A 8ª edição do Brazil at Silicon Valley (BSV) aconteceu de 6 a 8 de abril em Sunnyvale, na Califórnia. O evento, exclusivo para convidados e organizado por estudantes brasileiros de Stanford e UC Berkeley, reuniu cerca de 40 palestrantes globais sob o tema “Beyond Human Scale”, uma referência direta ao momento em que tecnologias como IA já operam em ritmos que ultrapassam a capacidade humana de decisão.
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Em 2025, reuniu aproximadamente 450 CEOs e founders, 250 C-levels e VPs, e alcançou 96 milhões de pessoas em repercussão. Já este ano, os patrocinadores incluem Pinheiro Neto, Jumpstart, SoftBank, Google for Startups, Cubo Itaú e Celcoin. É o tipo de sala onde o ecossistema brasileiro se encontra com quem decide alocação de capital e direção tecnológica no Vale do Silício.
O recado que saiu do evento este ano foi diferente das edições anteriores: o tom dominante não foi de sobrevivência ou resiliência, foi de ambição global.
Uma passagem pelos palcos
Pedro Franceschi, cofundador e CEO da Brex, abriu a programação com uma provocação que definiu o tom do evento: IA não é uma funcionalidade a ser adicionada ao que já existe, é a base sobre a qual produtos e organizações inteiras estão sendo reescritas. Para Franceschi, a mudança exige repensar desde a estrutura dos times até a forma como software é distribuído.
Na sequência, Luana Lopes Lara (cofundadora da Kalshi, plataforma regulada de mercados preditivos nos EUA) e Luciano Huck (participando online) discutiram o que significa construir em ambientes regulatórios complexos e competir em mercados globais desde o primeiro dia. A presença de Luana no palco principal reforça um padrão cada vez mais visível: brasileiros que não estão adaptando soluções locais para fora, estão nascendo globais.
Wei Xiao (NVIDIA) e Bianca Martinelli (Alexia Ventures) trouxeram a discussão sobre como montar infraestrutura de IA no Brasil de forma AI-native e capital-efficient. Kevin Efrusy (Accel) e Roberto Dagnoni (Mercado Bitcoin) abordaram formação de lideranças na era da IA, com Efrusy destacando iniciativas como a LALA (Latin American Leadership Academy). Fernando Gadotti (Tako/DogHero) e Linda Rottenberg (Endeavor) discutiram o que significa construir fora dos grandes centros, defendendo que IA precisa ser pensada para pessoas, não só para produtividade.
Na frente acadêmica, Scott Brady (Stanford) apresentou aplicações de IA em robótica e simulações, enquanto Pete Shadbolt (PsiQuantum) trouxe avanços em computação quântica.
O que ficou entre as linhas
Além da programação de palco, a edição 2026 estreou uma área de Experiências, com iniciativas imersivas, mapeamento de tendências e propostas que complementaram os painéis. A programação foi estruturada em cinco frentes temáticas, com IA presente em praticamente todas. Outros temas incluíram venture capital na América Latina, stablecoins, tokenização, mobilidade sustentável e IA aplicada a impacto social.
O que conecta todos esses painéis é uma mudança de postura do ecossistema brasileiro, mostrando que estamos participando da conversa global e, inclusive, construindo junto. Founders como Franceschi e Luana no palco de abertura não são exceções celebradas, são a nova narrativa dominante: brasileiros que competem em escala global desde o início, em mercados regulados, com tecnologia proprietária.
O BSV se consolidou como a plataforma que conecta o ecossistema brasileiro a investidores e alocadores globais. E o que este ano sinalizou é que a conexão está mudando de natureza: menos “conheçam o Brasil” e mais “o Brasil já está jogando”.