Histórias & Inspirações | The.beatstrap https://the.beatstrap.com.br/categoria/historias-e-inspiracoes/ Conteúdos e notícias no ritmo do crescimento das startups. Tue, 05 May 2026 14:23:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://the.beatstrap.com.br/wp-content/uploads/2025/07/cropped-THE.BEATSTRAP-AZUL-32x32.webp Histórias & Inspirações | The.beatstrap https://the.beatstrap.com.br/categoria/historias-e-inspiracoes/ 32 32 Inovação fora dos grandes centros: o que está acontecendo em Santa Catarina além de Floripa https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/inovacao-fora-dos-grandes-centros-santa-catarina/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/inovacao-fora-dos-grandes-centros-santa-catarina/#respond Tue, 05 May 2026 13:49:18 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3654 Timbó, Bombinhas e Criciúma mostram como os ecossistemas de startups nascem fora do eixo e o que isso indica para o resto do Brasil.

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Quando alguém fala em ecossistema de startups em Santa Catarina, a primeira imagem que vem é Florianópolis. Talvez Joinville e Blumenau, para quem acompanha mais de perto.

Mas existe um movimento crescendo em cidades que ninguém colocaria no mapa da inovação e que começa a mudar a lógica de como startups nascem, crescem e encontram capital no estado.

Vale Europeu, litoral centro-norte, extremo sul… São regiões com perfis completamente diferentes, mas com um padrão em comum: alguém decidiu começar, e o ecossistema foi se formando a partir disso.

Essa não é uma história isolada. Santa Catarina é o estado que mais realiza edições do Startup Weekend no Brasil e o Brasil é o país que mais realiza este evento no mundo.

Em 2023, o SW chegou a 30 municípios catarinenses com 36 edições e, em 2026, a previsão é de 39 edições.

Mais de 30 equipes organizadoras voluntárias movimentam mais de R$1 milhão em patrocínios revertidos em educação empreendedora, impactando diretamente mais de 2 mil pessoas por ano.

Esses números importam porque revelam algo que vai além de um evento: existe uma infraestrutura informal de formação empreendedora que está capilarizando inovação por Santa Catarina de um jeito que nenhum programa governamental conseguiria sozinho. É voluntário, descentralizado e orgânico (e esse é um dos fortes motivos porque isso funciona).

Vale Europeu: de um chopp informal a um ecossistema em formação

Timbó fica no coração do Vale Europeu catarinense, uma região historicamente conhecida pela indústria metalmecânica, pela cultura germânica e por cidades pequenas com forte vocação industrial. Não exatamente o cenário que você imaginaria para um ecossistema de startups, mas é aí que a história fica interessante.

Reginaldo Schollemberg é catarinense e passou 40 anos fora de Santa Catarina, por último estava morando em São Paulo. Chegou a Timbó há 3 anos e 4 meses. Já tinha vendido duas empresas de tecnologia, uma das quais operou por 18 anos e foi adquirida por um player americano. A segunda, uma distribuidora de inovação no Brasil, também foi vendida. Hoje é investidor, com cinco startups no portfólio e atuação como conselheiro em outras sete, também fazendo parte da Anjos do Brasil.

Quando chegou a Timbó, encontrou um movimento de inovação iniciante estimulado pelo centro de inovação Blumenau, e em abril de 2023, na primeira reunião com mais sete pessoas, eles fizeram o que muitos talvez não fariam: começaram um.

Ainda em 2023, ele e outros agentes locais criaram o “Conecta Chopp”, um encontro simples, sem pretensão, para reunir gente que pensava em inovação na região. Conversas, debates, trocas. Com isso, alcançaram neste primeiro momento cerca de 500 pessoas ao longo do ano, em uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes.

Apenas alguns anos depois, e com dinâmicas de eventos,como o “Dia Mundial da Criatividade”, “Timbó Inovadora” e o Startup Weekend, o cenário é outro. Agora, o jogo virou e ilustra um padrão que se repete em vários ecossistemas emergentes. Nos dois anos seguintes, alcançaram mais de 2.500 pessoas por ano.

Grupos importantes da cidade, como o Rotary Club, a Associação Comercial e Empresarial e a CDL, além da Câmara de Vereadores e Prefeitura, ficaram interessados e querendo entender o que estava acontecendo, que movimento era esse.

Os embaixadores de inovação, incluindo Reginaldo, passaram de “outsiders interessantes” para interlocutores do ecossistema local. Existe um ciclo clássico aqui: a iniciativa começa na informalidade, ganha tração por mérito próprio e, quando as entidades e o poder público percebe que é real, entra para apoiar.

Não é o governo que cria o movimento, é o movimento que atrai o governo. E quando isso acontece, o acesso a espaços, patrocínios e infraestrutura destrava.

Grande parte dessa facilidade de acesso tem a ver com uma característica local: a forte influência do Rotary, Associação Empresarial e dos meios de comunicação locais da cidade. Muitos membros são donos dos espaços utilizados ou atuam diretamente nas esferas de CDL, associação comercial e poder público. É uma rede que já existia e só precisava de um motivo para se mobilizar em torno de inovação.

Em cidades como Timbó, o talento, o interesse e a vontade podem até existir, mas acabam ficando invisíveis ou migrando para as grandes áreas. O início do movimento lá em 2023 e a chegada de diferentes eventos de inovação e startup funcionou como um radar e termômetro. E quando o ponto de partida é a comunidade, o engajamento vem de um lugar diferente, de uma identificação.

Atualmente, oito startups estão em andamento na região (cinco já com faturamento e duas começando a faturar). O Startup Garage, programa do Sebrae que está rodando agora, gerou 18 novas ideias de startups e deve colocar pelo menos mais seis em operação no próximo ciclo.

Uma coisa curiosa é que o perfil dos founders vai de 17 a 60 anos, uma diversidade etária que dificilmente se vê em hubs tradicionais, onde o estereótipo do founder jovem e técnico ainda domina.

Para 2026, o plano é realizar um desafio de inovação aberta, conectando startups da região a problemas reais de empresas locais. E esse é, talvez, o ponto mais revelador do estágio atual do Vale Europeu: nenhuma das oito startups em andamento resolve problemas da indústria ou da demanda local. Todas as 18 ideias do Garage seguem o mesmo padrão.

E isso não é um problema, mas sim um sintoma natural de ecossistemas em fase inicial. No começo, as pessoas constroem o que conhecem, o que as inspira, o que viram funcionar em outro lugar.

A conexão com a economia local vem depois, quando o ecossistema amadurece o suficiente para que a indústria enxergue as startups como parceiras, e não como curiosidade. O desafio de inovação aberta é exatamente essa ponte.

Timbó não está sozinha nesse movimento. Indaial e Pomerode, também cidades do Vale Europeu, começam a se conectar. Existe apoio da Blusoft-ACATE de Blumenau, Sebrae Regional Alto e Médio Vale, Centro de Inovação Blumenau / Instituto Gene e da comunidade Euro Valley, é uma junção de atores que promovem a movimentação no Vale Europeu.

Mas o esforço deliberado é por construir um hub regional sem ser satélite de ninguém. É uma distinção importante: buscar conexão com os centros maiores sem abrir mão de identidade própria.

Litoral centro-norte: quando o turismo é zona de conforto e obstáculo ao mesmo tempo

Bombinhas é uma cidade que sempre viveu do turismo, com toda a sua estrutura girando em torno da sazonalidade. Quando a temporada acaba, a cidade esvazia, o comércio desacelera e a economia entra em modo de espera até o próximo verão.

É nesse cenário que aparece Andressa Ferreira. Conectada à área do marketing, ela reside em Bombinhas e preside a Casa do Empresário (AEMB + CDL) da cidade. Mas foi ao se conectar ao mundo das startups que sua atuação na cidade ganhou outro peso. O ponto de virada tem data e endereço: um Startup Weekend em Itapema, em 2023.

Itapema foi uma das sete cidades novas no calendário catarinense do SW naquele ano, no mesmo movimento de expansão que levou o evento a Timbó. Andressa entrou como participante e saiu com uma startup. Sua equipe ficou em segundo lugar, entrou no Projeto Nascer (programa gratuito de pré-incubação em SC que transforma ideias em startups reais) e chegou em primeiro na etapa regional.

O que aconteceu com Andressa é, provavelmente, o melhor exemplo do efeito cascata que um movimento de inovação  gera em cidades pequenas. É a primeira vez que alguém tem contato com uma metodologia, uma rede e uma linguagem que, naquele contexto, simplesmente não existia. E quando essa pessoa volta pra casa, volta diferente e, na maioria das vezes, volta querendo replicar.

Foi exatamente o que aconteceu. Andressa não se limitou à própria startup e decidiu levar a cultura de inovação para Bombinhas, uma cidade que nunca tinha pensado nisso. Mas não está sozinha nessa missão.

São três agentes puxando esse movimento, cada uma por uma frente diferente: Andressa pela iniciativa privada, como presidente da associação empresarial; Laurina, pela Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico, representando o poder público; e Solana Domingues, que fez toda a articulação para trazer o Startup Weekend para a cidade via Techstars.

