No Vale do Silício, cifras típicas de contratações esportivas agora se aplicam a talentos de tecnologia. A contratação de Matt Deitke, pesquisador de inteligência artificial de 24 anos pela Meta, entrou para o rol de acordos históricos: em agosto, Mark Zuckerberg dobrou uma proposta inicial de US$125 milhões e colocou US$250 milhões na mesa para levar Deitke ao “laboratório de superinteligência” da companhia.
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De Seattle ao Vale do Silício
Deitke iniciou doutorado na Universidade de Washington, mas largou a vida acadêmica para se dedicar à pesquisa aplicada no Instituto Allen de IA (AI2), criado pelo cofundador da Microsoft, Paul Allen. Lá, liderou o desenvolvimento do Molmo, um chatbot multimodal capaz de interpretar texto, imagem e áudio, premiado na NeurIPS 2022, uma das conferências mais prestigiadas do setor.
Em 2024, fundou a Vercept, startup focada em agentes autônomos de IA. Com apenas 10 funcionários, a empresa já havia levantado US$16 milhões no início de 2025, com investidores de peso como Eric Schmidt (ex-CEO do Google) e Jeff Dean (cientista-chefe da Google DeepMind).
No caso de Deitke, a Vercept funcionou menos como um negócio pronto para escala e mais como uma vitrine global de talento. A capacidade de atrair nomes de peso para investir em uma equipe minúscula chamou atenção no ecossistema e abriu a porta para conversas no mais alto nível. Poucos meses depois de fundar a empresa, Deitke já estava no centro da mesa com Mark Zuckerberg, negociando cifras raras até mesmo fora do mundo da tecnologia.
A aposta da Meta
A história de Deitke reforça uma mudança de lógica no Vale do Silício. Se antes eram empresas inteiras — com tecnologia, clientes e receita — que alcançavam valuations bilionários, agora indivíduos altamente especializados também são precificados nesse patamar. Para Zuckerberg, o contrato com Deitke é mais do que uma contratação: é um investimento estratégico para manter vantagem na corrida pela superinteligência artificial, frente a rivais como OpenAI, Google DeepMind e xAI.
Segundo Zuckerberg, a Meta já destinou mais de US$1 bilhão ao seu “laboratório all-star de superinteligência”, onde o objetivo é desenvolver sistemas capazes de superar o desempenho humano em múltiplas áreas. Na visão do executivo, trata-se de criar ferramentas que não apenas ampliem os negócios da companhia, mas inauguram uma nova era de empoderamento pessoal para os usuários.
Deitke não foi só contratado, foi valorizado como um ativo estratégico. O recado é claro: no mercado de superinteligência, cérebros valem bilhões, e o jogo já não se mede apenas em capital, mas em quem consegue atrair e reter os melhores talentos.