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Do Startup Weekend ao mapa das startups mais promissoras do país: o roadmap da Warux Health

Warux, startup catarinense, sai de um evento local em Araranguá e entra na lista das 100 Startups to Watch com solução para o pós-alta hospitalar.
Robert, CEO da Warux Heatlh.
Robert, CEO da Warux Heatlh. | Imagem: Divulgação.

Diana Lopes

Cofundadora e Editora Chefe The.beatstrap

Em 2023, a Warux saiu de um Startup Weekend em Araranguá com uma hipótese direta: o cuidado com o paciente não pode terminar na alta hospitalar. A partir dali, o que começou como um protótipo criado em 54 horas se transformou em uma operação estruturada com equipe técnica, protocolos clínicos validados e um sistema de acompanhamento baseado em inteligência artificial.

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Do interior catarinense à capital, a startup desde então passou por diversos programas de inovação, ganhando corpo, financiamento e método. E hoje, com um modelo que combina automação preditiva e acompanhamento humano, a Warux mira a lacuna bilionária no sistema de saúde brasileiro que é a prevenção de complicações pós-tratamento e reinternações.

Menos de dois anos depois da ideia inicial, a startup já faz presença na lista das 100 Startups to Watch 2025.

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De uma ideia de fim de semana à primeira validação real de mercado

A Warux nasceu a partir de um problema na área da saúde: as altas taxas de readmissões de pacientes após a alta hospitalar. Como estudante de medicina, Robert Cargnin Gonçalves, atual CEO da Warux, entendeu que seria relevante construir uma solução para isso. Afinal, existe um ponto crítico nos primeiros dias que seguem a alta médica, quando podem aparecer complicações como infecções, problemas respiratórios, úlceras, falta de adesão terapêutica e em que o paciente, muitas vezes, já está fora do alcance do hospital.

O primeiro passo foi provar que essa lacuna poderia ser resolvida com tecnologia e método. O projeto foi desenvolvido (e, inclusive, premiado com o primeiro lugar) durante as 54h de um final de semana, durante o evento Startup Weekend. Poucos meses depois, a startup começou a transformar a ideia em operação, entrando para o programa Inovativa de Impacto, onde chegou ao 17º lugar nacional entre negócios de impacto. Desde então a startup coleciona mais de 10 prêmios de inovação pelo Brasil.

A sua relevância tecnológica e o seu impacto na saúde abriu caminho para incentivos através da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC), que financiou parte do desenvolvimento da tecnologia.

Além disso, recentemente foram contemplados através do Programa de Incentivo à Inovação (PII) da Prefeitura de Florianópolis, onde receberão recursos para auxiliar na escala do produto, confirmando a mudança definitiva da equipe para a capital catarinense.

Crescimento acelerado, estrutura e cultura de verdade

Ter conhecimento técnico é importante, mas entender o impacto do que estamos construindo faz diferença.

Robert Cargnin Gonçalves, CEO da Warux.

A Warux começou o ano de 2024 com apenas dois sócios na operação. Pouco mais de um ano depois, o time já soma 13 profissionais, distribuídos entre desenvolvimento, operação e vendas. O crescimento rápido não aconteceu por inércia de mercado, mas por estrutura: a empresa definiu rituais de gestão, implementou metodologias ágeis e criou um sistema interno de acompanhamento e gestão de toda operação.

A rotina é organizada em sprints semanais e reuniões diárias, e o recrutamento prioriza profissionais com afinidade real com o setor de saúde, não apenas com tecnologia. “Ter conhecimento técnico é importante, mas entender o impacto do que estamos construindo faz diferença”, resume Robert, CEO da startup.

Com o apoio da Fapesc e a entrada no PII de Florianópolis, a Warux ganhou fôlego financeiro para acelerar o desenvolvimento e refinar sua operação. A mudança para o CELTA, primeira incubadora de startups do país, marca a próxima etapa: consolidar a governança e preparar a empresa para escalar o modelo em novas regiões.

IA, WhatsApp e dados clínicos: a engenharia por trás do cuidado contínuo

A Warux atua em um ponto crítico do sistema de saúde: o período pós-alta. A solução combina inteligência artificial preditiva, protocolos clínicos validados e um canal de comunicação simples (o WhatsApp) para garantir que o paciente continue sendo acompanhado fora do ambiente hospitalar.

A IA identifica padrões de risco e antecipa possíveis complicações antes de um evento clínico relevante. O sistema envia aos pacientes questionários personalizados sobre sinais e sintomas, lembretes de medicamentos e orientações para dúvidas básicas, enquanto os dados alimentam a equipe médica com alertas sobre o estado de cada paciente. O resultado, segundo os testes iniciais, é uma redução de readmissões hospitalares, melhoria na satisfação dos pacientes, gerando um ROI (retorno sobre o investimento) de até 16,5x nas operações acompanhadas.

Em um cenário em que o Brasil tem uma taxa média de readmissão de 14,2% entre hospitais, o ganho potencial desse tipo de solução se torna mensurável e estratégico para hospitais e operadoras.

No plano de evolução tecnológica a curto prazo, a startup avança na integração com sistemas hospitalares e no desenvolvimento de planos terapêuticos personalizados, com base em referências médicas validadas. Também prevê o lançamento de um módulo voltado à reconciliação medicamentosa, uma das etapas mais sensíveis do processo de recuperação.

A startup tem como meta a longo prazo, fazer com que sua tecnologia possa precocemente sugerir exames e consultas aos pacientes com base no seu perfil de risco, para identificar precocemente a piora, antes mesmo do surgimento de sinais ou sintomas. 

Da lista “100 Startups to Watch” ao mercado aberto: o novo ciclo da Warux

A entrada da Warux na lista das 100 Startups to Watch 2025 consolida um movimento que vinha se desenhando desde o primeiro MVP: a evolução de um projeto local para um negócio escalável, com base técnica sólida e execução disciplinada.

Com o Guardian AI como próximo marco de produto, a empresa inicia uma etapa de estruturação no CELTA, preparando-se para ampliar linhas de cuidado e expandir parcerias com operadoras e hospitais. Em 2026, a startup deve levar a solução ao mercado aberto em um passo que vem sendo sustentado por um esforço interno de capacitação em vendas e estrutura comercial.

A visão de Robert, cofundador e CEO, ajuda a explicar o ritmo de crescimento: ele vê na tecnologia não um fim, mas o meio para tornar a medicina mais humana, previsível e acessível a todos. Essa é a força que faz da Warux não apenas uma startup promissora, mas um símbolo de como a inovação pode transformar o futuro da saúde.

E também o que reforça o papel de Santa Catarina como um dos principais polos de inovação no país, sendo um ambiente onde startups podem nascer em eventos locais, crescer em programas públicos e/ou privados e, cada vez mais, entrar no radar de investidores e grandes instituições.

Diana Lopes

Cofundadora e Editora Chefe The.beatstrap

Mais de 5 anos de experiência em estratégias de geração de demanda para startups com foco em conteúdo SEO e gestão de mídias patrocinadas.

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