Pela Casa do Empresário, Andressa leva pautas de inovação com palestras e capacitações. Solana articulou a vinda de um Startup Weekend focado em turismo (turistech), com apoio do Sebrae, uma aposta temática que faz sentido para a vocação econômica da região. E com a mudança da prefeitura no último ano, a atuação de Laurina na Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico abriu mais espaço do poder público para viabilizar iniciativas como essa. As três frentes se complementam.

O grupo também mantém conexão com referências regionais: a ACIT em Tijucas, através do Inova Tijucas, e o Elume em Itajaí, liderado pela Manu, que tem sido uma referência importante em inovação para a região. Aprendem com o que já funciona ali e adaptam para a realidade de Bombinhas. Esse tipo de rede entre cidades próximas é outro padrão que aparece com frequência fora dos grandes centros: nenhuma cidade pequena tem massa crítica sozinha, mas a conexão regional cria volume.

O maior desafio? Cultural. E aqui é diferente de Timbó. Em Timbó, o desafio é conectar startups à indústria local. Em Bombinhas, o desafio é anterior: convencer as pessoas de que inovação é um assunto que diz respeito a elas. Quando a economia funciona (na temporada), ninguém sente urgência de mudar. Quando não funciona (fora da temporada), falta energia para começar algo novo. É uma armadilha de zona de conforto sazonal.

A escolha de focar o SW local em turistech é estratégica justamente por isso: em vez de tentar importar um modelo genérico de inovação, parte da vocação econômica local para introduzir uma nova forma de pensar sobre o mesmo mercado.

Existe também um projeto voltado para crianças e adolescentes, levando inovação para dentro das escolas. Jovens da cidade já participaram de bancas estaduais, ganhando visibilidade. A visão é de longo prazo: preparar a geração que vai assumir o mercado para pensar diferente.

O caso de Bombinhas levanta uma pergunta que vale para qualquer cidade com economia concentrada, seja turismo, agro ou indústria de base: como você introduz inovação em um lugar onde o modelo atual “funciona bem o suficiente”?

A resposta que está se desenhando aqui é: você não tenta substituir o modelo. Você usa ele como ponto de partida. E precisa de um grupo de pessoas dispostas a dar o primeiro passo sem esperar retorno imediato — o que Andressa reforça ser praticado com uma mentalidade de “give first” (dar antes de pedir).

Sul catarinense: o que acontece quando capital e estrutura chegam antes da cultura

Se o Vale Europeu e o litoral centro-norte mostram ecossistemas nascendo do zero, o sul de Santa Catarina mostra o que acontece quando capital e estrutura institucional se somam a esse tipo de movimento. É também a região do estado com maior proximidade geográfica e cultural com Porto Alegre e o ecossistema gaúcho, uma conexão que, à medida que esses polos amadurecem, tende a se fortalecer.

A NextFit, de Criciúma, é o caso mais visível. Fundada em 2018 por Douglas Waltricke, Guilherme Waltricke e Luiz Otávio Gava, a startup de tecnologia para o mercado fitness seguiu uma trajetória que desafia o senso comum sobre onde é possível construir uma empresa de alto crescimento. Em 2021, tinha R$3 milhões de receita recorrente anual.

Em 2022, captou R$4 milhões com a Domo Invest e a Parceiro Ventures (os mesmos investidores de Gympass, Hotmart e Loggi). Em 2025, fechou uma Série A de R$50 milhões liderada pela Cloud9 Capital, com ARR acima de R$50 milhões e mais de 13 mil academias atendidas.

A trajetória importa mais que o número da rodada. O sócio da Cloud9 comentou publicamente que a NextFit construiu tudo isso “a partir de Criciúma, com um time técnico de alto desempenho“. Essa frase carrega uma mensagem que vai além do elogio: quando um fundo de São Paulo aposta R$50 milhões em uma startup do interior de SC e faz questão de mencionar de onde ela vem, está dizendo que a geografia deixou de ser variável decisiva. O que conta é produto, receita e execução.

Mas a NextFit não surgiu no vácuo. Criciúma tem a incubadora Itec.In, da Unesc, que integra a rede MIDIHUB, a mesma rede que conecta incubadoras em 11 cidades catarinenses. A presença de uma universidade com programa de incubação e a proximidade com o ecossistema estadual criaram condições mínimas de infraestrutura que ajudaram. Não é a mesma coisa que Timbó, onde a primeira infraestrutura de inovação foi um chopp.

Araranguá, pouco mais ao sul, tem um perfil diferente e talvez ainda mais revelador. A FEBA Capital é uma venture capital fundada em 2015 com sede nos Estados Unidos, mas com raízes profundamente araranguaenses. O CEO e fundador Fábio Espindula nasceu ali. E em um movimento que diz muito sobre o modelo descentralizado que está se formando em SC, abriu uma operação da holding em sua cidade natal.

A decisão não é trivial. Levar uma VC americana para uma cidade de 70 mil habitantes no extremo sul de Santa Catarina é uma aposta de convicção. E o portfólio mostra que a aposta fez sentido: 14 empresas investidas, incluindo Abrahão (antiga OiMenu), Cobre Fácil, Coalize, Consolide e Credoro, várias delas nascidas na própria região.

A venture não apenas investiu em startups locais: ao trazer a sede para Araranguá, criou um efeito gravitacional que atrai talento, gera empregos qualificados e posiciona a cidade no radar do ecossistema nacional.

Em outubro de 2024, outra peça se encaixou: a inauguração da ARATEC, incubadora de base tecnológica que opera com a metodologia MIDITEC/ACATE e conta com apoio da UFSC (que tem campus na cidade). A incubadora já abriga startups de segmentos variados como esportes, criptomoedas, psicologia, agro e engenharia.

Quando uma cidade passa a ter, ao mesmo tempo, um fundo de venture capital com portfólio relevante, uma incubadora conectada a uma rede estadual e uma universidade federal com programa de inovação, a conversa muda de “potencial” para “infraestrutura real”. Araranguá está nesse ponto.

O sul catarinense, na prática, está formando um corredor de inovação que vai de Criciúma a Araranguá. E a proximidade geográfica e cultural com Porto Alegre e o ecossistema gaúcho adiciona uma camada interessante: à medida que esses polos amadurecem, a tendência é que a conexão entre os dois estados se fortaleça, criando uma dinâmica que não existia antes de startups, capital e talento circulando entre o extremo sul de SC e o norte do RS.

O que conecta tudo isso

Os padrões estão claros: alguém começa, o Startup Weekend catalisa, o poder público vem depois, redes regionais criam volume, escolas entram cedo na conversa. A pergunta mais interessante é outra: o que está acontecendo em Santa Catarina é exceção ou tendência?

A resposta curta é que SC tem características que facilitaram esse modelo descentralizado, como uma cultura associativista forte (Rotary, CDLs e associações comerciais que funcionam de verdade), um Sebrae estadual que priorizou a capilarização do Startup Weekend, a presença da ACATE e da rede MIDIHUB conectando incubadoras pelo interior, e um histórico de cidades médias com economia própria que não dependem da capital.

Mas nenhuma dessas condições é exclusiva de Santa Catarina. O que é exclusivo (até agora) é a combinação delas com pessoas que decidiram agir. Reginaldo em Timbó, Andressa em Bombinhas, Fábio Espindula em Araranguá… Sem essas pessoas, as condições favoráveis não teriam significado algum.

A implicação prática para quem lê isso de outra cidade ou outro estado é simples: as condições ajudam, mas não são pré-requisito. O pré-requisito é alguém decidir começar, seja em um encontro informal, um Startup Weekend ou trazendo uma pauta de inovação dentro de uma associação empresarial.

Santa Catarina está construindo, sem muito barulho, um modelo descentralizado de inovação que o resto do Brasil vai querer entender em breve. Não é sobre criar “a nova Floripa” em cada cidade. É sobre cada região encontrar seu caminho, com seus recursos, seus agentes e suas particularidades.

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Henrique Dubugras e Pedro Franceschi: os brasileiros por trás da Brex https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-sao-fundadores-brex/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-sao-fundadores-brex/#respond Wed, 28 Jan 2026 19:21:27 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3461 Quem são Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, fundadores da Brex, e por que sua trajetória importa para o ecossistema de startups.

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A Brex foi fundada em 2017 por dois brasileiros, Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, e que recentemente foi adquirida pela Capital One por US$5,15 bilhões. Mais do que nomes por trás de uma empresa bilionária, os dois simbolizam uma combinação de profundidade técnica, experiência prévia de exit e ambição global desde o primeiro dia.

A recente venda da Brex recolocou os fundadores no centro da conversa não apenas pelo valor do negócio, mas pelo papel que ambos seguem exercendo na empresa e pelo tipo de trajetória que ajuda a entender por que algumas startups conseguem atravessar ciclos (e outras não).

Quem são os founders da Brex?

Henrique Dubugras ficou conhecido publicamente por abandonar a universidade de Stanford para empreender. A narrativa, frequentemente romantizada, esconde o ponto mais relevante: Dubugras sempre foi um fundador profundamente técnico, com domínio de arquitetura de sistemas, produto e infraestrutura financeira. Na Brex, seu papel esteve ligado à base tecnológica e às decisões estruturais que permitiram escalar um produto financeiro complexo em um ambiente regulado.

