A Enter, startup brasileira que aplica IA ao setor jurídico de grandes empresas, fechou uma Série B de mais de US$100 milhões (~R$500 milhões) liderada pelo Founders Fund, com participação de Sequoia Capital, Ribbit Capital, Kaszek, Atlantico e ONEVC
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O aporte projeta a empresa para um valuation de US$1,2 bilhão, mais que o triplo da avaliação registrada há um ano, tornando-a o primeiro unicórnio de IA da América Latina e o primeiro unicórnio brasileiro desde 2024.
A composição do cap table não é casual. Founders Fund já havia liderado a Série A de US$35 milhões. Kaszek e Ribbit Capital entram agora, dois investidores que estiveram nas fases iniciais de Mercado Livre e Nubank. Sequoia, ONEVC e Atlantico acompanharam. Os fundos que investiram na Enter têm no portfólio nomes como SpaceX, OpenAI, Anthropic, Facebook, Apple e Google.
A Enter é apenas a terceira legaltech no mundo a ultrapassar US$1 bilhão em valuation. A Harvey, também investida pela Sequoia, foi avaliada em US$11 bilhões na Série G em março deste ano. A sueca Legora atingiu US$5,6 bilhões após uma Série D recente.
O que a Enter faz na prática
A empresa desenvolveu o EnterOS, um sistema operacional que roda dentro dos departamentos jurídicos de grandes corporações. Cada etapa do processo, da negociação de acordos à redação de peças de defesa, é conduzida por agentes de IA, com auditoria e revisão de escritórios de advocacia parceiros. A plataforma processa mais de 300 mil casos por ano e cerca de 20 bilhões de tokens por dia.
O modelo de receita combina pagamento antecipado pelo uso da tecnologia com uma parcela variável atrelada ao desempenho: aproximadamente 30% da receita depende do sucesso nas ações. Em muitos casos, os processos são resolvidos em poucos meses. Os resultados reportados incluem aumento na taxa de êxito, redução do ticket médio dos processos e bilhões de reais em economia para os clientes.
A Enter atende cerca de 40 grandes empresas, entre elas Latam Airlines, Azul, Santander, Bradesco, Nubank, C6 Bank, Vivo, SulAmérica, Mercado Livre e Airbnb. A meta é dobrar essa base até o final de 2026.
Os números por trás do valuation
Desde a Série A, a receita da Enter cresceu mais de 10 vezes e a base de clientes triplicou. A empresa foi fundada em 2023 por ex-executivos da Wildlife Studios, entre eles o CEO Mateus Costa Ribeiro, e em pouco mais de dois anos construiu uma operação que já processa volume equivalente ao de escritórios de advocacia com décadas de existência.
O capital será direcionado para contratação e infraestrutura. A startup planeja adicionar 80 engenheiros, chegando a aproximadamente 200 funcionários, com mais de 85% do quadro em áreas técnicas. Parte do investimento vai para pesquisa e desenvolvimento, incluindo um acordo com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para construir uma base histórica de processos judiciais no país.
A área trabalhista, onde a empresa começou a operar recentemente com cinco clientes, é a próxima frente de expansão. A internacionalização também está no radar, embora os mercados-alvo ainda não tenham sido divulgados.
De maneira geral, a Enter reforça duas tendências que o ecossistema de venture capital vem priorizando: startups AI-first que já entregam resultado operacional e empresas que constroem sobre dados proprietários difíceis de replicar. No caso da Enter, o acordo com o CNJ para montar uma base histórica de processos judiciais pode ser exatamente esse tipo de ativo.