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Guapeco e a inovação que leva o cuidado pet para os benefícios corporativos

Colocar um produto no mercado já é desafiador. Criar uma categoria inteira é outra história. Conheça a história da Guapeco.
Founders Guapeco, Martha, Júlia e Thiago.
Founders da Guapeco, Martha, Júlia e Thiago.

Diana Lopes

Cofundadora e Editora Chefe The.beatstrap

Salário competitivo e VR no fim do mês já não sustentam, sozinhos, a retenção de talentos. Empresas de diferentes portes e setores têm descoberto que, para manter gente boa no time, é preciso ir além do pacote tradicional e criar benefícios que conversem com a vida real de quem trabalha ali.

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Essa mudança não nasceu por acaso. Demissões voluntárias crescentes, novas expectativas das gerações mais jovens e a valorização de qualidade de vida no pós-pandemia colocaram pressão sobre os RHs para repensar o que significa “valor” na relação de trabalho. Terapia custeada pela empresa, licença parental estendida, academias, programas de bem-estar… e, cada vez mais, benefícios que tocam aspectos pessoais antes não observados.

É nesse movimento que surge o plano de saúde pet como benefício corporativo — uma resposta direta a um país que já tem mais cães e gatos do que crianças, e um mercado que movimenta mais de R$77 bilhões por ano. Entre as empresas que criaram essa categoria no Brasil está a Guapeco, HRTech de Florianópolis que transformou uma ideia pessoal em um diferencial competitivo para marcas como PicPay, Accenture e Alpargatas.

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O nascimento da Guapeco: de uma vivência pessoal à validação de mercado

Martha, Júlia e Thiago e o CEO interino: Mutley.
Martha, Júlia e Thiago e o CEO interino: Mutley.

A ideia da Guapeco não veio de um estudo de mercado ou de um relatório de tendências. Veio da vida real. Martha Rodrigues, fundadora e hoje CEO da empresa, passou por uma situação que você até possa ter vivido ou conhece alguém que teve algo semelhante:

Ao encontrar um gato machucado na rua e acolhê-lo para ajudar, ela se deparou com desafios tanto de saúde do animal quanto, por consequência, financeiros. Isso a fez acender a pergunta: por que benefícios corporativos não consideram a importância que um pet tem na vida de tantos colaboradores?

A intuição virou hipótese. Ao lado dos cofundadores Júlia Locks (COO), sua amiga, e Thiago Pimentel (CTO), colega que a ajudou nos  cuidados do gato, decidiram colocar à prova: mais de 50 gestores de RH de diferentes portes e segmentos foram entrevistados, junto com mais de 200 cuidadores de pets e clínicas veterinárias. O que era apenas uma curiosidade se confirmou como oportunidade — não era uma dor latente, mas, quando apresentada, fazia todo sentido para empresas preocupadas em engajar e reter talentos.

O contexto ajudava. Além do alto volume de pets, a pandemia e o home office fortaleceram ainda mais o vínculo entre pessoas e seus animais, enquanto também aceleraram a corrida das empresas por benefícios que refletissem as novas prioridades dos colaboradores.

Assim, a Guapeco se apresentou ao mercado em 2021, durante o programa de aceleração Esag Ventures, ligado à Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Desde o início, a proposta era clara: criar uma solução pensada para empresas, e não apenas uma adaptação de produtos B2C, com foco em atrair, engajar e reter talentos por meio de um benefício inédito no país.

O que a Guapeco criou: um benefício que fala a língua do colaborador

O plano de saúde pet da Guapeco não é um produto de prateleira adaptado para o mundo corporativo. Ele nasceu desde o início para o modelo B2B2C — empresas oferecem o benefício aos colaboradores em condições mais atrativas, e todos os pets da casa podem ser contemplados, sem restrição de rede credenciada.

Não vendemos só um benefício. Vendemos um motivo para o colaborador se sentir valorizado

Martha, CEO da Guapeco

A solução funciona em uma plataforma própria, onde o colaborador cadastra o pet, acompanha carências, solicita reembolsos e acessa os procedimentos cobertos. O serviço ainda oferece cupons de desconto e acesso a uma rede de cuidados veterinários, criando uma experiência contínua de cuidado.

Um spoiler da Martha, em conversa com a redação The Beatstrap, é que eles almejam se tornar um verdadeiro ecossistema de cuidados pet.

Hoje, a Guapeco atende mais de 170 empresas, entre elas PicPay, Accenture e Alpargatas, e já soma mais de 70 mil usuários. Em 2024, cresceu 300% em relação ao ano anterior, atingindo um ARR de R$1,3 milhão. A receita vem de contratos corporativos que tornam o benefício acessível em escala, sem custo individual proibitivo para o colaborador — e, para a empresa, com potencial de aumentar engajamento e reduzir a rotatividade.

