A 99 deu mais um passo na sua estratégia de se tornar um superapp brasileiro. No dia 25 de março, a empresa iniciou os testes do 99Compras, nova frente de delivery focada em supermercados, farmácias e pet shops. Goiânia foi escolhida para ser laboratório de teste da 99, a mesma que serviu de laboratório para o relançamento do 99Food em 2025, e que a empresa usa novamente como base antes de escalar para o restante do país.
Inscrição confirmada! Agora você faz parte do ritmo.
A operação começa de forma controlada. O número de pedidos por dia está limitado enquanto a empresa valida a integração entre lojistas, consumidores e entregadores. Entre os parceiros já confirmados estão Americanas e Farmácias Nissei. A diretora comercial da 99Compras, Talita Poleto, deixou claro o ritmo pretendido: começar pelas categorias do dia a dia e ampliar o escopo gradualmente.
O jogo é de recorrência
O delivery no Brasil deixou de ser sinônimo de pizza no sábado à noite e passou a disputar fatias cada vez maiores da rotina do consumidor, o que muda completamente a matemática de frequência de uso e rentabilidade para as plataformas.
A aposta da 99 está ancorada na tese do superapp: reunir mobilidade, pagamentos digitais via 99Pay, entregas com a 99Entrega, 99Food e agora o 99Compras dentro de uma única plataforma. Quanto mais serviços o usuário acessa no mesmo aplicativo, maior a recorrência e menor o custo de aquisição de clientes. É a lógica que WeChat e Meituan já provaram funcionar na China e que diversas empresas agora tentam replicar no Brasil.
Um setor que esquentou de vez
O contexto competitivo explica a urgência do movimento. O iFood, líder absoluto do setor, já opera bem além da entrega de refeições. O Mercado Livre foi ainda mais agressivo e chegou a adquirir uma farmácia para entrar diretamente no segmento farmacêutico. E o Rappi, por sua vez, lançou recentemente o Turbo Farma, com promessa de entregar medicamentos em até dez minutos via dark stores.
O mercado farmacêutico, um dos alvos da 99Compras, já movimenta cerca de R$240 bilhões por ano no Brasil, com crescimento de dois dígitos no período recente. Um segmento desse porte, combinado com a alta recorrência das compras de supermercado, explica por que todas as grandes plataformas estão correndo para ocupar essa posição.
O que o teste em Goiânia vai mostrar
O projeto-piloto na capital goiana é menos sobre provar que o conceito funciona e mais sobre descobrir onde a operação precisa ser ajustada antes de escalar. Preço, logística e experiência do usuário são os três nós que a 99 precisa desatar para transformar o 99Compras em uma frente competitiva de verdade e não apenas mais uma funcionalidade dentro do app.
Se conseguir equilibrar preço, conveniência e operação, a 99Compras tem condições reais de ganhar tração.