Com o crescimento da empresa, Henrique se afastou do dia a dia operacional e passou a atuar principalmente como acionista e conselheiro, especialmente nos anos mais recentes. Esse movimento não indica saída precoce, mas maturidade organizacional. À medida que a Brex se tornou uma operação global, o centro de gravidade da gestão migrou para execução, governança e relacionamento institucional.

Pedro Franceschi seguiu um caminho complementar. Ele assumiu o papel de CEO e se tornou a face pública da Brex, liderando a expansão internacional, o relacionamento com investidores e as decisões estratégicas de posicionamento. Em um setor onde produto e risco caminham juntos, Franceschi ocupou o espaço de articulador entre tecnologia, mercado e capital.

Após o acordo de venda para a Capital One, Pedro Franceschi permanece como CEO, garantindo continuidade de liderança durante o processo de integração. Para o mercado, esse detalhe é relevante, pois indica que o comprador não adquiriu apenas tecnologia ou base de clientes, mas apostou também na equipe fundadora como ativo estratégico.

Uma história de longo prazo… 

A história da Brex começa antes de 2017. Dubugras e Franceschi já haviam fundado a Pagar.me, uma empresa brasileira de infraestrutura de pagamentos voltada ao e-commerce. Em 2016, esta foi adquirida pela Stone, em um exit que deu liquidez aos fundadores e validou sua capacidade de operar no mercado financeiro.

Esse primeiro exit foi decisivo. Ele permitiu que a Brex nascesse já com uma leitura mais sofisticada de risco, produto e escala, e com uma ambição claramente internacional. A empresa não foi construída como uma “startup brasileira tentando ir para fora”, mas como uma operação global desde a origem, sediada nos Estados Unidos e pensada para o mercado corporativo americano.

O que a trajetória dos fundadores da Brex revela

O caminho de Dubugras e Franceschi ajuda a explicar por que a Brex conseguiu atravessar o boom de 2018 a 2021, ajustar rota nos anos seguintes e chegar a uma saída relevante em um cenário bem menos favorável.

A empresa enfrentou reprecificação de valuation, ajustes de foco e maior pressão por eficiência, mas manteve liderança, produto sólido e capacidade de negociação.

Em startups, os fundadores continuam sendo um dos principais determinantes de valor, inclusive em processos de M&A. Experiência prévia, complementaridade de perfis e capacidade de transitar entre ciclos de crescimento e ajuste fazem diferença quando o mercado deixa de premiar apenas expansão acelerada.

A história dos fundadores da Brex mostra como execução técnica, leitura de ciclo e maturidade estratégica se acumulam ao longo do tempo. Mais do que inspiração, o caso vira uma referência de que founders que constroem repertório, aprendem com exits anteriores e mantêm protagonismo na operação tendem a ter mais opções quando o mercado muda — inclusive a opção de vender bem, mesmo fora do pico.

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Quem é a Brex e por que ela se tornou um dos maiores cases das fintechs globais https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-e-brex/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-e-brex/#respond Tue, 27 Jan 2026 19:23:37 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3463 Quem é a Brex, como surgiu a fintech fundada por brasileiros e por que ela se tornou um dos principais cases globais do setor financeiro.

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A Brex é uma fintech de serviços financeiros corporativos fundada em 2017 por dois brasileiros, Henrique Dubugras e Pedro Franceschi. Criada nos Estados Unidos, a empresa ganhou destaque global ao oferecer soluções de cartão corporativo, gestão de despesas e pagamentos para empresas em crescimento, especialmente startups.

Em janeiro de 2026, a Brex voltou ao centro do debate ao anunciar sua venda para a Capital One por US$5,15 bilhões.

O que é a Brex?

A Brex é uma plataforma B2B voltada à gestão financeira corporativa, que combina cartão corporativo, controle de despesas, pagamentos e ferramentas de gestão em um único sistema. O produto foi desenhado para empresas que precisam escalar operações com visibilidade financeira, regras de gasto e integração com processos internos.

Diferentemente de bancos tradicionais, a Brex nasceu com foco em experiência de produto, automação e integração com o ecossistema de startups. Ao mesmo tempo, opera em um ambiente regulado e intensivo em risco, o que sempre colocou crédito, compliance e capitalização no centro da estratégia.

Como a Brex surgiu?

Antes da Brex, Dubugras e Franceschi fundaram a Pagar.me, empresa de infraestrutura de pagamentos adquirida em 2016 pela Stone. O exit deu liquidez aos fundadores e, principalmente, repertório para lidar com sistemas financeiros complexos.

A Brex nasceu logo em seguida, já com ambição global. O produto inicial era um cartão corporativo pensado para startups americanas, que enfrentavam dificuldade para acessar crédito nos bancos tradicionais. O timing foi decisivo: entre 2018 e 2021, o boom do venture capital acelerou a adoção da solução e levou a empresa a crescer rapidamente.

Crescimento, valuation e ajuste de rota

Com forte adesão do mercado, a Brex alcançou um valuation de US$12,3 bilhões em 2021, no auge do ciclo de capital abundante. Nesse período, a empresa se consolidou como referência em serviços financeiros para startups e empresas de tecnologia.

A partir de 2022, o cenário mudou. Com juros mais altos, capital mais caro e maior pressão por eficiência, a Brex iniciou um processo de ajuste: reduziu exposição a startups early-stage, revisou políticas de crédito, realizou cortes de custos e passou a focar empresas mais maduras, com receita recorrente e menor risco.

Esse reposicionamento não foi um recuo, mas uma adaptação ao novo ciclo. Ele preparou o terreno para a decisão estratégica que viria depois.

A venda para a Capital One

Em 2026, a Brex assinou um acordo definitivo para ser adquirida pela Capital One por US$5,15 bilhões, com pagamento dividido entre dinheiro e ações. A transação ocorre abaixo do valuation de pico, mas em um contexto de mercado completamente diferente daquele de 2021.

Para a Capital One, a aquisição acelera a entrada em serviços financeiros corporativos com tecnologia já validada. Para a Brex, representa uma saída estratégica em um momento em que o IPO deixou de ser o caminho mais eficiente para empresas deste perfil. Pedro Franceschi permanece como CEO, garantindo continuidade de liderança durante a integração.

O que a Brex representa para o ecossistema de startups

A história da Brex ajuda a entender como startups financeiras globais estão sendo construídas (e ajustadas) ao longo do tempo. A empresa combinou fundadores técnicos, experiência prévia de exit, produto forte e leitura de ciclo para atravessar momentos de euforia e de retração.

A Brex se tornou um exemplo concreto de maturidade estratégica. Crescer rápido foi importante, mas saber ajustar a rota, mudar o foco e escolher o momento certo para uma saída foi decisivo.

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Por dentro da Kalshi, a empresa da bilionária self made mais jovem do mundo https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/kalshi-empresa-por-tras-bilionaria-self-made/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/kalshi-empresa-por-tras-bilionaria-self-made/#respond Wed, 17 Dec 2025 14:34:02 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3413 Criada por Luana Lopes Lara e Tarek Mansour, a empresa saiu do nicho, atingiu valuation bilionário e estruturou um novo tipo de mercado regulado.

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A Kalshi deixou de ser um experimento de nicho para se tornar um dos casos mais relevantes do ecossistema global de startups em 2025. Após uma rodada que elevou seu valuation para cerca de US$11 bilhões, a empresa passou a ocupar uma posição rara: a de infraestrutura financeira baseada em probabilidades, e não em ativos tradicionais.

O interesse em torno da Kalshi vai além do valor de mercado. O que chama atenção é o tipo de mercado que ela está estruturando e como esse modelo desafia fronteiras históricas entre finanças, dados e regulação.

O que é a Kalshi?

Fundada em 2018, a Kalshi opera como uma plataforma de mercados de previsão (prediction markets), onde usuários negociam contratos atrelados à ocorrência de eventos futuros. Esses eventos podem envolver indicadores econômicos, decisões políticas, dados climáticos ou outros fatos mensuráveis do mundo real.

Cada contrato representa uma probabilidade e o preço varia conforme a expectativa coletiva do mercado sobre aquele evento acontecer ou não. Na prática, trata-se de um sistema que transforma incerteza em um ativo negociável, com liquidez definida por oferta e demanda.

O diferencial central da Kalshi está no enquadramento legal do modelo. Nos Estados Unidos, a empresa é supervisionada pela CFTC (Commodity Futures Trading Commission, regulador federal de derivativos), o que a posiciona como um mercado financeiro regulado e não como uma plataforma de apostas, distinção que sustenta sua operação em nível nacional.

O que a Kalshi faz, na prática?

A Kalshi funciona como uma bolsa de eventos. Usuários assumem posições compradas ou vendidas em contratos que pagam um valor fixo caso o evento se concretize. A empresa não participa das apostas: sua receita vem da cobrança de taxas sobre as transações, em um modelo semelhante ao de bolsas e corretoras tradicionais.

Esse formato atrai tanto traders individuais quanto participantes institucionais interessados em sinais antecipados de mercado. Em vez de prever o futuro de forma subjetiva, a plataforma agrega milhares de expectativas em um único preço, um mecanismo que muitos veem como complemento a pesquisas, projeções econômicas e análises de risco.

A trajetória da empresa

Nos primeiros anos, a Kalshi enfrentou forte ceticismo, especialmente por operar em uma zona sensível entre inovação financeira e legislação. O avanço da empresa esteve menos ligado ao crescimento rápido de usuários e mais à consolidação regulatória do seu modelo.

