto do que o observado em outros países da região. O dado joga luz sobre um contraste importante: enquanto o Brasil concentra volume e demanda, outras startups latino-americanas avançam com mais rapidez na internacionalização.

A comparação regional evidencia essa diferença. Na Argentina, apenas 39% da receita das empresas de SaaS é gerada no próprio país. No Chile, o índice é de 52%, enquanto Colômbia e México registram 46% e 72%, respectivamente. O recorte sugere que, fora do Brasil, a expansão internacional faz parte da estratégia desde as fases mais iniciais.

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O México aparece como peça central nesse movimento. Segundo o estudo da Riverwood, o país — hoje o segundo maior ecossistema de startups da região, atrás apenas do Brasil — é o destino preferido das empresas sul-americanas que buscam escalar fora de seus mercados de origem. Tamanho de mercado, proximidade com os Estados Unidos e maior padronização regulatória ajudam a explicar essa escolha.

O levantamento também traz uma leitura relevante sobre eficiência financeira. Cerca de 60% das empresas latino-americanas de SaaS com crescimento anual inferior a 20% são rentáveis, operando no azul. Já entre aquelas que crescem mais de 60% ao ano, apenas 33% atingem o breakeven ou geram caixa. O dado reforça um padrão conhecido: crescimento acelerado na região ainda costuma vir acompanhado de maior pressão sobre as margens.

Esse cenário se insere em um momento de expansão estrutural do setor. Estimativas apontam que o mercado latino-americano de SaaS deve dobrar de tamanho até 2027, saltando de aproximadamente US$22 bilhões em 2023 para US$46 bilhões, com ritmo superior ao observado na Europa, América do Norte e Ásia. A digitalização de empresas e a adoção de soluções em nuvem seguem como vetores centrais desse avanço.

Os dados colocam o Brasil em uma posição ambígua no mapa regional. O país é, ao mesmo tempo, o maior mercado de SaaS da América Latina e um dos menos internacionalizados proporcionalmente. A força do mercado interno sustenta crescimento e receita, mas também pode reduzir o incentivo — ou a urgência — de escalar para fora.

À medida que o SaaS regional amadurece, a diferença entre crescer bem localmente e operar com ambição regional tende a ficar mais evidente. Internacionalização deixa de ser discurso aspiracional e passa a ser decisão estratégica, com impacto direto em valuation, acesso a capital e longevidade das empresas.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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