atualidades Archives - The beatstrap https://the.beatstrap.com.br/tags/atualidades/ Conteúdos e notícias no ritmo do crescimento das startups. Tue, 07 Apr 2026 12:25:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://the.beatstrap.com.br/wp-content/uploads/2025/07/cropped-THE.BEATSTRAP-AZUL-32x32.webp atualidades Archives - The beatstrap https://the.beatstrap.com.br/tags/atualidades/ 32 32 Guerra em Israel e o impacto no ecossistema de startups local https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/startups-israelenses-guerra-captacao/ https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/startups-israelenses-guerra-captacao/#respond Wed, 01 Apr 2026 12:20:07 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=3557 Startups israelenses captaram US$15,6 bi em plena guerra. Entenda as movimentações da região e porque o capital continua entrando.

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Quando o Hamas atacou Israel em 7 de outubro de 2023, o impacto no ecossistema de tecnologia foi imediato. Em menos de três semanas, 70% das empresas de tecnologia israelenses já reportavam disrupções operacionais.

Voos de investidores foram cancelados, rodadas em andamento travaram, e engenheiros foram convocados para o serviço de reserva e deixaram as operações das startups por períodos prolongados. Em uma pesquisa com empresas do setor, 49% reportaram cancelamento de investimentos e apenas 31% tinham confiança em conseguir captar capital.

Dois anos e meio depois, o resultado é contraintuitivo e mais complexo do que qualquer manchete consegue capturar. Startups israelenses captaram US$15,6 bilhões em 2025, alta de 24% em relação a 2024 e 68% acima de 2023, o ano do impacto inicial.

Isso aconteceu durante um período em que o conflito se expandiu: além da guerra em Gaza, Israel enfrentou em 2025 uma escalada militar com o Irã, com a Guerra dos Doze Dias, que chegou a paralisar partes da economia no verão. E ainda assim o capital continuou entrando.

O CEO da Startup Nation Central, Avi Hasson, descreveu 2025 não como um retorno ao normal, mas como “uma virada em direção à maturidade de alta convicção“. A frase é precisa: o que os dados mostram é menos um boom e mais uma seleção severa.

O paradoxo dos números

O volume de deals em 2025 caiu para 717 rodadas, o menor da última década. Ao mesmo tempo, a mediana por deal atingiu US$10 milhões, alta de 67% ano a ano e o maior valor desde 2019. O que significa  menos empresas sendo financiadas, mas com cheques muito maiores.

O ecossistema registrou 18 mega rodadas acima de US$100 milhões, que responderam por 46% do capital total captado (ante 37% no ano anterior). Na prática, o dinheiro foi para quem já era grande enquanto que, para as early-stage, o cenário foi outro: cheques secaram, founders precisaram esticar runway e parte das empresas nascentes simplesmente não sobreviveu.

12% das empresas participantes de pesquisas do período estimaram que, se o conflito continuasse por mais um mês, poderiam fechar (número que chegou a 17% entre startups com menos de dez funcionários).

Por que o capital estrangeiro não foi embora

Cyber e IA responderam por cerca de 70% do capital total captado em 2025. A razão é que Israel construiu ao longo de décadas uma cadeia de formação de talento técnico de elite (com raízes nas unidades de inteligência das Forças de Defesa) e uma reputação de entregar inovação mesmo em contextos de alta pressão. Para investidores globais, o conflito não enfraqueceu essa tese. Em muitos casos, reforçou.

A participação de investidores estrangeiros aumentou de 61% para 69% das rodadas entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025. Fundos como a16z, Bessemer, Insight Partners e Blackstone mantiveram presença ativa. Em janeiro de 2026, o fundo americano Striker Venture Partners anunciou entrada no mercado israelense com US$165 milhões captados, destinando metade do portfólio ao país.