A liberação gradual de novos tipos de contratos e a ampliação do escopo de eventos negociáveis marcaram fases distintas da empresa. À medida que a Kalshi comprovava viabilidade técnica e legal, passou a atrair investidores interessados não apenas em um produto, mas em um novo tipo de mercado.

Esse caminho mais lento no início foi decisivo para destravar escala posteriormente, sobretudo junto a fundos que exigiam previsibilidade jurídica e robustez institucional.

Os founders por trás da Kalshi

A Kalshi foi fundada por Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, que se conheceram durante seus estudos no MIT (Massachusetts Institute of Technology, universidade de referência em tecnologia). A ideia nasceu da percepção de que mercados já tomam decisões baseadas em probabilidades, mas careciam de um ambiente estruturado para negociar esses sinais diretamente.

À frente da operação, Luana ganhou projeção global ao se tornar, com a valorização da Kalshi, a mulher mais jovem bilionária self-made da história, marco que ajudou a colocar a empresa no radar do ecossistema internacional de tecnologia e finanças.

A formação técnica dos fundadores, com passagem por finanças quantitativas e engenharia, influenciou a construção da empresa como infraestrutura desde o início, e não como um aplicativo de consumo. Essa escolha moldou tanto o produto quanto a estratégia regulatória adotada ao longo dos anos.

Valuation e expansão da Kalshi em 2025

A rodada mais recente, que avaliou a Kalshi em aproximadamente US$11 bilhões, marcou um momento de validação institucional. Além de reforçar o caixa da empresa, o investimento consolidou a tese de que os mercados de previsão podem operar em escala institucional.

Com novos recursos, a Kalshi acelerou parcerias estratégicas, incluindo acordos com grandes grupos de mídia para distribuição de dados de previsão, ampliando visibilidade e volume de negociação.

Ao mesmo tempo, a empresa segue enfrentando disputas regulatórias em alguns estados americanos, especialmente em contratos ligados a esportes, um embate que pode definir os limites futuros do modelo.

A história da Kalshi mostra que algumas das startups mais valiosas não nascem resolvendo dores evidentes do consumidor final, mas criando mercados onde antes não havia estrutura formal. Nesse tipo de negócio, o maior ativo não é crescimento acelerado, mas legitimidade, confiança e alinhamento com as regras do jogo.

A Kalshi é um exemplo e um sinal de como novas categorias financeiras estão sendo construídas e consolidadas.

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Quem é Luana Lopes Lara, a bilionária self-made mais jovem da história https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-e-luana-lopes-lara/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/quem-e-luana-lopes-lara/#respond Tue, 16 Dec 2025 16:33:39 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3411 Quem é Luana Lopes Lara, a brasileira que se tornou a bilionária self-made mais jovem da história à frente da startup Kalshi.

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A brasileira Luana Lopes Lara entrou para a história ao se tornar, aos 29 anos, a bilionária self-made mais jovem do mundo, após a valorização da Kalshi, startup norte-americana da qual é cofundadora. O título não vem de herança ou liquidez pontual, mas da participação em um negócio que cresceu ao transformar previsões sobre o futuro em um mercado financeiro regulado.

O caso ganhou repercussão global por reunir elementos pouco comuns em uma mesma trajetória: origem fora do eixo tradicional do Vale do Silício, formação técnica de alto nível e um modelo de negócio que depende tanto de tecnologia quanto de regulação para escalar.

Quem é Luana Lopes Lara?

Luana nasceu no Brasil e teve uma formação inicial distante do universo de startups e tecnologia. Durante a juventude, dedicou-se profissionalmente ao balé clássico, com passagem pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, antes de redirecionar sua carreira para as ciências exatas.

Essa transição marcou o início de um caminho que a levaria ao MIT (Massachusetts Institute of Technology, universidade de referência em tecnologia), nos Estados Unidos, onde se formou em Ciência da Computação e Matemática. A combinação entre lógica, modelagem e análise quantitativa se tornaria central em sua trajetória profissional.

Após a graduação, Luana passou por instituições de finanças quantitativas, atuando em ambientes altamente orientados a dados, risco e probabilidades. Esse repertório técnico e analítico foi decisivo para a fundação da Kalshi, criada em 2018 ao lado de Tarek Mansour, também egresso do MIT.

Como ela se tornou bilionária?

O patrimônio bilionário de Luana está diretamente ligado à valorização da Kalshi após sua mais recente rodada de investimentos, que elevou o valuation da empresa para cerca de US$11 bilhões. Com uma participação relevante no capital da startup, sua fatia passou a ser estimada em mais de US$1 bilhão, consolidando o marco histórico.

Diferente de trajetórias baseadas em crescimento acelerado de consumo ou monetização publicitária, a Kalshi seguiu um caminho mais longo e complexo, ancorado na construção de infraestrutura e na validação regulatória do seu modelo. Esse processo, embora mais lento no início, foi determinante para destravar a escala institucional e atrair investidores de maior porte.

Kalshi: a empresa de Luana 

A Kalshi é uma plataforma de prediction markets, mercados nos quais usuários negociam contratos baseados na probabilidade de eventos futuros — como resultados eleitorais, indicadores econômicos ou decisões regulatórias.

Diferente de apostas tradicionais, o modelo funciona como um mercado financeiro estruturado, no qual os preços refletem expectativas coletivas.

Nos Estados Unidos, a empresa é regulada pela CFTC (Commodity Futures Trading Commission, regulador de derivativos), o que permitiu sua operação legal em todos os estados do país. Essa condição regulatória é um dos principais diferenciais da Kalshi e foi essencial para sua consolidação como infraestrutura legítima de mercado.

Com o avanço do uso de dados probabilísticos como ferramenta de tomada de decisão, a Kalshi passou a ser vista não apenas como uma startup financeira, mas como uma peça estrutural na forma como empresas, investidores e instituições lidam com incerteza.

Foi essa leitura — mais de mercado do que de produto — que sustentou o crescimento da empresa e, consequentemente, levou Luana ao topo do ranking global de bilionários self-made mais jovens.

A história da brasileira ajuda a ilustrar como trajetórias não lineares podem se transformar em vantagem quando combinadas com conhecimento técnico e leitura precisa do contexto do segmento de atuação. Mais do que uma ascensão individual, o caso mostra como negócios baseados em infraestrutura — e não apenas em produtos — tendem a concentrar valor ao longo do tempo.

Em um ecossistema cada vez mais competitivo, a construção da Kalshi reforça que visibilidade e valuation costumam ser consequência de escolhas feitas muito antes da escala. Ainda mais quando o crescimento depende de navegar bem entre tecnologia, risco e regras do jogo.

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O ciclo completo da Conta Azul: pivot, cultura e uma venda bilionária https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-da-conta-azul/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-da-conta-azul/#respond Fri, 14 Nov 2025 20:47:10 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3185 A história da Conta Azul começa em Joinville e percorre uma década de pivôs, cultura e crescimento até chegar à aquisição pela Visma.

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Pode parecer estranho pensar nisso agora, mas não faz tanto tempo assim que pequenas e médias empresas quase não tinham recursos para gerenciar contas e caixa.

A rotina financeira vivia no caderninho de anotações, às vezes numa planilha com fórmulas prontas, quase sempre com retrabalho e pouca visibilidade do que realmente entrava e saía. 

Emitir nota, conciliar banco, controlar estoque, falar com o contador, tudo acontecia em sistemas diferentes ou no improviso. Era caro, complexo e, para muita gente, inviável.

Esse cenário abriu espaço para uma tese: se simplificar o básico, o pequeno empreendedor passa a entender o próprio negócio.

Foi nessa lacuna que nasceu a ideia por trás da Conta Azul, num momento em que SaaS ainda não fazia parte do vocabulário da maioria e “gestão em nuvem” soava distante da realidade do balcão, do caixa e do dia a dia de quem toca a operação.

Começo em Joinville e a coragem de tentar algo grande

Em 2011, três empreendedores do interior de Santa Catarina decidiram enfrentar um problema que parecia simples, mas que ninguém havia resolvido bem: dar clareza financeira para quem toca um pequeno negócio.

Vinicius Roveda, José Carlos Sardagna e João Zaratine começaram a trabalhar na ideia de um sistema de gestão que fosse fácil, acessível e integrado, visando algo que ajudasse de verdade o empreendedor a entender seu próprio fluxo de caixa sem depender de planilhas ou do contador para tudo.

A proposta era ousada, especialmente para a época. O conceito de software como serviço ainda engatinhava no Brasil, e criar uma solução totalmente em nuvem era um movimento quase contra a lógica dominante dos sistemas instalados localmente.

Mesmo assim, a convicção de que a tecnologia poderia simplificar a vida das PMEs foi o que levou o trio a apostar suas fichas na Conta Azul.

Pouco tempo depois, a startup foi selecionada para o programa 500 Startups, no Vale do Silício, em um período em que ainda eram raras as brasileiras nesse circuito. Foi lá que o grupo aprendeu algo que mudaria sua visão de negócio: uma boa ideia não é suficiente se não resolver o problema certo, para o público certo.

Primeiro choque de realidade e o momento de pivotar

Foi no Vale do Silício que veio o primeiro choque de realidade: o problema estava certo, mas o público estava errado.

