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Itaú compra a NeoSpace por R$2,9 bi, menos da metade do valuation que a startup negociava

O banco já era investidor e cliente da startup de IA, criada pelos fundadores da Zup. Pagamento sai em parcelas ao longo de cinco anos.
Itaú compra Neospace. Entenda os detalhes da transação.
Itaú compra Neospace. Entenda os detalhes da transação.

Redação The Beatstrap

O Itaú Unibanco anunciou em 26 de outubro de 2026 a compra de 100% da NeoSpace AI Technologies por R$2,9 bilhões (aproximadamente US$580 milhões). O pagamento será feito em parcelas: uma no fechamento do negócio e as demais ao longo de cinco anos, sujeitas a condições. A conclusão da operação ainda depende de aprovação do Cade.

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A NeoSpace foi fundada há menos de três anos por Bruno Pierobon, Felipe Almeida, Gustavo Debs e Thiago Teixeira e desenvolve modelos fundacionais treinados sobre grandes volumes de dados corporativos. São os mesmos fundadores da Zup, cujo controle o Itaú comprou em 2020.

De cliente a dono

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O Itaú não chegou à NeoSpace pela mesa de M&A. Chegou como investidor, cliente e antigo comprador dos mesmos fundadores. Em janeiro de 2025, liderou uma rodada de US$18 milhões, aportou US$15 milhões por 15% da empresa e fechou ao mesmo tempo um acordo comercial. Segundo o banco, os modelos da NeoSpace já trouxeram resultados em crédito, CRM e prevenção a fraude.

Esse caminho reduz o risco de uma aquisição de IA. O banco conhecia o time desde a Zup, acompanhou quase dois anos de modelos treinados com os próprios dados e sabia como eles performavam em produção.

Após a aquisição, a NeoSpace manterá gestão e estrutura autônomas, e o time atual será preservado. A autonomia operacional é consistente com a estratégia de grandes corporações que adquirem startups de deep tech e preferem não integrar imediatamente para não perder velocidade de inovação. O Itaú está comprando capacidade técnica e equipe, não apenas tecnologia empacotada.

O múltiplo que redefine o patamar para IA no Brasil

O valuation implícito da rodada de janeiro de 2025 era de US$100 milhões. Menos de dois anos depois, o Itaú pagou cerca de US$580 milhões pela empresa inteira, 5,8 vezes mais. A participação de 15% comprada por US$15 milhões passou a valer perto de US$87 milhões.

O número fica mais interessante com o que veio antes. Em agosto, a NeoSpace negociava uma rodada de até US$250 milhões que a avaliaria em US$1,25 bilhão. O Itaú fechou a compra por menos da metade disso, com parte do pagamento diferida em cinco anos e sujeita a condições. Com faturamento projetado de cerca de R$300 milhões em 2026, o preço equivale a algo perto de 10 vezes a receita esperada.

Para a NeoSpace, a venda troca a promessa de unicórnio por liquidez, ainda que parte dela condicionada, e por um cliente-âncora como dono. Para o mercado, fica uma referência concreta de preço para startups de IA com tração real em grandes instituições financeiras.

Construir em vez de licenciar

O objetivo declarado do Itaú é ampliar suas capacidades próprias de IA, combinando a tecnologia da NeoSpace com os dados, a escala e a experiência do banco, inclusive para evoluir o ia.i, seu assistente de IA generativa.

Esse é o ponto estratégico central da operação. O Itaú acumula décadas de dados sobre crédito, transações e comportamento de clientes, ativos a que modelos genéricos não têm acesso. Treinar modelos próprios sobre essa base cria uma vantagem que um concorrente não replica só licenciando a mesma API.

A escolha tem custo: quase R$3 bilhões agora, mais o investimento contínuo para manter e evoluir os modelos. Mas também tem lógica defensiva. Depender de um modelo de terceiro significa depender do preço, do roadmap e do acesso a um ativo crítico. Isso não exclui o uso de LLMs de mercado, já que a NeoSpace se posiciona como camada complementar a eles, e não como substituta.

O que esse movimento revela para o ecossistema

A NeoSpace não cresceu escondida. Apareceu no palco do GTC da Nvidia, figurou entre as maiores consumidoras de GPUs B200 do país e negociava expansão para os Estados Unidos e para setores como óleo e gás, aeronáutico e telecom. O que a diferenciou foi ter um cliente-âncora com dados proprietários em escala desde o início e um histórico prévio com esse cliente.

Esse modelo tem implicações para founders de IA B2B. A NeoSpace construiu capacidade técnica aplicada aos dados de um cliente específico antes de tentar escalar para outros mercados. A venda mostra o outro lado da mesma moeda: quando o cliente-âncora é também o comprador natural, ele tem poder para definir o preço.

A tendência que o caso sinaliza é que bancos com dados relevantes passem a preferir comprar a licenciar quando a tecnologia for estratégica. A NeoSpace é o caso mais visível disso no Brasil até agora.

Redação The Beatstrap

Equipe editorial responsável pela produção de notícias, análises e conteúdos sobre startups, tecnologia e negócios.

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