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Sem pitch deck: a Otel AI captou €2,8 mi deixando o produto falar

Otel AI levanta €2,8 mi em 6 meses para automatizar a operação diária de hotéis com IA, conectando sistemas e executando tarefas.
Founder - Otel AI.
Founder - Otel AI.

Redação The Beatstrap

Todo gerente geral de hotel começa o dia da mesma forma: abrindo seis ou sete sistemas diferentes para entender como o hotel performou nas últimas horas. PMS, revenue management, folha de pagamento, alimentos e bebidas, avaliações de hóspedes… Quando finalmente consegue montar o panorama, a manhã já foi. A Otel AI, startup irlandesa fundada em 2025 por Paul Ryan e Nikhil Patil em Dublin, levantou €2,8 milhões em funding total exatamente para eliminar essa rotina.

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A rodada mais recente, de €2 milhões, foi liderada pela Playfair (VC de pre-seed baseada em Londres), com participação da Nebular e investidores-anjo, incluindo Paul Forster, cofundador do Indeed. Antes disso, a empresa já havia captado €800 mil com Nebular, Baseline e Angel Invest. E um detalhe: todo o capital entrou em menos de seis meses de operação.

Além disso, também fica a curiosidade sobre o processo já que não houve um processo formal de fundraising. A Playfair chegou à mesa porque gerentes de hotéis que já usavam a plataforma estavam reportando resultados concretos. Quando o investidor liga para o cliente e ouve, sem roteiro, que o produto mudou a operação do dia a dia, a negociação anda rápido.

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De maneira geral, a Otel AI conecta os sistemas existentes de um hotel em uma camada operacional única. A partir daí, o time do hotel define tarefas em linguagem natural, e a plataforma executa por meio de “Flows” automatizados: análise de pricing, alertas de folha de pagamento, resumos de performance e relatórios. Os outputs vão direto para a caixa de entrada da equipe.

O ponto que diferencia a Otel de outras soluções de hospitalidade é que ela não é mais um dashboard. Ferramentas como Mews e Apaleo organizam dados para o gestor interpretar, enquanto isso, a Otel de fato executa as tarefas internamente. A IA faz o trabalho operacional, mas as decisões finais continuam sendo humanas, e cada output pode ser rastreado até o dado de origem.

Em termos de segurança, a startup já opera com certificação ISO 27001 e conformidade com o GDPR. Dados sensíveis do hotel permanecem no ambiente do próprio cliente.

Resultados iniciais e expansão

O Alex Hotel, em Dublin, registrou aumento de 8,6% em RevPAR (receita por quarto disponível) nos três primeiros meses de uso, sem contratar mais funcionários. O dado é da própria Otel e ainda não conta com verificação independente, mas sinaliza o tipo de impacto que a plataforma busca entregar.

Os primeiros clientes incluem O’Callaghan Collection, Fitzpatrick Castle Hotel, Johnstown Estate e Killarney Park, todos na Irlanda e no Reino Unido. O target são hotéis independentes e grupos de 3 a 50 propriedades que buscam ganho operacional via IA em vez de ampliar o quadro de funcionários.

Floor Bleeker, ex-CTO global da Accor, entrou como advisor estratégico. A empresa cresceu de 2 founders para 14 pessoas em um ano e planeja continuar contratando em engenharia, produto, customer success e comercial. A expansão mira Reino Unido, Europa continental, Estados Unidos e Emirados Árabes.

Ryan optou por uma estrutura de captação que priorizou termos favoráveis aos founders em vez de perseguir um valuation de manchete. É uma escolha que reflete o estágio da empresa: foco em execução e validação neste momento. Num setor que historicamente resiste à adoção de tecnologia, resolver a primeira hora do dia do gerente se mostrou mais valioso do que prometer “IA para tudo”.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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