O primeiro produto da Conta Azul até fazia sentido no papel. A ideia era oferecer uma ferramenta de gestão simples para microempreendedores individuais (MEIs), com baixo custo e fácil adoção. Mas, na prática, o modelo não se sustentava.

O público era grande, mas difícil de reter. Muitos testavam, poucos pagavam, e quase ninguém permanecia ativo por muito tempo. O ciclo de vendas era curto, o ticket médio era baixo e a escalabilidade parecia cada vez mais distante.

O time entendeu que o maior valor estava nas pequenas empresas, aquelas que já tinham operação rodando, funcionários, contadores e processos que pediam mais organização. Elas tinham urgência e estavam dispostas a pagar por isso.

A partir dessa virada de chave, a Conta Azul pivotou. Saiu do modelo voltado ao microempreendedor e passou a construir um ERP em nuvem, integrando finanças, emissão de notas, estoque e contabilidade em uma única plataforma.

Foi uma mudança estratégica e estrutural. E, como toda boa pivotagem, nasceu mais da escuta do mercado do que de qualquer plano original.

Crescer sem perder o propósito

Com o modelo ajustado e o público certo, a Conta Azul entrou em um novo ciclo. A base de clientes cresceu rápido, os investimentos vieram, e a startup passou a ser reconhecida como uma das principais soluções de gestão financeira para pequenas empresas no Brasil.

Mas o crescimento trouxe um novo tipo de desafio, de manter o propósito original latente. Este é o de tornar o complexo simples. Afinal, quanto maior a operação, mais tentadora é a ideia de adicionar novas funcionalidades, produtos e processos e mais fácil é perder a clareza do que realmente importa.

E esse propósito se tornou o eixo de toda decisão estratégica, da construção do produto à cultura interna. Em vez de expandir desenfreadamente, a empresa reforçou o foco em resolver com excelência o essencial: ajudar o empreendedor a entender o próprio negócio.

A expansão veio acompanhada de parcerias sólidas, principalmente com contadores, que passaram a ser aliados diretos na oferta da plataforma. A criação do Conta Azul Mais, voltado para escritórios contábeis, ampliou o alcance da empresa e consolidou seu ecossistema de gestão.

Crescer, sim, mas sem perder a essência. Essa é a linha que separa a Conta Azul de tantas startups que, ao tentar fazer tudo, acabaram perdendo o que as torna únicas.

Cultura como motor e não como discurso

A trajetória da Conta Azul foi marcada por decisões difíceis, mas também por uma cultura que serviu de base para todas elas. Desde o início, a empresa entendeu que cultura não é um conjunto de frases na parede, mas aquilo que guia as escolhas quando tudo muda.

Nos momentos de crescimento acelerado, nas reestruturações e até nas fases mais delicadas, o time manteve uma convicção clara de que a simplicidade também é um valor de gestão. Essa mentalidade moldou a forma de contratar, de priorizar produtos e de se relacionar com clientes e parceiros.

Autonomia, aprendizado contínuo e propósito compartilhado viraram pilares práticos. Cada colaborador sabia o impacto do próprio trabalho no dia a dia de quem usa a plataforma. Essa conexão direta com o resultado real ajudou a manter a motivação e a coerência mesmo quando o cenário exigia ajustes internos e foi o que manteve a Conta Azul fiel à sua essência, mesmo em constante transformação.

O novo capítulo: a aquisição pela Visma

Em 2025, a Conta Azul entrou em uma nova fase da sua história ao ser adquirida pela Visma, grupo norueguês de tecnologia e software de gestão.

O negócio foi avaliado em cerca de R$1,85 bilhão (US$340 milhões) e marcou a entrada oficial da Visma no mercado brasileiro de SaaS. A operação envolveu a compra de 100% do capital da Conta Azul, com saída de investidores como o BTG Pactual e outros fundos que haviam acompanhado a jornada da startup desde suas primeiras rodadas.

Mais do que uma transação financeira, a aquisição simbolizou o amadurecimento de uma tese que nasceu no interior de Santa Catarina e se consolidou como uma das principais referências em software de gestão para pequenas empresas no Brasil.

A integração à Visma colocou a Conta Azul dentro de um dos maiores ecossistemas globais de tecnologia empresarial, mantendo o time de liderança no país e o propósito original no centro da estratégia: simplificar a gestão e empoderar o empreendedor, só que agora com mais estrutura, investimento e alcance internacional.

O caso da Conta Azul marca uma etapa de maturidade para o ecossistema brasileiro. Startups que nasceram com foco em resolver dores locais começam a ocupar espaço em estratégias globais de consolidação, especialmente em segmentos SaaS voltados a pequenas e médias empresas.

A trajetória da empresa também reflete a transição de um modelo baseado em captação e expansão acelerada para uma lógica mais pautada por eficiência e sustentabilidade. O diferencial competitivo deixou de ser apenas produto e tecnologia, passando a incluir cultura, gestão e consistência operacional.

De ciclo em ciclo, as startups que mantêm clareza sobre o problema que resolvem e disciplina na execução tendem a se tornar as peças mais estáveis dentro de um setor cada vez mais globalizado.

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A jornada de colaborador a sócio em uma startup, a visão pessoal de Lucas Yokota na martech de econometrics Purple Metrics https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/lucas-yokota-de-colaborador-a-socio/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/lucas-yokota-de-colaborador-a-socio/#respond Tue, 30 Sep 2025 13:00:02 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=2823 Como Lucas Yokota saiu do cargo de growth e virou sócio da Purple Metrics: a mentalidade de founder que inspira carreiras em startups.

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Existem muitas formas de se tornar sócio em uma startup. Alguns começam a jornada desde o zero, ao lado de amigos que viram cofounders. Outros chegam depois, quando a empresa já está em andamento, mas conquistam espaço e reconhecimento até serem oficialmente parte do quadro societário.

O ponto em comum é que essa transição nunca acontece apenas por contrato: ela nasce da postura, da contribuição real para o negócio e da forma como cada pessoa escolhe se posicionar no dia a dia.

Como é possível chegar à sociedade em uma startup?

No ecossistema, muita gente enxerga a sociedade em startups como algo definido no dia zero, quando amigos ou parceiros decidem empreender juntos. Mas existe outro caminho cada vez mais recorrente: o da construção de carreira dentro da própria startup.

Nele, profissionais entram para ocupar funções estratégicas — como growth, produto ou tecnologia — e, ao longo do tempo, se tornam tão relevantes para o negócio que passam a fazer parte do quadro societário. É uma transição que não acontece por promoção, mas pela soma de impacto, consistência e confiança mútua entre a liderança e o time.

Diferente de programas formais de stock options ou partnership, que também levam à um quadro societário, esse movimento nasce menos de um contrato e mais de uma relação de confiança, construída na prática.

Essa transição costuma acontecer em momentos específicos do negócio: startups em fase de crescimento, que precisam reter talentos-chave, e que ao mesmo tempo valorizam o envolvimento profundo de pessoas que já demonstram visão de dono.

Não é um reconhecimento automático nem uma promoção de carreira tradicional. É a consequência de impacto direto nos resultados, consistência ao longo do tempo e alinhamento total com os fundadores.

Nesse caminho, não basta entregar bem na função original. É preciso olhar para o todo, assumir riscos junto com o time de liderança e se comprometer com o futuro da empresa como se já fosse seu.

E foi exatamente esse o caminho de Lucas (Yoko) Yokota, que chegou à Purple Metrics para liderar growth e acabou se tornando o COO (Chief Operating Officer) e terceiro sócio da empresa. Em entrevista à Beatstrap, Yoko contou como essa transição aconteceu e quais aprendizados podem inspirar outros profissionais do ecossistema.

O desejo de empreender e por que isso importa

Nem todo mundo que trabalha em startups tem o desejo de empreender. Mas quem tem, geralmente enxerga o negócio com outra lente. Essa ambição molda decisões de carreira, a forma de encarar riscos e até o nível de entrega no dia a dia.

Foi o caso de Yoko. Antes de entrar no Purple, ele já tinha uma carreira promissora no Google, com projetos globais e reconhecimento acelerado. Ainda assim, escolheu abrir mão da estabilidade para se aproximar daquilo que realmente queria: construir algo seu.

Quando questionado sobre isso, esta foi a resposta:

Quando eu planejei minha carreira eu tinha em mente empreender. Só que Steve Jobs e Bill Gates da vida são 1 em 1 bilhão de pessoas. Então eu fui pra Big Techs pra aprender com os melhores, ganhar bagagem pra depois eu empreender com algo meu. Eu estava num momento excelente no Google, promoções aceleradas, grandes projetos, reconhecimento global, mas eu estava me sentindo muito executivo de big tech e pouco empreendedor. Até que chegou a pandemia e ali eu refleti e lembrei de por quê eu fui pra big techs e era pra algum dia empreender. Tomei coragem e fui pro lado startups da força. Abri mão de muita coisa nesse movimento, mas hoje eu sinto que estou fazendo o que eu sempre quis e sou feliz com o que faço.”

Essa escolha mostra o peso que o desejo de empreender pode ter: é ele que mantém a motivação em alta mesmo diante das incertezas, e que faz alguém entregar muito além da descrição formal de cargo.

