A X-energy, empresa americana de energia nuclear avançada, acaba de levantar US$700 milhões em uma rodada Série D liderada pelo fundo Jane Street, consolidando-se como uma das principais candidatas a solucionar o maior gargalo da era da inteligência artificial: energia suficiente para sustentar a explosão de data centers.
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A companhia já captou US$1,4 bilhão nos últimos 13 meses e atraiu nomes como ARK Invest, Point72 e Ares Management, refletindo o novo apetite do mercado por tecnologias capazes de entregar energia estável num cenário em que o consumo computacional cresce mais rápido do que as redes conseguem acompanhar.
O salto energético da IA
O avanço ocorre em um contexto de pressão sem precedentes. Data centers consumiram cerca de 460 TWh de eletricidade em 2022 e podem ultrapassar 1.000 TWh até 2026, segundo projeções do setor. Tarefas de inferência de IA, como as usadas por modelos generativos, devem crescer a uma taxa composta anual de 122% até 2028. O Departamento de Energia dos EUA estima que o consumo norte-americano de data centers, hoje próximo de 4,4% da eletricidade do país, pode chegar a 12% em apenas três anos. É um salto que nenhum modelo atual de expansão energética consegue suprir apenas com renováveis, o que abre espaço para os reatores nucleares de nova geração.
O reator que pode redefinir infraestrutura
No centro dessa aposta está o Xe-100, o reator de pequeno porte (SMR) desenvolvido pela X-energy. Cada unidade gera 80 MW e opera com combustível TRISO-X, um tipo de pastilha projetada para suportar temperaturas elevadas e manter integridade mesmo em cenários extremos, uma tecnologia vista pela indústria como sucessora dos modelos nucleares tradicionais.
A empresa já tem encomendas para 144 unidades, que juntas somam mais de 11 gigawatts de capacidade. Entre os clientes estão Amazon, que avalia incorporar mais de 5 GW de energia nuclear à sua infraestrutura até 2039, além da Dow Chemical e da britânica Centrica, sinalizando que os reatores deixaram de ser protótipos e entraram nos planos estratégicos de hiperescaladores.
Mudança regulatória
A NRC, a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, recebeu recentemente novas diretrizes para acelerar processos de licenciamento, após o governo dos EUA anunciar meta de quadruplicar a capacidade nuclear até 2050. O Departamento de Energia quer ver ao menos três reatores avançados atingindo “criticidade” até julho de 2026, marco fundamental antes da operação comercial. No cenário internacional, decisões da COP28 e revisões de políticas em países como Suíça e Austrália reforçam uma reaproximação global com a energia nuclear após décadas de hesitação.
A combinação de demanda acelerada, pressão energética e novas políticas públicas cria um ambiente raro: pela primeira vez, startups nucleares começam a disputar espaço diretamente com fornecedores tradicionais de energia em um mercado global de computação que já vale trilhões. Para a IA generativa, que cresce muito mais rápido do que a infraestrutura convencional, energia constante e de baixa emissão deixa de ser um diferencial e se torna pré-requisito.
A disputa estratégica por megawatts
O movimento da X-energy revela uma virada estrutural. Se os reatores modulares entregarem o que prometem, os data centers poderão operar com custos mais previsíveis, redução de impacto ambiental e autonomia energética inédita. Para o mercado de tecnologia, isso redefine prioridades e a disputa pelos próximos anos está menos em chips e mais em megawatts.