Internacional

Dois meses após aporte de US$14,3 bi, relação entre Meta e Scale AI enfrenta instabilidades

Mudanças de equipe, saídas e uso de rivais para rotulagem de dados marcam os primeiros meses da parceria entre Meta e Scale AI.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta. | Imagem: The Street.

Redação The Beatstrap

Dois meses após anunciar um investimento de US$14,3 bilhões na Scale AI e incluir seu CEO na liderança do novo Meta Superintelligence Labs (MSL), a parceria apresenta sinais de tensão. Fontes ligadas ao projeto relataram ao TechCrunch mudanças de equipe, saídas de executivos e questionamentos sobre a integração entre os times.

Inscrição confirmada!  Agora você faz parte do ritmo.

Ruben Mayer, ex-vice-presidente sênior de Operações e Produto de GenAI na Scale AI, deixou a Meta após dois meses. Em declarações públicas, Mayer afirmou que fazia parte da equipe central de pesquisa (TBD Labs), mas fontes internas indicam que sua atuação estava restrita a operações de dados.

Pesquisadores ligados ao TBD Labs passaram a utilizar concorrentes como Surge e Mercor para rotulagem de dados. A justificativa seria a percepção de que a qualidade entregue pela Scale AI não atendia às necessidades, mesmo após o aporte financeiro realizado pela Meta.

LEIA TAMBÉM:

Relatos de funcionários à imprensa internacional, incluindo o Times of India, apontam que a integração de equipes gerou mudanças no escopo de trabalho e aumentou a burocracia. Parte do time que já estava na Meta teria perdido espaço em decisões estratégicas, e reorganizações frequentes contribuíram para um clima de instabilidade.

Além das questões operacionais, a Meta enfrenta desafios relacionados à retenção de talentos. Mesmo com pacotes de remuneração elevados, incluindo bônus expressivos, pesquisadores de IA têm deixado a empresa. Entre os motivos citados estão preocupações éticas, busca por impacto social e divergências em relação ao foco em superinteligência.

A divisão de IA da companhia também passou por reestruturações sucessivas em poucos meses, o que gerou insegurança entre profissionais mais antigos. Fontes indicam ainda que a chegada de novos líderes vindos da Scale AI provocou resistência interna, marcada por diferenças culturais entre a dinâmica de startup e o ambiente corporativo da Meta.

Outro ponto relatado é a disparidade entre os altos salários oferecidos a novos contratados e a realidade de funcionários já presentes na empresa, o que teria alimentado frustrações e disputas por acesso a recursos avançados de computação. Em alguns casos, ex-integrantes citaram até frases de Mark Zuckerberg, como “o maior risco é não correr risco”, para justificar publicamente suas saídas.

Os desdobramentos mostram que a relação entre Meta e Scale AI vai além de questões técnicas de dados. As mudanças de liderança, a rotatividade de profissionais e os desafios de integração cultural ilustram as dificuldades de alinhar uma aposta bilionária em inteligência artificial com a complexidade de uma organização global. O caso segue em evolução e deve ser acompanhado de perto por todo o mercado de tecnologia.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

.beats Relacionados

Compartilhe este conteúdo e suas ideias na sua rede social:

.beats de Categorias