Uma grande carreira é fundamental para se tornar sócio-empreendedor?

Ter passagem por big techs, consultorias ou grandes empresas pode dar repertório e abrir portas. Mas isso, por si só, não garante que alguém vá se tornar sócio em uma startup. O que pesa de verdade é a forma como essa bagagem é colocada em prática dentro do negócio.

Yoko é exemplo disso. Sua experiência no Google trouxe aprendizados e networking valiosos, mas o que fez diferença foi ter se apaixonado pela solução e, também, a forma como decidiu se posicionar desde o primeiro dia no Purple: envolvido com P&L, fundraising, produto e cultura.

Lucas fala sobre o maior aprendizado da sua carreira:

“Antes dos outros te visualizarem, você pensa e age como founder. E você não faz isso esperando pelo reconhecimento dos outros, você faz porque você é assim.”

Ou seja: a trajetória profissional pode ajudar, mas ela não é o requisito indispensável. É a postura empreendedora — muito antes de ter o título de sócio — que constrói o caminho até a sociedade.

Fazer antes de ser: o que é a mentalidade de founder?

Em startups, a diferença entre ser “mais um” ou se tornar indispensável costuma estar na forma de pensar. A chamada mentalidade de founder não depende de contrato social: é sobre assumir responsabilidades, se importar com o negócio como um todo e agir como dono mesmo sem o título.

Essa postura se traduz na prática em se envolver com temas que vão muito além da função contratada. Significa olhar para o negócio de forma integral, aprender o tempo todo e liderar pelo exemplo, mesmo sem o cargo formal de liderança.

Eu sempre tive essa tal ‘cabeça de dono‘”, conta Yoko. “Não importa se era estágio ou big tech, sempre pensei primeiro no negócio.

No Purple, essa postura ganhou outro nível. Como startup early stage, todo mundo precisa atuar com mentalidade de founder. Mas o diferencial foi a crença no que estavam construindo: produto, cultura, pessoas.

No fim, não foi apenas o cargo de growth que definiu sua trajetória, mas a forma como escolheu atuar além dele. Como o próprio Yoko conta:

Eu vim pra sentir o calor de empreender. Quando entrei, eu combinei com a Guta e com Dudu que eu queria operar um negócio, entender e decidir sobre P&L, fazer fundraising, trazer meu networking e bagagem para construir nosso produto. Entrei 120% de cabeça e coração. Pensando no “como”, manter humildade intelectual para saber que tem sempre algo para aprender e considerar o fator humano do time.”

O futuro do marketing precisa de líderes que conectem métricas ao negócio

Um dos maiores desafios atuais do marketing não é a falta de dados — é justamente o excesso deles. Times passaram a otimizar o micro do micro, esquecendo a visão global. E esse descompasso tem um custo: decisões que não se conectam ao resultado real do negócio.

Para Yoko, o papel de um líder hoje é justamente ajudar a resgatar essa perspectiva mais ampla, transformando métricas em inteligência aplicada.

É por isso que a Purple Metrics, uma martech de econometrics, se posiciona como camada de inteligência capaz de organizar e dar sentido às métricas, ajudando CMOs e suas equipes a tomar decisões mais estratégicas, conectadas à criatividade e ao impacto de negócio.

O problema não é falta de métricas“, explica Yoko. “É o excesso delas. Marketeiros começaram a otimizar o micro do micro e esqueceram da visão global.

Essa é a dor que ele identifica no mercado: quando você otimiza para o ótimo local, nem sempre otimiza para o ótimo global. É aí que entra a necessidade de uma camada de inteligência para conectar todas as métricas e ajudar os times nas decisões estratégicas.

O futuro do marketing não depende apenas de tecnologia, mas de líderes que saibam traduzir dados em visão de negócio e consigam influenciar a cultura de times inteiros a trabalhar com essa mentalidade. E as ambições de Lucas seguem altas:

“O Purple faz parte de um movimento maior de evolução da disciplina de marketing. Daqui alguns anos, quero poder olhar pra trás e ver que a gente conseguiu fazer parte dessa evolução. CMOs e seus times terão os melhores dados para suportar a decisão sem deixar de lado a criatividade. Marketing vai ser mais científico e conectado com o negócio. E essa mudança vai acontecer no mundo, o Brasil é só o começo.”

O peso da consistência no caminho até a sociedade

No fim, não é só sobre visão, métricas ou cargo. O que torna alguém indispensável em uma startup é a capacidade de aparecer todos os dias com a mesma disposição para construir, principalmente quando ninguém está aplaudindo.

Para Yoko, é a atitude que constrói liderança e influência mesmo sem cargo:

Se você consegue mobilizar as pessoas mesmo sem crachá, essa é a liderança de verdade.”

E ele provoca a reflexão:

“Você sabe o que move as pessoas? Porque elas estão ali fazendo o que fazem? Você se importa com os outros como ser humano? Para onde vocês estão indo juntos?”

Essa visão se conecta diretamente à ideia de cultura. Para Yoko, criar um ambiente de trabalho exemplar não significa eliminar dificuldades, mas sim transformar o dia a dia em algo estimulante.

Sobre isso, ele nos contou que “Um lugar onde você pode ser você mesmo, ser desafiado a melhorar, dar seu melhor e sentir que está construindo algo que agrega valor pra outras pessoas. Pelo lado da gestão é ter um olhar intencional para cultura e pro sistema.”

No nível individual, Yoko acredita que isso se traduz em disciplina e consistência. E quando provocado a deixar uma mensagem para quem quer se tornar indispensável em uma startup, ele trouxe dicas valiosas:

“Faz o teu melhor. Desfrute do teu trampo. Continue melhorando um pouquinho. Tenha tempo pras coisas que você gosta para além do trabalho. Descansa, dorme. Repete tudo de novo, todo dia. Essa consistência cumulativa, vira um impacto absurdo. Você vai agradecer teu eu do passado.”

A trajetória de Lucas deixa claro que a transição de colaborador para sócio não acontece por acaso. Ela nasce da postura: o desejo de empreender, a mentalidade de founder aplicada no dia a dia e a disciplina de entregar com consistência.

Mais do que títulos, é a atitude que constrói influência, molda a cultura de um time e gera impacto real no negócio. O reconhecimento como sócio pode vir depois, mas começa sempre por quem decide fazer antes de ser.

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iFood: a startup que deu um novo nome ao delivery no Brasil https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-ifood/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-ifood/#respond Fri, 19 Sep 2025 21:38:00 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=2777 A trajetória do iFood combina disrupção, tecnologia e visão de mercado em um dos maiores cases do ecossistema brasileiro.

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Em pouco mais de uma década, o iFood deixou de ser um site de cardápios para se tornar parte da rotina de milhões de brasileiros.

O aplicativo não só redefiniu a forma de pedir comida, como abriu caminho para farmácias, mercados e até pet shops entrarem na lógica do delivery sob demanda. Além disso, transformou hábitos de consumo, redesenhou a logística urbana e consolidou um modelo de negócio que hoje é referência em escala e inovação na América Latina.

Antes do app: a era do Disk Cook

Muito antes de o celular ser o centro da experiência, o embrião do iFood já existia. Em 1997, Patrick Sigrist criou o Disk Cook, um serviço que parecia simples, mas era inovador para a época: reunir cardápios de restaurantes e centralizar pedidos por telefone.

O funcionamento era analógico: clientes ligavam para a central, recebiam cardápios por fax e faziam os pedidos, que eram repassados a motoboys para entrega. A operação mostrava demanda real, mas também expunha limitações óbvias. O modelo era caro, dependente de estrutura física e pouco escalável.

Esse contraste entre necessidade do consumidor e barreiras do modelo seria o insight que mais tarde levaria à digitalização do serviço.

O nascimento do iFood

Em 2011, Patrick Sigrist se uniu a Eduardo Baer, Guilherme Bonifácio e Felipe Fioravante para lançar oficialmente o iFood. A proposta era simples e poderosa: reunir cardápios de diferentes restaurantes em um só lugar, agora em uma plataforma online.

O marketplace permitia que o usuário escolhesse, pedisse e pagasse sem precisar ligar para a central. Era o passo que transformava a experiência de “folhear cardápios” em um clique. No início, o foco estava no site, mas rapidamente ficou claro que o modelo tinha espaço para escalar.

O desafio inicial foi convencer restaurantes e clientes a adotarem o digital em um mercado ainda habituado ao telefone. Mas a validação veio rápido: havia demanda reprimida por conveniência e a plataforma começava a mostrar sinais de tração.

A virada com o app e os primeiros aportes

O ponto de inflexão veio em 2012, com o lançamento do aplicativo para smartphones. Se o site já trazia praticidade, o app colocava o iFood no bolso dos consumidores e eliminava de vez a concorrência do telefone. Foi ali que a empresa começou a ganhar escala real.

No mesmo período, a Movile entrou como investidora e, em 2014, assumiu o controle. O capital permitiu acelerar a expansão e financiar uma jogada estratégica: a fusão com o Restaurante Web, principal concorrente na época.

Essa movimentação consolidou a liderança do iFood no mercado brasileiro e mostrou a disposição da empresa em usar M&A como motor de crescimento.

