web summit rio 2026 Archives - The beatstrap https://the.beatstrap.com.br/tags/web-summit-rio-2026/ Conteúdos e notícias no ritmo do crescimento das startups. Tue, 23 Jun 2026 16:51:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://the.beatstrap.com.br/wp-content/uploads/2025/07/cropped-THE.BEATSTRAP-AZUL-32x32.webp web summit rio 2026 Archives - The beatstrap https://the.beatstrap.com.br/tags/web-summit-rio-2026/ 32 32 Novoto, Payloop e Olho na BET foram ao Web Summit com a mesma aposta (e ela faz sentido em 2026) https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/web-summit-rio-2026-startups-nova-tese/ Wed, 17 Jun 2026 16:47:05 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3831 Novoto, Payloop e Olho na BET mostram uma tese emergente no ecossistema: organizar o caos que já existe em vez de criar mercado do zero.

The post Novoto, Payloop e Olho na BET foram ao Web Summit com a mesma aposta (e ela faz sentido em 2026) appeared first on The beatstrap.

]]>
As startups que mais chamaram atenção no Web Summit Rio 2026 não estavam tentando mudar comportamentos. Estavam partindo do pressuposto de que o problema já existe, o mercado já está aquecido e o que falta é alguém disposto a organizar o caos que ficou pra trás. Esse padrão atravessou verticais completamente diferentes entre as empresas brasileiras presentes no evento, e vale a pena nomeá-lo.

Três startups selecionadas pelos programas Alpha, Impact e Inovabra do Bradesco expressam esse movimento com clareza. Verticais distintas com uma mesma lógica de produto: identificar um mercado fragmentado, onde o comportamento já existe mas a estrutura de suporte não, e construir a camada de organização que falta.

A Novoto, por exemplo, partiu de uma percepção direta: as pessoas acumulam patrimônio ao longo da vida, mas não têm ferramentas para administrar o que já conquistaram. “Existe uma preocupação enorme em comprar, mas pouca estrutura para cuidar do que foi adquirido depois“, diz Marcelo Gontijo, CEO e fundador da empresa.

A plataforma usa IA para organizar notas fiscais, documentos de garantia, seguros e manutenções, enviando alertas preventivos e centralizando o que hoje está espalhado em e-mails, gavetas e aplicativos de câmera. No evento, a startup lançou a versão paga do aplicativo e competiu no PITCH, a competição oficial do Web Summit.

A 87Labs chegou ao evento com a Payloop, infraestrutura de gestão de cobranças recorrentes voltada ao mercado SaaS. O produto nasceu de um gap que qualquer founder de empresa de assinatura conhece bem: os sistemas disponíveis resolvem a cobrança em si, mas pouco ajudam na gestão da jornada completa do assinante. “No Brasil, os sistemas existentes resolvem muito bem a cobrança, mas ainda oferecem poucos recursos para gestão da jornada completa do assinante. Em mercados mais avançados, esse olhar para a recorrência é muito mais amplo e estratégico“, afirma Thiago da Cruz, CEO da empresa. 

A Payloop centraliza faturamento, cobrança, renovações e recuperação de inadimplência em um único ambiente, com suporte a Pix recorrente, cartão e modelos híbridos. Está em beta, com meta de 50 mil assinaturas processadas até o fim de 2026.

Além dessas duas, a Olho na BET chegou com uma proposta que só faz sentido depois que o mercado de apostas esportivas foi regulamentado no Brasil: a primeira plataforma nacional de comparação de odds com curadoria jurídica por IA. A solução usa processamento de linguagem natural e machine learning para transformar contratos e termos de uso de operadoras em informação legível, gerando um score dinâmico de risco para cada casa de apostas. 

“Construímos uma solução que o mercado não tinha, oferecendo ao usuário uma ferramenta que compara odds em tempo real e, ao mesmo tempo, traduz o juridiquês das operadoras em informação clara e acessível. Nossa missão é que nenhum brasileiro deposite um real em uma bet sem entender as regras antes“, diz Ana Lacativa, CEO e cofundadora. A empresa chegou ao evento com mais de oito acordos de afiliação firmados com operadoras licenciadas pela SPA/MF.

Por que essa tese faz sentido agora

Há uma razão clara para esse padrão aparecer com mais frequência no ecossistema brasileiro de 2026. Durante anos, as startups de maior destaque no país, como iFood, Nubank e QuintoAndar, construíram sua tese criando ou redesenhando categorias inteiras. São empresas que educaram o mercado, criaram novos comportamentos e cresceram antes de rentabilizar. Esse modelo exige capital abundante, tempo e tolerância ao burn que o ambiente atual simplesmente não oferece da mesma forma que oferecia em 2021.

No Web Summit Rio 2026, Eric Acher, co-fundador da Monashees, descreveu o momento atual como a “terceira onda” das startups brasileiras: empresas que já nascem globais, mais maduras e com teses de produto mais pragmáticas.