O custo real: onde os números não aparecem

O impacto mais profundo da guerra está em dados menos visíveis do que o total captado. Mais de 80% das empresas fundadas por israelenses optaram por se registrar nos EUA em 2025, contra 20% em 2022. O investidor Adam Fisher, da Bessemer, chamou essa tendência de “vírus” que ameaça o ecossistema local. Se as empresas se constituem fora de Israel, o país perde base fiscal, talento e densidade de ecossistema no longo prazo, independentemente do capital que entra.

A mobilização de reservistas também deixou marcas operacionais concretas. Um CEO de startup descreveu o acúmulo de mais de 4.000 dias de reserva em sua empresa desde outubro de 2023, com cerca de 20% dos funcionários convocados simultaneamente em alguns períodos. Empresas aprenderam a operar com times distribuídos, redundância geográfica e processos que resistem à ausência de pessoas-chave, não por escolha estratégica, mas por necessidade de sobrevivência.

O governo respondeu com medidas de suporte: US$450 milhões injetados em fundos de VC via novo programa Yozma 2.0, com meta de US$1 bilhão ao longo de 2024 até 2026.

O que os dados de 2026 mostram até o momento

O primeiro trimestre de 2026 indica que o padrão se mantém. Startups israelenses captaram mais de US$3 bilhões no Q1 2026 em uma alta de 34% em relação ao mesmo período de 2025. Cyber e IA continuam dominando, com rounds expressivos em empresas como Oasis Security (US$120 milhões), ScaleOps (US$130 milhões) e Wonderful (US$150 milhões em oito meses de existência).

Mas a concentração persiste: as 10% maiores rodadas do trimestre responderam por 51% do capital captado no Q1, e os segmentos de Séries B e C caíram para apenas 29% do total.

Uma pesquisa recente com startups israelenses mostrou que 71% ainda reportam que o conflito afeta seus processos de captação: 37% enfrentam atrasos, 23% relatam que investidores postergam decisões e 11% tiveram rodadas canceladas.

A trajetória das startups israelenses desde outubro de 2023 é um experimento forçado sobre o que sustenta um ecossistema sob pressão extrema. A resposta que os dados sugerem é que o talento especializado e reputação setorial protegem o capital de risco quando tudo mais vacila, mas não protegem o volume.

O dinheiro continuou entrando, o que não resistiu da mesma forma foi a base, pois menos empresas foram criadas, menos rodadas aconteceram e mais capital ficou concentrado em menos mãos.

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Selic a 15%: o que isso significa pra sua startup? https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/taxa-selic-impacto-nas-startups/ https://the.beatstrap.com.br/noticias-atualidades/taxa-selic-impacto-nas-startups/#respond Tue, 01 Jul 2025 17:18:00 +0000 https://the.beatstrap.com.br/?p=199 Selic a 15% muda tudo: captação, valuation e rotina financeira. Veja o que realmente muda para startups em um cenário de juros altos.

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Em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou um novo aumento, levando a taxa SELIC para 15% ao ano — o maior patamar desde 2016. E isso tem um impacto direto na sua startup.

A notícia até pode parecer distante, típica de manchete de jornal financeiro. Mas, na prática, ela chega direto na sua planilha de forecast, na régua de contratações e nas conversas com investidores.

Crescimento agressivo com burn rate alto? Ficou arriscado.

Rodada garantida? Agora exige muito mais do que uma boa narrativa.

Investidores? Estão mais seletivos, com o olhar voltado pra eficiência, margem e retorno de curto prazo.

O que é, de fato, a taxa Selic e por que ela afeta todo o cenário econômico?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira.

Ela é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) e serve como referência para todas as outras taxas praticadas no país: de empréstimos à financiamentos, de aplicações conservadoras à decisões de investimento em renda variável.

Quando a Selic sobe, o dinheiro fica mais caro.

Para empresas, isso significa crédito mais difícil, linhas de capital de giro com custo alto e investidores com apetite reduzido para risco.

A Selic também é usada como régua para o retorno de ativos considerados “seguros” — como Tesouro Direto e CDBs. Ou seja: quanto maior a Selic, mais atrativo fica o retorno garantido — e menos interessante parece investir em negócios de risco como startups.