Além da entrega do serviço, há uma mensagem estratégica por trás: oferecer benefícios que dialogam com a vida real do colaborador é investir em cultura organizacional e marca empregadora. E no caso da Guapeco, essa cultura vem com rabo abanando.

Desafios e aprendizados: criando uma nova categoria de benefício corporativo do zero

Colocar um produto no mercado já é desafiador. Criar uma categoria inteira é outra história.

Desde o início, a Guapeco teve que enfrentar o que Martha chama de “trabalho duplo”: desenvolver a solução e, ao mesmo tempo, educar o mercado sobre por que um plano de saúde pet corporativo faz sentido.

No começo, a estratégia foi oferecer a proposta de valor de forma gratuita para empresas, como forma de reduzir barreiras e gerar prova social. O crescimento acelerou após a primeira rodada de investimentos, em 2024, que trouxe R$750 mil por meio do Projeto Inova — uma parceria entre Sebrae SC, Sebrae Nacional, Unifique, Raja Ventures e Bossa Invest.

Mesmo com capital e validação, os desafios continuaram. Questões de verba típicas de startups, necessidade de estruturar áreas (hoje são 14 pessoas divididas em comercial, CS, produto e marketing), e a pressão para expandir fora do eixo Sul-Sudeste — onde está a maior concentração de pets do país — fizeram (e ainda fazem) parte da jornada.

Mas foi justamente essa trajetória que fortaleceu o modelo. Ao criar uma rede livre de credenciados, simplificar o uso via plataforma própria e focar em empresas com estrutura de RH consolidada, a Guapeco conseguiu reduzir fricções e acelerar a adesão. Como Martha resume: “Não vendemos só um benefício. Vendemos um motivo para o colaborador se sentir valorizado.”

Qual o impacto de benefícios corporativos personalizados para o mercado?

O impacto vai muito além de agradar aos colaboradores. Ele mexe diretamente em indicadores estratégicos de engajamento, retenção e marca empregadora. Benefícios personalizados são reflexo de uma mudança profunda na relação entre empresas e talentos. O pacote padrão de salário, VR e plano de saúde humano já não cobre as expectativas de um time que valoriza qualidade de vida, propósito e conexão com seus interesses pessoais.

No caso do benefício pet, o efeito é ainda mais expressivo. O Brasil é o segundo maior mercado pet do mundo e, em muitas famílias, o cuidado com o animal tem a mesma prioridade que a saúde de um filho. Quando a empresa reconhece essa importância, cria uma conexão emocional que vai além do contrato e isso impacta diretamente na satisfação e lealdade.

Para áreas de RH pressionadas por alta rotatividade, disputas acirradas por talentos e aumento de demissões voluntárias, iniciativas assim não são “mimos”, são ferramentas estratégicas. Mais do que uma linha no contrato, benefícios personalizados representam investimento em cultura organizacional e no fortalecimento da marca empregadora.

A Guapeco, ao criar uma categoria inédita no país, mostra como esse tipo de iniciativa pode gerar valor tangível tanto para pessoas quanto para empresas. E, como os números comprovam, essa equação vem dando resultado.

O que vem a seguir

Depois de validar o modelo e conquistar clientes de peso, a Guapeco já mira o próximo passo: transformar o benefício em um ecossistema completo de cuidado com o pet. A ideia é que, além da cobertura atual, a plataforma ofereça serviços e conteúdos preditivos — usando o histórico de cada animal para antecipar necessidades e melhorar a qualidade de vida.

A expansão geográfica também está no radar. Hoje, a atuação mais forte é no Sul e Sudeste, regiões com maior concentração de pets no Brasil. Mas a meta é ampliar a presença nacional e preparar a operação para escalar junto com a demanda.

Para viabilizar essa nova fase, a startup planeja abrir uma nova rodada de captação no último trimestre de 2025. Até lá, segue investindo em produto, marketing e estrutura comercial para sustentar a meta de faturar R$3 milhões no ano.

Mais do que criar um plano de saúde veterinário corporativo, a Guapeco inaugurou uma categoria e mostrou que inovação também é enxergar onde ninguém estava olhando e transformar esse olhar em valor real para empresas e pessoas. Como define Martha Rodrigues, CEO da startup: “Simples como amar um pet. Guapeco.”

Diana Lopes

Cofundadora e Editora Chefe The.beatstrap

Mais de 5 anos de experiência em estratégias de geração de demanda para startups com foco em conteúdo SEO e gestão de mídias patrocinadas.

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