Em 14 de julho de 2026, a Stripe e a gestora de private equity Advent International propuseram conjuntamente a aquisição do PayPal por US$60,50 por ação (o que avalia a empresa em mais de US$53 bilhões). As ações do PayPal subiram entre 15% e 17% no pré-mercado.
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A Stripe foi fundada em 2010 pelos irmãos Patrick e John Collison e construiu sua reputação como infraestrutura de pagamentos para desenvolvedores e empresas. É uma empresa privada, avaliada em cerca de US$90 bilhões em operações recentes, mas com avaliação de até US$159 bilhões após recompra de ações. Em outras palavras: é uma das maiores empresas privadas de tecnologia do mundo fazendo uma oferta bilionária por um concorrente listado em bolsa.
A Advent International é uma gestora global de private equity com histórico de grandes transações em setores financeiros e de tecnologia. Sua presença na oferta sugere uma estrutura de aquisição que pode envolver reestruturação operacional ou desmembramento de ativos do PayPal após uma eventual conclusão do negócio.
A oferta conjunta com a Advent representa a formalização de um interesse que havia sido reportado anteriormente em caráter preliminar.
O PayPal em queda estrutural
Para entender o que está em jogo, é preciso recuar alguns anos. No pico da pandemia, quando o e-commerce global disparou, o PayPal chegou a ser avaliado em mais de US$300 bilhões. Hoje, a oferta da Stripe e da Advent avalia a empresa em US$53 bilhões, uma queda de 85% em relação ao valor máximo.
E isso não é por acaso. O PayPal perdeu espaço para soluções nativas de plataformas como Apple Pay e Google Pay no mercado de pagamentos ao consumidor. Ao mesmo tempo, fintechs mais ágeis avançaram em nichos onde o PayPal tinha presença relevante. A empresa trocou de liderança como resposta, mas não recuperou o crescimento.
O resultado é uma companhia que ainda tem escala global (base de usuários, presença em marketplaces, integração com grandes varejistas) mas que não encontrou, por conta própria, o caminho de volta à relevância que tinha há cinco anos.
A lógica da Stripe nesse movimento
A Stripe tem um perfil complementar ao do PayPal. Enquanto o PayPal tem maior penetração no consumidor final e em transações de e-commerce, a Stripe construiu sua base com foco em empresas e desenvolvedores que precisam de infraestrutura de pagamentos flexível e escalável.
Uma eventual fusão uniria as duas abordagens: a profundidade técnica e o posicionamento B2B da Stripe com a escala de usuários e a presença no varejo digital do PayPal. Para a Stripe, isso representa acesso imediato a uma base instalada que levaria anos para construir organicamente.
Há outro elemento na equação: o IPO. A Stripe ainda não abriu capital. Fazer uma aquisição da magnitude do PayPal (com apoio de uma gestora de private equity) antes de um eventual IPO é um movimento que pode tanto fortalecer o valuation da empresa quanto complicar a operação, dado o tamanho da integração envolvida.
Consolidação como nova fase do mercado
O que essa oferta revela vai além dos dois players envolvidos. O mercado de pagamentos digitais viveu anos de expansão acelerada, com novos entrantes, modelos de negócio diversos e uma corrida por participação de mercado via produto e distribuição. O que está acontecendo agora é diferente.
Quando uma empresa avaliada em US$90 bilhões propõe pagar US$53 bilhões por um concorrente histórico que perdeu 85% do valor de pico, isso não é só uma aposta em um ativo descontado. É um sinal de que a fase de consolidação chegou: a competição por espaço começa a se resolver via M&A, não apenas via inovação de produto.
Players que pareciam intocáveis (pelo tamanho, pela base de usuários, pela história) estão vulneráveis quando perdem o momentum de crescimento e o mercado encontra alternativas mais convenientes. O PayPal é o exemplo mais visível disso no setor de pagamentos digitais. E a Stripe, ao fazer essa oferta, aposta que a escala adquirida supera qualquer complexidade de integração.
O deal ainda depende de confirmação oficial e, se concluído, de aprovações regulatórias. Mas independente do desfecho, o movimento já reposicionou o debate sobre quem vai liderar o mercado global de pagamentos na próxima década (e deixou claro que o tabuleiro está sendo redesenhado).