A Anthropic, criadora do Claude, fechou uma rodada Série H de US$65 bilhões que avalia a empresa em US$965 bilhões. O aporte foi liderado por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital, com participação de nomes como Blackstone, Brookfield, Fidelity, General Catalyst, Jane Street, GIC (fundo soberano de Singapura), Temasek e MGX. A rodada inclui US$15 bilhões de investimentos previamente anunciados, entre eles US$5 bilhões da Amazon.
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Com esse valuation, a Anthropic ultrapassou a OpenAI (avaliada em US$852 bilhões após sua rodada de US$122 bilhões em março) e se tornou a startup de IA mais valiosa do mundo. Em fevereiro, quando fechou a Série G de US$30 bilhões, o valuation era de US$380 bilhões. Em março de 2025, na Série E, era de US$61,5 bilhões. Quase triplicou em três meses e multiplicou por 15 em pouco mais de um ano.
A receita que sustenta a tese
O que justifica a velocidade do valuation é a receita. A Anthropic reportou receita anualizada de US$47 bilhões no início de maio de 2026. Para dimensionar o ritmo: eram US$10 bilhões anualizados no final de 2025, US$14 bilhões em fevereiro e US$30 bilhões em abril. A receita mais que triplicou em cinco meses.
O motor principal continua sendo o Claude Code, o agente de codificação que em fevereiro já tinha receita anualizada superior a US$2,5 bilhões, com assinaturas empresariais quadruplicando desde o início do ano. Enterprise representa mais da metade da receita do Claude Code. O lançamento do Cowork (interface para não-desenvolvedores usarem agentes de IA) e do Mythos Preview (modelo frontier de cibersegurança) ampliaram a superfície de produtos.
A base de clientes enterprise continua crescendo. A Anthropic não divulga o número exato, mas em abril reportava mais de 1.000 empresas gastando mais de US$1 milhão por ano com o Claude, o dobro de dois meses antes.
Infraestrutura e o caminho para IPO
Os recursos da Série H serão direcionados para pesquisa em segurança e interpretabilidade de modelos, expansão de capacidade computacional e escala de produtos e parcerias. A Anthropic também fechou acordos de infraestrutura com Google, Broadcom, Amazon e SpaceX para mais de 10 gigawatts de capacidade computacional combinada, um volume que reflete a escala de demanda que a empresa projeta atender.
A Forge Global reportou, citando fontes próximas, que a Anthropic considera abrir capital já em outubro de 2026. A empresa não confirmou o timing, mas a Série H pode ser a última rodada privada antes de um eventual IPO. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI e a SpaceX/xAI devem se tornar empresas de capital aberto nos próximos meses.
O que o movimento sinaliza
A velocidade da Anthropic é inédita mesmo para os padrões do setor de IA. Uma empresa fundada em 2021 por ex-líderes da OpenAI (Dario e Daniela Amodei) atingir quase US$1 trilhão de valuation em cinco anos, com receita real de US$47 bilhões, redefine o que significa crescimento em tecnologia.
Mas o que torna o caso mais relevante do que o número em si é a inversão competitiva que ele representa. A OpenAI criou o mercado de IA generativa consumer com o ChatGPT e dominou o mindshare público por três anos. A Anthropic construiu tração enterprise de forma consistente, ganhou o desenvolvedor e o CIO, e agora lidera em valuation e receita reportada. Nesse momento, o placar mudou, mas com certeza a corrida ainda está longe de terminar.