Da consolidação às novas verticais: a expansão do iFood

A partir de 2014, o iFood adotou uma estratégia agressiva de fusões e aquisições. Incorporou concorrentes como o PedidosJá em 2018 e ampliou a distância em relação a outros players. O movimento não só garantiu participação de mercado como acelerou a penetração em novas regiões do país.

Paralelamente, a empresa deixou de ser apenas “o app de pedir comida”. Entrou em segmentos como supermercados, farmácias e pet shops, reposicionando-se como plataforma de delivery completo. A marca virou praticamente sinônimo de conveniência: quando se falava em delivery, pensava-se no iFood.

Esse domínio foi sustentado por investimentos pesados em tecnologia de roteirização, logística e meios de pagamento, que tornaram a operação mais eficiente e ampliaram a barreira de entrada para novos concorrentes.

E a lógica de expansão se mantém até hoje. Em 2025, a aquisição da CRMBonus mostrou que a empresa continua mirando além do delivery de refeições, investindo em dados, fidelização e soluções que ampliam sua presença no ecossistema de consumo. É uma forma de reforçar a liderança no presente sem perder de vista o futuro.

O peso dos investidores internacionais

O crescimento acelerado do iFood atraiu capital de fora. A Prosus, braço de investimentos da sul-africana Naspers, começou a aumentar sua participação até assumir o controle total em 2022. A movimentação consolidou o iFood como peça-chave no portfólio global do grupo, ao lado de gigantes internacionais de tecnologia e consumo.

Com a Prosus no comando, a empresa ganhou fôlego para reforçar sua estratégia de longo prazo: expandir além do food delivery, investir em inteligência logística e acelerar projetos de inovação, como entregas por drones e veículos autônomos.

Essa transição marcou uma nova fase. O iFood deixou de ser apenas uma startup brasileira de sucesso para se posicionar como um player global de tecnologia de delivery.

Para onde vai o iFood daqui em diante

Com o mercado de delivery consolidado, o iFood passou a investir em frentes que vão além da comida. A empresa já atua em mobilidade, pagamentos e soluções de conveniência, além de testar tecnologias de ponta para logística — como drones e veículos autônomos.

Sustentabilidade também entrou na pauta: programas para reduzir a emissão de carbono, incentivo ao uso de embalagens recicláveis e iniciativas voltadas à inclusão de entregadores e restaurantes parceiros. O objetivo é mostrar que dominar o mercado não significa apenas crescer em volume, mas criar impacto positivo no ecossistema.

O futuro do iFood aponta para um modelo cada vez mais amplo: não apenas entregar refeições, mas se tornar um hub de conveniência para milhões de consumidores.

As lições do iFood para quem está construindo

A história do iFood vai além de um aplicativo de delivery: é um case de execução disciplinada e visão de longo prazo. Para founders, ficam alguns recados diretos:

  • Adapte rápido ao comportamento do consumidor: a virada do iFood veio com o mobile. Estar no lugar certo na hora certa fez diferença.
  • Use fusões e aquisições como estratégia, não como atalho: consolidar mercado foi decisivo para criar liderança incontestável.
  • Construa barreiras além da marca: tecnologia logística e meios de pagamento fortaleceram o domínio contra concorrentes.
  • Pense grande desde cedo: a entrada de investidores internacionais só reforçou uma visão que já era global.

O iFood virou sinônimo de delivery porque não parou no primeiro acerto. Digitalizar o telefone em um app foi só o começo. O que garantiu a liderança foi a disciplina de consolidar concorrentes, expandir para novas verticais e investir pesado em logística e tecnologia.

O recado para founders é simples: não basta abrir caminho — é preciso se manter à frente dele.

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Quando a solução veio antes da consciência do problema: a história do Airbnb https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-airbnb/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-airbnb/#respond Tue, 09 Sep 2025 21:05:57 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=2698 O Airbnb nasceu de um improviso e se tornou símbolo da disrupção na hospedagem e da economia compartilhada.

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Em 2007, Brian Chesky e Joe Gebbia não tinham em mente criar uma das maiores empresas de hospitalidade do mundo. O objetivo era bem mais simples: pagar o aluguel atrasado do apartamento em São Francisco. A solução improvisada foi colocar três colchões infláveis na sala e oferecer “cama e café da manhã” para visitantes de uma conferência de design que lotava os hotéis da cidade.

O que parecia apenas uma saída de emergência virou o embrião de um dos modelos de negócio mais emblemáticos da economia compartilhada. Nascia ali o “Air Bed and Breakfast” — ou, como o mundo passaria a conhecer, Airbnb.

O verdadeiro MVP

Se tem algo que virou case de “mínimo produto viável” (ou MVP), isso é o Airbnb. E não é por acaso. A solução dos founders mostrou, de forma prática, como validar uma ideia sem precisar de capital ou infraestrutura — foi realmente o mínimo viável.

Três hóspedes aceitaram pagar pela experiência improvisada, e esse pequeno teste respondeu às perguntas mais importantes: havia demanda, as pessoas confiariam em anfitriões desconhecidos e o modelo podia ser repetido. Foi a primeira prova de que a economia compartilhada poderia ser aplicada à hospedagem.

O que Chesky e Gebbia talvez não soubessem é que, ao inflar três colchões na sala, estavam resolvendo um problema que nem o mercado reconhecia. Não era apenas falta de vagas em hotéis, era a ausência de uma alternativa de hospedagem acessível, flexível e pessoal. Uma solução que os hóspedes não sabiam que precisavam até experimentarem.

O MVP não era escalável, mas mostrou o caminho. E mais do que isso, criou a narrativa que sustentaria o DNA da marca: hospitalidade que nasce de pessoas comuns, em qualquer lugar.

A formação do trio fundador

O passo seguinte foi transformar a improvisação em negócio. Para isso, Chesky e Gebbia chamaram Nathan Blecharczyk, engenheiro de software com perfil técnico capaz de tirar a ideia do papel. O trio se formou em 2008, combinando visões complementares: design e experiência do usuário de um lado, tecnologia e escalabilidade do outro.

Blecharczyk desenvolveu o primeiro site, enquanto Chesky e Gebbia trabalhavam na comunicação e no posicionamento da nova marca. A sinergia foi essencial para estruturar o que, até então, era apenas um experimento curioso em São Francisco.

Com o time completo, o “Air Bed and Breakfast” deu os primeiros passos para se tornar um negócio de verdade.

Primeiros investimentos e tração inicial

Em 2009, o projeto ganhou impulso ao ser aceito na Y Combinator, uma das aceleradoras mais influentes do Vale do Silício. Foi lá que os fundadores receberam o primeiro aporte e, principalmente, acesso a uma rede de mentores e investidores que ajudaria a moldar o negócio.

Ainda assim, os desafios eram grandes. Convencer usuários a dormir na casa de desconhecidos soava arriscado demais. Para superar a desconfiança, o Airbnb investiu em design, fotos de qualidade e uma narrativa de comunidade, reforçando a sensação de pertencimento e segurança.

Rodadas seguintes, lideradas por fundos como Sequoia Capital e Greylock Partners, confirmaram o potencial do modelo e garantiram o fôlego para a expansão inicial.

Expansão global e mudanças de posicionamento

Em março de 2009, a marca deixou de ser Air Bed and Breakfast e passou a se chamar apenas Airbnb — uma mudança que refletia a nova ambição: não mais colchões infláveis, mas hospedagens completas, incluindo casas e apartamentos inteiros.

A expansão internacional veio logo depois. Entre os mercados estratégicos estava o Brasil, onde a plataforma desembarcou em 2012 com foco na Copa do Mundo de 2014. O movimento mostrou como o timing de grandes eventos podia ser usado como alavanca de crescimento.

Com a oferta mais ampla e a estratégia global, o Airbnb passou a disputar espaço diretamente com hotéis, transformando um experimento improvisado em um player da indústria de hospitalidade.

Construção de marca e comunidade

Em 2014, o Airbnb apresentou o logotipo Bélo, símbolo de pertencimento, comunidade e hospitalidade. Mais do que um rebranding, foi a consolidação de um discurso: a marca não vendia apenas hospedagem, mas a ideia de conexão entre pessoas em qualquer lugar do mundo.

Esse posicionamento ajudou a reduzir resistências. Hóspedes passaram a confiar mais, anfitriões encontraram uma fonte de renda extra e a comunidade se fortaleceu como ativo estratégico. A narrativa de “sentir-se em casa em qualquer lugar” virou campanha global e elemento central da identidade do Airbnb.

A marca passou a ser lembrada não só pela inovação no modelo de negócios, mas pela capacidade de engajar uma rede que crescia de forma exponencial a cada ano.

Impacto no setor e legado da economia compartilhada

O Airbnb redefiniu o setor de hospitalidade. Ao permitir que qualquer pessoa se tornasse anfitriã, a empresa ampliou a oferta de hospedagem, pressionou preços de hotéis e inaugurou uma lógica de consumo baseada em acesso, não em posse.

O modelo também inspirou outras soluções da chamada economia compartilhada, de transporte a coworkings. Mais do que um negócio bilionário, o Airbnb virou símbolo de uma mudança cultural: a confiança entre desconhecidos mediada por tecnologia.

