Uber e iFood deram início, nesta segunda-feira (17 de novembro), a uma integração que permite que usuários acessem serviços das duas plataformas dentro de um único aplicativo. O movimento marca um dos passos mais relevantes do setor desde a saída do Uber Eats do Brasil e acontece em um momento em que a concorrência no delivery volta a se intensificar.
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O que muda para os usuários
A integração começa por Belo Horizonte, onde clientes do iFood já podem chamar corridas da Uber pelo próprio app. A partir de dezembro, o caminho inverso também passa a acontecer: o aplicativo da Uber vai exibir entregas de refeição, mercado e outros itens operadas pelo iFood.
Segundo as empresas, a mudança será automática e não exige nenhum tipo de atualização ou ação manual. A integração será expandida para grandes capitais ao longo de dezembro e deve alcançar todas as cidades atendidas pelas duas plataformas até o fim de janeiro de 2026:
- Novembro/2025 – BH passa a acessar Uber pelo iFood.
- Dezembro/2025 – SP, RJ, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Campinas, Goiânia, Recife, Porto Alegre e Salvador recebem a novidade.
- Ainda em dezembro, usuários de Belo Horizonte começam a visualizar o iFood dentro do app da Uber, com expansão para outras capitais na sequência.
- Janeiro/2026 – Integração completa nas cidades atendidas pelas duas plataformas.
Além disso, Uber e iFood vão lançar uma assinatura conjunta de fidelidade por R$21,90 por mês, reunindo benefícios que hoje estão distribuídos entre o Clube iFood (R$12,90) e o Uber One (R$19,90).
Uma volta indireta da Uber ao mercado de entregas
A parceria marca o retorno da Uber ao segmento de delivery de comida, ainda que de forma indireta. O Uber Eats encerrou sua operação nacional em 2022, após forte pressão competitiva. Agora, a empresa volta a aparecer nesse fluxo por meio da integração operacional com o iFood.
Um setor novamente aquecido
A decisão acontece em meio à chegada de novos concorrentes e à retomada de investimentos agressivos no mercado de entregas. A Keeta, plataforma ligada à chinesa Meituan, iniciou operação piloto em Santos e São Vicente no fim de outubro e planeja investir US$1 bilhão no Brasil em cinco anos.
A 99Food, que encerrou suas atividades em abril de 2023, retorna ao país integrada ao app da 99. A controladora chinesa, Didi Chuxing, projeta R$2 bilhões em investimentos até junho de 2026.
Outra plataforma de delivery, a Rappi, também ampliou sua aposta: serão R$1,4 bilhão destinados à expansão de 50 para 300 cidades e à ampliação da base de restaurantes parceiros.
Com o fortalecimento dos players chineses e a expansão acelerada da Rappi, a movimentação de Uber e iFood reposiciona as duas marcas num cenário mais competitivo do que nos anos anteriores.
O racional estratégico
Segundo Diego Barreto, CEO do iFood, a integração segue a lógica de concentrar mais serviços dentro de um único ambiente, estratégia comum também à Uber. Ele afirma que a mudança não foi pensada como resposta direta à competição, mas como parte de um plano de experiência unificada para o usuário: “Com mais opções no mercado, a escolha do consumidor tende a ser guiada por qualidade de serviço, amplitude de oferta e força das marcas”.
Para o iFood e para a Uber, o movimento sinaliza a construção de ecossistemas mais amplos, onde mobilidade e delivery passam a coexistir para aumentar recorrência, conveniência e fidelidade.