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O que rolou no South Summit Brasil 2026: palestras, startups vencedoras e debates

South Summit Brazil 2026 reuniu 24 mil pessoas em Porto Alegre. Veja os destaques: IA, internacionalização e startups vencedoras.
South Summit Brasil 2026.
South Summit Brasil 2026. | Imagem: Divulgação.

Redação The Beatstrap

Porto Alegre recebeu, entre os dias 25 e 27 de março, a quinta edição do South Summit Brazil. Três dias de evento nos armazéns do Cais Mauá, com 24 mil participantes vindos de 70 países, mais de 3 mil startups, 7 mil empresas e cerca de mil investidores, representando fundos que somam US$250 bilhões sob gestão.

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Os números batem os da edição anterior, que havia reunido 23 mil pessoas de 62 países, e consolidam Porto Alegre como o principal palco de inovação da América Latina.

Mas se os dados impressionam, o clima do evento contou uma história mais matizada. 2026 é um ano de eleições no Brasil, Copa do Mundo, tensão geopolítica e um ecossistema que ainda processa os efeitos da alta de juros e da reorganização pós-pandemia.

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O South Summit deste ano foi menos um ambiente de fechamento de negócios e mais um ponto de encontro, um lugar onde founders, investidores e executivos se reencontram, calibram leitura de mercado e trocam perspectivas que dificilmente cabem numa call de 30 minutos.

“Human by Design”: o contraponto ao hype

O tema da edição não foi escolhido por acaso. Em um momento em que a inteligência artificial domina qualquer conversa sobre tecnologia, o South Summit optou por virar a pergunta: no meio de toda essa corrida pela IA, o que sobra para os humanos?

José Renato Hopf, presidente do South Summit Brazil, resumiu a proposta em uma frase: “a inovação começa e termina em pessoas.” O discurso ganhou eco em diversas palestras e também gerou tensão com a realidade do mercado. Enquanto o evento debatia o protagonismo humano, diversas empresas ao redor do mundo anunciam cortes de equipe justificados por ganhos de eficiência com automação.

A contradição não passou despercebida. Peter Skillman, líder global de design da Philips e um dos convidados internacionais mais comentados do evento, foi direto: para ele, o foco excessivo em IA corre o risco de se tornar uma distração do que realmente importa, que é a experiência das pessoas. Na sua visão, empatia é a base de qualquer bom design, e nenhuma tecnologia substitui a capacidade de entender como alguém se sente.

IA: da promessa ao resultado

Se o tema do evento puxou a conversa para o fator humano, os painéis foram mais diretos: a IA saiu do campo das promessas e está gerando resultado agora. A questão não é mais “se adotar”, mas “como aplicar com eficiência, ética e transparência”.

Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, trouxe um dos momentos mais densos do evento ao apresentar o conceito de “Work IQ”. Isto é, uma camada de inteligência capaz de mapear o estilo de trabalho de cada profissional, como onde o tempo vai, quais tarefas consomem mais energia e o que pode ser automatizado. Na prática, o exemplo citado foi contundente: 129 horas de trabalho economizadas em um único mês com o uso dessas ferramentas.

Mas Laham foi além dos números, trazendo como ponto central da sua fala a identidade profissional: em vez de se definir pelo cargo, o profissional precisa entender o valor que entrega. Um vendedor, por exemplo, não vende apenas produto, ele carrega relacionamento, leitura de mercado, capacidade de construir soluções. A IA amplia essa capacidade, mas o diferencial continua sendo humano.

O empreendedor e autor Ted Yang reforçou a mesma lógica com um recado específico para founders: velocidade sem direção estratégica não é vantagem. O erro mais frequente que se observa nas empresas é usar IA para acelerar o que já era feito antes, sem questionar se aquilo ainda faz sentido. Para Yang, o papel do líder nesse novo cenário é menos o de executor e mais o de maestro, ou seja, alguém que sabe integrar pessoas e agentes de IA com clareza de objetivo.

No painel sobre product market fit na era da IA, os investidores Larissa Bomfim, da Canastra Ventures, e Marcelo Ciampolini, da Antler Brasil, trouxeram um ponto que vale sublinhar: por mais que a tecnologia acelere a validação de produtos, ela não fecha negócio. Vendas continuam sendo relacionais, especialmente no B2B. Founder que acha que pode delegar a construção de pipeline para um agente de IA está apostando errado.