Além disso, a criação do Airbnb.org, organização sem fins lucrativos, mostrou como a rede poderia ter impacto social. Em crises como o furacão Sandy ou a pandemia de COVID-19, a plataforma foi usada para oferecer moradia temporária a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Um fenômeno global de disrupção

O que começou com três colchões infláveis em São Francisco se transformou em uma plataforma presente em quase todos os países do mundo. São milhões de anfitriões conectados a bilhões de hóspedes, em números que colocam o Airbnb entre os maiores cases da nova economia.

Mais do que escala, a empresa se tornou símbolo de disrupção cultural. Viajar deixou de ser sinônimo de hotéis padronizados para abrir espaço a experiências locais, casas compartilhadas e narrativas personalizadas. O Airbnb mudou não só a forma de hospedar, mas também a maneira como as pessoas consomem viagens.

Esse alcance global reforça o papel da empresa como um dos maiores expoentes da inovação do século 21.

Lições para founders e startups

Para founders, a mensagem é clara: você não precisa começar grande, precisa começar validando. Algumas outras lições que ficam:

  • Valide com simplicidade: um colchão inflável foi suficiente para provar a demanda. MVP não precisa ser sofisticado, precisa ser real.
  • Construa comunidade desde o início: a confiança entre hóspedes e anfitriões virou diferencial estratégico.
  • Aposte no timing certo: a chegada em mercados estratégicos, como o Brasil antes da Copa de 2014, acelerou a expansão.
  • Invista em storytelling: a narrativa de pertencimento foi tão poderosa quanto o produto.
  • Pense grande, mas entenda os cenários plausíveis: a ambição de escalar para além de São Francisco moldou o DNA da empresa.

O caso do Airbnb é muitas vezes lembrado como exemplo de improviso que virou negócio global. Mas é importante separar as exceções da regra: improvisar pode dar certo, mas raramente é replicável.

O colchão inflável virou símbolo porque funcionou, não porque improviso seja a estratégia recomendada. O que realmente importa no MVP é ser mínimo, simples e capaz de validar uma hipótese central e isso pode ser feito, quase sempre, com muito mais método do que sorte.

A inovação nem sempre nasce de estruturas complexas, mas da coragem de testar — seja algo óbvio ou inusitado. O legado do Airbnb é mostrar que algumas das maiores inovações surgem justamente de problemas ocultos. Quando a solução aparece, parece óbvia, mas até então ninguém tinha percebido que ela fazia falta.

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Nubank: a fintech que virou símbolo de inovação na América Latina https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-nubank/ https://the.beatstrap.com.br/historias-e-inspiracoes/historia-do-nubank/#respond Fri, 05 Sep 2025 17:14:16 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=2674 A história do Nubank mostra que simplicidade, cultura e foco no cliente podem transformar um mercado inteiro.

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Antes de virar manchete de IPO, o Nubank nasceu de um incômodo simples: por que abrir conta e usar serviços bancários no Brasil precisava ser caro, lento e hostil ao cliente?

Em 2013, David Vélez esbarrou na barreira da burocracia e transformou a irritação em hipótese de negócio.

Ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible, decidiu atacar o problema pela base: serviço 100% digital, regras claras e uma experiência que colocasse o usuário — não a agência — no centro.

Quem estava por trás do roxinho

David Vélez, colombiano com passagem pelo mercado de venture capital, chegou ao Brasil com a missão de abrir novos caminhos de investimento. No entanto, foi a experiência como cliente que se transformou no maior insight: se até um executivo do setor enfrentava dificuldade para abrir conta em um banco, havia algo estruturalmente errado naquele modelo.

Para tirar a ideia do papel, chamou Cristina Junqueira, executiva brasileira que já conhecia a engrenagem dos grandes bancos por dentro, e o engenheiro americano Edward Wible, especialista em tecnologia. O trio combinava visões complementares: Vélez trazia o olhar de negócios e capital, Junqueira conhecia as brechas do sistema financeiro local e Wible tinha o conhecimento técnico para criar uma infraestrutura digital robusta.

O objetivo inicial era desenhar um banco que invertesse a lógica do setor. Em vez de taxas escondidas e processos complexos, transparência. No lugar das agências físicas, um aplicativo simples, acessível e com atendimento que realmente funcionasse.

Menos foi mais: quando simplicidade virou um diferencial

Desde o início, o Nubank não se apresentou como apenas “mais um banco digital”. A proposta era reposicionar a relação das pessoas com o sistema financeiro. O cartão de crédito sem anuidade foi o primeiro produto — um símbolo de que era possível oferecer algo diferente em um mercado dominado por tarifas.

O design do aplicativo, minimalista e intuitivo, não foi detalhe estético: era parte central da estratégia. O cliente poderia controlar limites, faturas e solicitações em poucos toques, sem precisar ligar para centrais ou ir a uma agência. A experiência do usuário deixou de ser acessório e passou a ser diferencial.

Essa combinação de simplicidade, transparência e atendimento próximo construiu um diferencial difícil de copiar. Enquanto os grandes bancos tentavam adaptar serviços antigos ao digital, o Nubank nasceu digital e moldou sua cultura em torno dessa promessa.

O efeito “fila de espera” e a cultura que escalou

Poucos meses depois de colocar o cartão roxo nas mãos dos primeiros clientes, o Nubank já enfrentava filas de espera com centenas de milhares de pessoas. O acesso era feito apenas por convite, o que além de gerar escassez ajudava a controlar a operação enquanto a base crescia.

Para sustentar essa expansão, o time apostou na lógica típica de startups: testar rápido, corrigir no caminho e manter foco total no cliente. Rodadas de investimento se tornaram combustível para essa trajetória. Entre os nomes que apostaram cedo estavam fundos como Sequoia Capital e Tiger Global. Anos mais tarde, a confiança seria reforçada por aportes de players de peso como a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.

Mais do que capital, a cultura organizacional foi o motor de escala. A empresa cultivou um ambiente onde decisões eram tomadas com base em dados, mas também na obsessão de reduzir fricções para o usuário. O “Nu Way” — como ficou conhecido internamente — se tornou parte do imaginário do ecossistema, atraindo talentos que buscavam propósito aliado a impacto real.

Do cartão à NuConta, e além

Com a base consolidada no cartão de crédito, o Nubank começou a diversificar sua oferta. Em 2017, lançou a NuConta, conta de pagamentos que permitia transferências gratuitas e rendimento automático sobre o saldo — um movimento que ampliou a relação dos clientes com a marca e aumentou o tempo de uso dentro do app.

Vieram depois produtos como empréstimos pessoais, seguros e uma plataforma de investimentos, sempre seguindo o mesmo princípio: simplificar o que antes era burocrático e caro. O portfólio foi crescendo em paralelo à ambição de mercado.

A partir de 2019, o Nubank iniciou sua expansão internacional, começando pelo México e, em seguida, Colômbia. O racional era semelhante ao brasileiro: populações grandes, com alto nível de insatisfação em relação aos bancos tradicionais e espaço para serviços digitais conquistarem terreno.

Em poucos anos, a fintech deixou de ser apenas uma startup local para se posicionar como um dos maiores players financeiros da América Latina.

O dia em que Wall Street conheceu o Nubank

Em dezembro de 2021, o Nubank estreou na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O movimento coroava menos de uma década de trajetória e colocava a fintech no centro das atenções globais.

O contexto ajudava a explicar o impacto. O mercado vivia um ciclo de alta de liquidez, e investidores buscavam empresas de tecnologia com grande base de clientes e potencial de escala. O Nubank se encaixava nesse perfil: mais de 48 milhões de usuários, crescimento acelerado e uma narrativa de disrupção em um dos setores mais tradicionais da economia.

No primeiro dia de negociação, a empresa alcançou valuation de cerca de US$41 bilhões, tornando-se a instituição financeira mais valiosa da América Latina naquele momento. Para o ecossistema, o IPO não foi apenas um marco para a fintech, mas um sinal de maturidade do mercado de startups brasileiro.

O que founders e CEOs podem levar do caso Nubank

O IPO do Nubank foi um marco de mercado, mas a trajetória até lá guarda aprendizados que dialogam diretamente com quem está construindo uma startup hoje. Mais do que um case de fintech, é um exemplo de como disciplina, clareza e execução podem reposicionar setores inteiros.

  • Ter um problema real como ponto de partida

O incômodo de David Vélez com a burocracia bancária não virou apenas narrativa de fundador. Foi a validação prática de uma dor que milhões de brasileiros sentiam e que o Nubank transformou em produto.

  • Colocar o cliente no centro de cada decisão

A decisão de priorizar simplicidade, design intuitivo e atendimento próximo criou uma experiência difícil de replicar pelos bancos tradicionais e construiu defensores espontâneos da marca.

  • Construir cultura como estratégia, não como acessório

A cultura interna, batizada de “Nu Way”, ajudou a sustentar o crescimento acelerado. A clareza de propósito alinhou decisões estratégicas e atraiu talentos que buscavam impacto real.

  • Entender os timings de mercado para executar estratégias agressivas

Aproveitar o ciclo de liquidez global e o avanço da digitalização foi decisivo. O IPO em 2021 mostrou que saber escolher a hora certa de acelerar é tão importante quanto o produto em si.

A jornada do Nubank deixa claro que disrupção não nasce apenas de tecnologia, mas da combinação entre dor real, proposta clara e execução no momento certo. É esse tripé que transforma uma ideia em referência de mercado.

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