Qual o motivo de a taxa ter subido para 15% e o que acontece com essa alta?

O anúncio do Copom em junho de 2025 elevando a Selic para 15% não foi um movimento isolado. A decisão veio em resposta a um cenário de inflação persistente, desancoragem nas expectativas do mercado e aumento do risco fiscal no curto e médio prazo.

Nos bastidores, o recado é claro: o Banco Central voltou a priorizar o controle inflacionário, mesmo que isso signifique desacelerar a atividade econômica.

A elevação coloca o Brasil no topo do ranking global de juros reais. E acende o alerta para qualquer operação que dependa de captação externa ou local, alavancagem financeira ou crescimento baseado em funding contínuo.

Algumas das consequências da alta da Selic incluem:

  • Crédito mais caro e mais escasso: empréstimos, antecipações de recebíveis e linhas de capital de giro ficam mais restritivas. Para negócios em fase inicial ou em expansão, isso significa menos acesso a capital de emergência.
  • Investidores mais conservadores: com 15% de retorno anual em aplicações de baixo risco, uma parte relevante do capital disponível para venture capital e investimentos anjo recua.
  • Pressão por eficiência: cenários de crescimento com burn alto e baixa previsibilidade deixam de ser tolerados. A ordem, agora, é fazer mais com menos e provar isso com dados.
  • Queda de valuations: o capital mais escasso muda o jogo de oferta e demanda. Diversas rodadas travam. Múltiplos encolhem. E as startups passam a valer menos, mesmo entregando mais.

O que muda para empresas em geral e para as startups, em específico?

Para empresas em geral:

  • Custo de capital sobe: projetos que antes eram viáveis deixam de fazer sentido.
  • Menos crédito, mais exigência: bancos e instituições aumentam a seletividade nas análises.
  • Queda no consumo: setores sensíveis ao crédito e ao poder de compra sentem primeiro.
  • Mais pressão por caixa e margem: decisões de investimento se tornam mais conservadoras.

Para startups, o cenário é de:

  • Runway encurtado: se você projetava 12 meses de pista, é provável que precise revisar e rápido.
  • Congelamento de contratações: founders param de contratar “por convicção” e passam a fazer isso só com base em ROI comprovado.
  • Burn rate sob vigilância: CFOs revisam o caixa semanalmente, não trimestralmente.
  • Growth precisa provar retorno: ações de aquisição que não convertem ou que não se pagam em poucos meses perdem espaço.
  • Retenção e LTV ganham protagonismo: estratégia de pricing e fidelização deixa de ser secundária — e vira pilar de sobrevivência.
  • Rodadas mais lentas e menores: Series A travada, pré-Seed mais diluída, e fundos questionando cada número da planilha.

Dá para captar investimento mesmo com essa mudança no cenário econômico?

Sim, sempre dá. Mas não do mesmo jeito. Com a Selic em 15%, o custo de oportunidade para quem investe mudou e isso acaba reconfigurando a lógica de risco e retorno em praticamente todas as teses.

Rodadas continuam acontecendo. Mas agora o critério é outro.

Investidores estão mais seletivos, menos sensíveis a promessas de longo prazo e muito mais atentos à previsibilidade de receita e à disciplina financeira do time fundador.

O que passa a pesar mais na avaliação:

  • Produto validado: tese sem sinal de tração não avança.
  • Crescimento com margem: escalar perdendo dinheiro não cola mais.
  • Uso de capital justificado: cada real captado precisa ter destino, prazo e retorno estimado.
  • Modelos com dependência contínua de funding viram alerta.
  • Founders com domínio total dos números ganham pontos.

O storytelling não sai de cena completamente. Mas, agora, ele vem depois dos indicadores reais.

De maneira geral, a Selic a 15% não é o fim do jogo, mas ela passa a ser um filtro. E se a sua startup quer continuar jogando, vai precisar responder à altura: com foco, clareza e execução certeira.

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