“A primeira fase foi colocar o país no mapa. Depois, deixamos de criar copycats para desenvolver empresas locais em padrão global. Agora, nessa terceira onda, acreditamos que as startups brasileiras já nasçam globais“, afirmou durante o seu painel. As três startups do exemplo se encaixam nessa leitura, não porque sejam globais desde o dia um, mas porque partem de uma execução mais focada, em mercados que não precisam ser criados do zero.

A lógica de “organizar o que já existe” também melhora três variáveis que o investidor de 2026 acompanha de perto. O mercado já está pré-aquecido, o que elimina a etapa mais cara do ciclo, que é a educação. O custo de aquisição tende a ser menor quando o produto resolve uma dor que o usuário já reconhece e consegue nomear. E o impacto percebido é imediato: o usuário abre o app, vê seus documentos organizados, seus boletos consolidados, suas bets comparadas, e entende o valor antes de precisar ser convencido. Esse ciclo mais curto entre ativação e retenção é um “combustível” para crescimento em ambiente de capital seletivo.

O papel do timing regulatório

Há um elemento que o briefing dessas empresas raramente deixa explícito, mas que está no centro da tese: mudanças regulatórias criando mercados involuntários. A regulamentação das apostas esportivas, concluída em 2025, gerou mais de 10 milhões de apostadores ativos no Brasil e, com eles, uma demanda por transparência que nenhuma operadora tinha incentivo para suprir sozinha. A Olho na BET não precisou convencer ninguém de que o problema existia, a lei criou o mercado.

O mesmo raciocínio vale para startups de recorrência. O Pix Automático, lançado pelo Banco Central em 2025, ampliou a infraestrutura disponível para modelos de cobrança recorrente, criando uma janela para produtos como a Payloop chegarem com solução pronta antes que o mercado soubesse exatamente o que precisava. E no caso da Novoto, a reforma tributária e a expansão dos documentos fiscais eletrônicos aumentaram o volume de notas que circulam na vida do consumidor, tornando a desorganização um problema maior do que era antes.

Regulamentação não é estratégia de produto, mas quando ela cria mercado antes da startup existir, a startup que chega com produto pronto tem uma vantagem que dificilmente se replica por esforço de marketing.

O que essa geração está dizendo

Essa geração de startups não está menos ambiciosa, e sim está sendo mais precisa sobre onde colocar a aposta. Em vez de criar o problema para depois resolver, ela parte do caos já instalado e constrói a camada de organização que o mercado ainda não oferece. É uma postura mais pragmática, mais alinhada ao que o capital atual valoriza e, no fundo, mais honesta sobre o que realmente é difícil de construir: não o produto, mas a disciplina de escolher o problema certo.

The post Novoto, Payloop e Olho na BET foram ao Web Summit com a mesma aposta (e ela faz sentido em 2026) appeared first on The beatstrap.

]]>
Web Summit Rio 2026: o que investidores internacionais visam nas startups brasileiras https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/investidores-estrangeiros-visam-startups-brasileiras-web-summit-rio-2026/ Tue, 16 Jun 2026 16:40:04 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3826 No Web Summit Rio 2026, investidores de 5 países avaliaram startups brasileiras. Entenda os critérios e gargalos até o cheque.

The post Web Summit Rio 2026: o que investidores internacionais visam nas startups brasileiras appeared first on The beatstrap.

]]>
Entre 8 e 11 de junho, o Web Summit Rio 2026 trouxe ao Riocentro cerca de 40 mil participantes, 1.572 startups expositoras e, entre elas, uma delegação de 103 empresas brasileiras selecionadas pela ApexBrasil e pelo Sebrae para uma agenda estruturada de internacionalização. 

A dinâmica incluía mentorias, sessões de pitch e rodadas de negócios com cinco investidores internacionais trazidos diretamente pela Apex, provenientes de EUA, Canadá, Espanha, Alemanha e Israel. O interesse externo pelo ecossistema brasileiro existiu, mas o que fazer com ele é outra conversa.

Dave Eyerly, fundador da Crosswater Capital, veio ao evento com um objetivo declarado: identificar startups brasileiras com ambição de escalar nos Estados Unidos. “Estamos aqui para apoiar empresas brasileiras que desejam se estabelecer e expandir seus negócios nos Estados Unidos, conectando empreendedores a investidores e ajudando-os a compreender melhor o mercado americano“, afirmou. 

O investidor israelense Tomer Golan, por sua vez, destacou dois segmentos de interesse prioritário: inteligência artificial e tecnologias de mercado financeiro. Ao avaliar uma empresa, ele detalhou o que observa, que é a experiência da equipe, o tamanho da oportunidade e o diferencial competitivo em relação aos concorrentes. Critérios que soam razoáveis até que o founder tenta sistematizá-los na prática.

Uma das inovações desta edição foi o formato de “pitch reverso”: investidores subiram ao palco para apresentar suas teses diretamente aos empreendedores, invertendo a lógica habitual.

