O mercado de M&A de startups viveu um dos seus anos mais expressivos em 2025 e os dados do Crunchbase revelam não apenas o volume das transações, mas quem está por trás delas.
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Os exits via M&A de unicórnios atingiram o recorde histórico em 2025, com 36 deals totalizando US$67 bilhões em valor, ante apenas US$7 bilhões em 2024. O salto não foi só nos números: foi no tamanho dos cheques.
Mas quando o recorte muda de unicórnios para o universo mais amplo de startups com capital venture, um ranking diferente emerge. Segundo os dados, os adquirentes mais ativos de startups seed e venture-backed nos últimos três anos são Salesforce, OpenAI e Snowflake.
Ao todo, 79 empresas realizaram estratégias de M&A com três ou mais aquisições no período, mas apenas seis fecharam seis ou mais deals.
Salesforce: volume como estratégia
A liderança da Salesforce não é surpresa para quem acompanha o histórico da empresa. A gigante de software de São Francisco acumula pelo menos 91 aquisições nos últimos 20 anos e acelerou o ritmo nos últimos 12 meses com foco declarado em IA agêntica.
Apenas em 2025, foram dez startups de IA adquiridas, incluindo Spindle, focada em analytics de agentes, Qualified, voltada à automação de marketing, e Doti, plataforma de busca agêntica para empresas. A CB Insights aponta a Salesforce como a maior adquirente de startups de IA do período.
No momento, a Salesforce já tem distribuição, base de clientes e infraestrutura de vendas. O que ela compra, em grande parte, é velocidade de produto e talento especializado que seria muito mais lento de construir internamente.
OpenAI: de zero a máquina de M&A
O caso mais revelador do ranking é o da OpenAI. A empresa praticamente não existia como compradora até 2024, fez apenas uma aquisição em 2023 e duas em 2024. Em 2025, foram oito aquisições.
E em 2026, a empresa já se aproxima desse total apenas nos primeiros meses do ano, com compras como Convogo (consultoria em GenAI), Torch Health (saúde digital com IA) e Crixet (edição LaTeX).
O deal que melhor resume a ambição da OpenAI nesse período: a compra da Io por US$6,5 bilhões, startup de hardware focada no desenvolvimento de dispositivos físicos com IA, co-fundada pelo designer Jony Ive, nome por trás da identidade visual de décadas da Apple. Não foi uma aquisição de produto, foi uma aposta na camada física do futuro da IA.
Snowflake: profundidade antes de escala
A Snowflake fecha o pódio com 19 aquisições totais, num perfil mais seletivo e orientado à infraestrutura. O destaque do período foi a compra da Observe, plataforma de observabilidade de IA que levantou mais de US$460 milhões em venture antes de ser adquirida, sinalizando que a Snowflake não hesita em pagar caro por ativos técnicos que fortalecem sua posição em dados e cloud.
Os deals que definiram o mercado em 2025
Além do ranking de volume, alguns negócios individuais moldaram a percepção do mercado. O Google planejou a maior aquisição de startup da história, de US$32 bilhões pela Wiz, empresa de segurança em cloud. A ServiceNow adquiriu a Moveworks por US$2,85 bilhões. E a Capital One comprou a Brex por US$5,15 bilhões.
Em todos esses casos, o denominador comum foi o mesmo: IA, infraestrutura ou ambos.
Por que o perfil dos compradores mudou
Alguns elementos explicam o momento atual do M&A de startups e podem ajudar founders a avaliarem suas opções.
A primeira é o acqui-hire como estratégia primária. Com talento em IA escasso e caro de recrutar individualmente, compradores estão adquirindo startups inteiras para contratar o time. Especialistas apontam que, para empresas de IA, o comprador obtém acesso imediato a arquiteturas de modelos proprietários, plataformas de inferência e integrações sem precisar arcar com os custos de treinamento do zero.
A segunda é a disposição crescente dos founders em vender mais cedo. Com down rounds atingindo a máxima da década em 2025 e a próxima rodada incerta para muitos, founders estão optando pelo M&A em vez de aceitar diluição severa, especialmente startups que têm tecnologia sólida mas enfrentam dificuldade de escalar go-to-market.
A terceira é a divisão cada vez mais clara entre IA e todo o resto. Aquisições de startups de IA representaram 7,5% de todos os exits em 2025, ante 4,9% em 2024 e a precificação nesses deals é dominada por IP e talento, não por receita ou múltiplos tradicionais. Como analistas de mercado descrevem, o que se vê hoje “não é uma tendência, é um reset”, a IA passou de aposta futurista para fundação comercial.
O que esperar de 2026
O ritmo de aquisições da OpenAI nos primeiros meses do ano e a continuidade da consolidação em fitness, saúde digital e enterprise software indicam que o mercado não deve desacelerar.
A questão para founders não é mais “se” haverá comprador, é “para quem”, “quando” e “em que termos”.