Comunicação, dados e o novo perfil profissional

Outro eixo relevante da programação foi a transformação do papel da comunicação dentro das organizações. O consenso entre os especialistas que subiram ao palco é que a área que durante anos foi vista como operacional passou a ocupar um lugar estratégico. Com a IA automatizando boa parte da produção de conteúdo, o que diferencia comunicação de verdade é o que a máquina ainda não entrega bem: curadoria, coerência de narrativa, pensamento crítico.

Um dado da ClickBus, empresa que apresentou pesquisa durante o evento, ajuda a ilustrar o momento: oito em cada dez consumidores já usam IA no dia a dia, número que sobe para 88% entre millennials e geração Z. A interface do consumidor está mudando e as marcas que não acompanharem perdem o fio da conversa.

O dado sobre coerência também entrou em pauta. Em ambientes hiperconectados, inconsistência entre o que uma empresa diz e o que ela faz é rapidamente exposta. Transparência deixou de ser atributo e passou a ser pré-requisito.

Internacionalização: quando faz sentido e quando não faz

A Endeavor aproveitou o palco do South Summit para lançar um levantamento sobre internacionalização de scale-ups brasileiras. Os dados mostram que 71% já expandiram ou têm planos concretos de expansão internacional, motivadas principalmente por potencial de mercado e demanda de consumo.

Mas há um contraponto relevante no estudo: startups brasileiras tendem a crescer com tese doméstica antes de olhar para fora. Entre os unicórnios do país, 60% construíram escala no Brasil primeiro.

No painel “Global na concepção”, os debatedores Juan Manuel Barrero (Lazo), Thomas Kuczynski (14B VC) e Adriana Morawska (Stripe) foram objetivos: não existe uma resposta universal para quando internacionalizar.

Para operações com baixo custo de expansão e vantagem competitiva clara, faz sentido pensar globalmente desde o início. Para startups que dependem de vendas consultivas e relacionamento no B2B, o caminho é validar produto e modelo localmente antes de qualquer movimento para fora.

Agentes de IA em ação

Com o tema de agentes de IA em alta, algumas startups presentes mostraram aplicações concretas. A Zapia AI atua em tarefas rotineiras como reservas, organização de planilhas e envio de mensagens. A Lastro desenvolveu a Laís, agente de IA voltada ao atendimento e personalização no mercado imobiliário. A BeConfident usa interações conversacionais em texto, áudio e vídeo para ensino de idiomas, coletando dados para personalizar a experiência. 

Os três casos reforçam a visão de que Brasil e América Latina seguem como terreno fértil para essas aplicações, dada a alta adesão a plataformas digitais.

Startups que se destacaram

Mais de 2,3 mil inscrições de 66 países, 51 finalistas, das quais foram 25 brasileiras e 26 internacionais. Um destaque desta edição: quatro das cinco startups premiadas têm mulheres na fundação.

Os vencedores:

  • Mais disruptiva — Núcleo Vitro (Brasil)
  • Melhor equipe — Flowmics Biotech (Espanha)
  • Mais sustentável — Unibaio (Argentina)
  • Mais escalável — Naturannova (Chile)
  • Global Winner — Dairy Tech (Brasil)

A Dairy Tech é uma spin-off da Scienco Biotech, startup de Lages (SC) especializada em imunoensaios e análise de proteínas. Sua solução para análise rápida de leite foi o que garantiu o título máximo da competição.

Um evento para “encontrar o pessoal”

O South Summit tem uma função que vai além das palestras e dos painéis. É um dos poucos momentos do calendário do ecossistema em que founders de São Paulo se sentam ao lado de investidores de Buenos Aires e executivos de Lisboa, e trocam percepções que não cabem em nenhum relatório. Em um ano com eleições, Copa do Mundo e cenário geopolítico instável, esse papel ficou ainda mais evidente.

Para a fundadora do South Summit, María Benjumea, Porto Alegre já consolidou sua maturidade como hub e o próximo desafio é conectar esse ecossistema com o restante do mundo. A próxima edição já está marcada: 14 a 16 de abril de 2027, novamente no Cais Mauá.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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