Durante três anos, qualquer conferência de IA tinha um nome dominante: ChatGPT. No HumanX 2026, realizado na primeira quinzena de abril no Moscone Center em San Francisco, com mais de 6.500 executivos, founders e investidores de 79 países em mais de 500 sessões, o nome mais repetido em painéis, demos e conversas de corredor foi outro: Claude, da Anthropic.
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A CNBC descreveu o fenômeno como “Claude mania”. Arvind Jain, CEO da Glean (especializada em inteligência artificial de nível empresarial), disse que Claude virou “uma religião” entre equipes de tecnologia enterprise.
Na edição anterior do evento, realizada em Las Vegas em 2025, o consenso era que a OpenAI liderava com folga. Um ano depois, a percepção se inverteu. E a repercussão não ficou restrita ao evento: no dia 16 de abril, a Anthropic lançou o Claude Opus 4.6 e as reações de desenvolvedores e usuários nas redes repetiram o mesmo tom que dominou o HumanX, com elogios à evolução do modelo em raciocínio, código e tarefas complexas.
O que mudou: Claude Code
Essa virada tem um nome bastante claro: Claude Code. O agente de codificação, que se tornou disponível ao público em maio de 2025, já gera mais de US$2,5 bilhões em receita anualizada. Na pesquisa do Pragmatic Engineer com 15 mil desenvolvedores (fevereiro de 2026), é a ferramenta de codificação com IA mais utilizada, com 46% de aprovação na categoria “mais amada” e 71% dos devs que usam agentes de IA regularmente optando pelo Claude Code.
O dado que mais chamou atenção no evento veio da Epic, empresa de software para o setor de saúde: profissionais que não são desenvolvedores já estavam usando Claude Code, uma ferramenta originalmente projetada para terminal. Isso indicou que a demanda por agentes de IA vai além de quem escreve código, o que levou a Anthropic a apresentar o Claude Cowork, uma interface para não-desenvolvedores usarem agentes sem precisar de linha de comando.
Os números por trás do sentimento
A receita anualizada da Anthropic ultrapassou US$30 bilhões no início de abril, mais que triplicando os aproximadamente US$9 bilhões registrados no final de 2025. O valuation atual é de US$380 bilhões, menos da metade dos US$852 bilhões da OpenAI, algo que parte dos investidores presentes no HumanX enxerga como ponto positivo: mais espaço para crescimento.
Enquanto isso, a OpenAI captou US$122 bilhões recentemente, mas não dominou a narrativa enterprise no evento. A empresa enfrenta escrutínio sobre liderança e um período em que seus movimentos parecem mais reativos do que estratégicos, segundo a avaliação de participantes ouvidos pelo TechCrunch e pela CNBC.
A competição está longe de ser definida. OpenAI, Google e Cursor seguem como alternativas relevantes no mercado de ferramentas de IA para código e operações. Mas o HumanX 2026 marcou o momento em que Claude deixou de ser tratado como alternativa ao ChatGPT e passou a ser referência própria.