O Inovabra, hub de inovação do Bradesco em São Paulo, vai deixar de cobrar por cadeiras e salas e adotar pacotes de créditos flexíveis a partir do primeiro trimestre de 2027. A mudança, anunciada em setembro, vem junto com um novo endereço e é a maior virada no modelo comercial do hub desde a inauguração, em 2018. A equipe deixa o prédio atual, entre as avenidas Angélica e Consolação, em dezembro.
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Com o novo modelo, startups e corporações compram uma carteira de créditos, em diferentes níveis, que dá acesso a trilhas temáticas, eventos, programas de aceleração e conexões. Quem quiser uma posição de trabalho ainda poderá usá-la, mas deixa de ser obrigado a pagar por ela. O soft opening, com a nova plataforma digital e os primeiros pacotes, está previsto para o primeiro trimestre de 2027.
Por que o espaço físico virou problema
O argumento dos executivos é que o espaço deixou de ser o principal ativo do hub e virou um obstáculo dentro das empresas parceiras. Segundo Chen Wei Chi, head de negócios e soluções, quando um gestor de inovação precisa defender orçamento, o aluguel da sala é o item mais fácil de questionar, mesmo quando o valor está nos programas e nas conexões. E cerca de 70% das startups residentes já operam de forma total ou majoritariamente remota.
A proposta é transformar o Inovabra em um orquestrador de soluções: acompanhar o problema de uma empresa de ponta a ponta, combinar startups e consultorias quando necessário e medir o resultado gerado. O hub também quer chegar a empresas que nunca estruturaram uma área de inovação ou que a substituíram por times de IA, atendendo diretamente as áreas de negócio.
O Bradesco como cliente interno do próprio hub
Em 2025, as áreas de negócio do Bradesco fizeram mais de 70 provas de conceito com startups conectadas pelo Inovabra, em temas como cibersegurança, criptografia pós-quântica, stablecoins e observabilidade de LLMs. Projetos como o BIA Review e a Identidade Digital saíram desse fluxo.
O redesenho não é para aprofundar esse papel interno, e sim para levá-lo para fora. Segundo Paulo Emediato, head de growth e comunicação, o trabalho com o banco continua, mas o hub vai rebalancear os esforços para oferecer o mesmo tipo de entrega a outras corporações. É aí que mora o teste do novo modelo.
Os números do hub até aqui
O Inovabra chega à transição com 270 startups residentes ativas e cerca de 40 corporações. Mais de 600 startups passaram pelo espaço físico desde 2018, e outras 3.100 foram conectadas por meio de centros parceiros. A comunidade gerou mais de mil negócios, e os eventos do hub reuniram cerca de 20 mil pessoas em 2025.
O contexto maior
O movimento do Inovabra é diferente do de outros hubs bancários. O Cubo Itaú segue ampliando sua atuação com novas verticais, como a jurídica. O Inovabra está mudando a forma de cobrar, o que o torna um termômetro mais preciso sobre o que funciona, ou deixou de funcionar, para hubs corporativos.
Operar dentro de um banco traz vantagens, como acesso a clientes corporativos, marca e capacidade de gerar negócios. Mas também traz amarras: expectativa de resultado e o risco de ser tratado como centro de custo em momentos de pressão por eficiência. Um modelo em que o cliente paga pelos serviços, e não pelo espaço, é mais fácil de defender nos dois lados da mesa.
O que vai definir o sucesso da mudança não é o formato de cobrança, mas a capacidade de entregar resultado mensurável a empresas que não têm um time de inovação para mediar a relação. Conectar startups e corporações é mais simples quando existe um interlocutor do lado corporativo que entende a dinâmica. Sem ele, o hub precisa fazer mais e cobrar de um jeito que faça sentido para o cliente. Os primeiros meses de 2027 vão mostrar se hubs corporativos bancários conseguem se reinventar ou se o formato já passou do prazo de validade.