O iFood Benefícios anunciou em 20 de outubro a compra da Caju, startup de benefícios corporativos e gestão de pessoas. As empresas não divulgaram o valor. Estadão/Broadcast e Brazil Journal apuraram cerca de R$1 bilhão, e o NeoFeed fala em mais de R$1,2 bilhão. Segundo a Prosus, controladora do iFood, é a maior aquisição da história da empresa de delivery.
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A operação ainda depende de aprovação do CADE e do Banco Central, com conclusão prevista para 2027. Até lá, as duas seguem operando de forma independente.
O que muda com a fusão
Cada empresa movimenta cerca de R$1,3 bilhão por mês. Somadas, chegam a 135 mil empresas clientes e 3 milhões de usuários, antes de descontar sobreposições: o iFood Benefícios entra com 65 mil empresas e 1,7 milhão de usuários, a Caju com mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores. Isso equivale a cerca de 13% dos beneficiários do setor e coloca a operação combinada na quinta posição, logo atrás de Alelo, Ticket, Pluxee e VR.
Distribuição é o ativo mais escasso num mercado de vale-refeição e vale-alimentação que movimenta R$150 bilhões por ano. Construir 70 mil clientes corporativos organicamente levaria anos, e a Caju entrega essa base de uma vez.
A tese do iFood além do delivery
A aquisição é o movimento mais concreto do iFood para depender menos das entregas, que responderam por 45% da receita no último ano fiscal. A compra integra o plano de investir R$24 bilhões até março de 2027 e chega depois de uma tentativa maior que não avançou: no ano passado, o iFood negociou a compra da Alelo num negócio que poderia chegar a R$5,5 bilhões.
O que fica de fora dos comunicados
A operação foi anunciada com narrativa de complementaridade, mas há uma tensão evidente: iFood Benefícios e Caju disputavam o mesmo cliente, na mesma faixa de mercado, com propostas parecidas. A consolidação soma usuários e, ao mesmo tempo, tira do caminho um concorrente direto.
Isso não deixa as incumbentes diante de um único desafiante. O C6 comprou a Alymente em setembro, o BTG estreou no setor em agosto e a Flash levantou uma Série D de R$150 milhões mirando a liderança até 2030. A diferença é que agora um desses desafiantes tem a musculatura financeira da Prosus e o ecossistema do iFood por trás.
O próximo marco concreto é a análise do CADE e do Banco Central. Mercados com histórico de concentração e regulação específica, como o de benefícios, costumam passar por análise mais detalhada. Depois vem a integração: unificação de produtos ou marcas separadas, e como a base corporativa das duas será tratada na transição. Escala combinada no papel não garante eficiência operacional, e os próximos trimestres vão mostrar quanto dessa soma vira participação tirada das incumbentes.