O que buscam os investidores estrangeiros no Brasil

Durante o evento, Eric Acher, co-fundador e managing partner da Monashees, descreveu a trajetória do ecossistema brasileiro em três fases. A primeira foi colocar o país no mapa. A segunda, deixar de criar cópias de modelos importados para desenvolver empresas locais com padrão global. “Agora, nessa terceira onda, acreditamos que as startups brasileiras já nasçam globais“, disse durante painel. 

Na avaliação de Acher, o avanço da IA chegou em um momento estratégico, depois de duas décadas de formação de talentos e amadurecimento do ecossistema. “Se essa revolução tivesse acontecido 20 anos atrás, a gente não estaria tão preparado para capturar valor“, afirmou.

Foi nesse contexto que Monashees e Google anunciaram o Gama Fund, iniciativa conjunta que prevê co-investimentos de até US$10 milhões em cinco startups brasileiras de IA, incluindo acesso antecipado a modelos do Google DeepMind e créditos em nuvem de até US$350 mil por empresa selecionada. Esse fundo faz parte do programa global AI Futures Fund do Google Labs e agora aposta no Brasil como segundo mercado (sendo o primeiro um modelo semelhante que opera na Índia em parceria com a Accel).

O perfil da delegação selecionada pela ApexBrasil também aponta para onde o interesse externo está concentrado. Das 103 startups, 40,6% eram lideradas por mulheres ou tinham controle societário feminino, e os setores representados incluíam healthtech, edtech, ESG, bioeconomia, economia circular e descarbonização, além de IA. A presença de empresas do Norte e do Nordeste foi deliberada, o que sinaliza descentralização do ecossistema em direção ao que investidores globais de impacto e climate tech já buscam.

Os gargalos que ainda existem antes do investimento global

Acher não poupou o diagnóstico sobre os gargalos. “O volume disponível é desproporcional ao potencial das empresas“, disse sobre o acesso a capital. O executivo do Google, por sua vez, foi direto sobre o que o capital estrangeiro exige antes de entrar: estabilidade institucional e segurança jurídica. Não é apenas preferência, é condição.

E aqui começa o trecho da conversa que eventos raramente levam ao palco. O interesse dos investidores internacionais existe e o Web Summit Rio 2026 comprova. Mas o caminho da prospecção ao cheque assinado ainda passa por um conjunto de exigências estruturais que a maioria das startups subestima, ou simplesmente não sabe que existe até a due diligence travar.

Fundos globais exigem auditoria independente antes de liberar rodadas Série A. Inconsistências financeiras encerram negociações que chegaram longe. A barreira não é só de idioma, é de maturidade estrutural: governança documentada, cap table limpo, compliance fiscal organizado. 

Startups brasileiras com operações nos EUA, seja via LLC ou C Corp, enfrentam riscos de dupla tributação entre o Brasil e o IRS que poucos founders colocam na conta antes de estruturar a empresa. A ausência de representante legal no Brasil, exigência do DREI para sócios estrangeiros, é um obstáculo operacional que aparece tarde demais na negociação.

Há ainda um dado novo no cenário fiscal. Com a Lei 15.270/2025, em vigor desde janeiro de 2026, remessas de lucros ao exterior passaram a ter imposto de renda na fonte de 10%. Essa mudança afeta diretamente a modelagem de retorno do investidor estrangeiro e precisa estar explícita na conversa com qualquer fundo de fora, porque ele já vai perguntar.

Uma pesquisa publicada na International Business Review, em agosto de 2025, classificou as barreiras à internacionalização de startups brasileiras em três grupos: dificuldades institucionais, que incluem custos, crédito e treinamento; adequação tecnológica do produto para mercados externos; e recursos humanos, em especial domínio do inglês e competências globais. O estudo reforça o que executivos como Acher e Ireland descrevem de ângulos diferentes, que o problema não começa no pitch.

A informação está aí, quem aproveitar é que irá sair à frente

O Web Summit Rio 2026 confirma que o Brasil está na pauta de investidores internacionais, e que IA e bioeconomia encabeçam essa lista. E isso indica que o ecossistema brasileiro está virando um destino ativo de prospecção para novos investimentos.

Para o founder que lê esse movimento e pensa em captação internacional nos próximos 12 a 18 meses, saiba que o interesse existe, mas quem estiver despreparado na estrutura vai perder a conversa antes de terminar o pitch. Cap table organizado, governança documentada em inglês, modelo fiscal revisado sob a ótica do investidor estrangeiro e clareza sobre as mudanças trazidas pela Lei 15.270/2025 não são detalhes de última hora. São as primeiras perguntas que vêm depois do handshake.

O volume de capital disponível para o Brasil ainda pode ser desproporcional ao potencial, como Acher disse. Mas a distância entre ter uma boa empresa e estar pronto para receber capital internacional é onde a maioria das startups ainda está trabalhando.

The post Web Summit Rio 2026: o que investidores internacionais visam nas startups brasileiras appeared first on The beatstrap.

]]>