O setor de tecnologia de Santa Catarina faturou R$47,9 bilhões em 2025, alta de 12,7%, quase o dobro da média nacional de 7,1%. Os dados são do Observatório ACATE 2026, apresentado em agosto no Startup Summit, e trazem uma virada de ranking. Com 102,2 mil empregos formais, SC passou Minas Gerais e virou o segundo maior polo de empregos em tecnologia do país, atrás só de São Paulo.
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O retrato, porém, não é linear. No faturamento, o estado perdeu uma posição.
Os números do setor catarinense em 2025
O faturamento catarinense equivale a 5,5% dos R$870,9 bilhões gerados pelo setor no Brasil. Isso deixa SC em sexto lugar, praticamente empatada com o Rio Grande do Sul, que fechou o ano com R$48,1 bilhões. No levantamento anterior, SC tinha passado o RS e ocupado a quinta posição. São Paulo segue isolado, com 45% do faturamento nacional. Tecnologia já responde por 8% do PIB catarinense, a terceira maior participação do país.
A base de empresas cresceu mais rápido que a receita. O estado fechou 2025 com 34,2 mil empresas de tecnologia, alta de 16,4%. É a maior taxa entre os 15 principais polos do país e fica acima da média nacional de 12,4%.
Sexto em faturamento, segundo em empregos
A diferença entre as duas posições tem explicação nos próprios dados. SC aparece apenas em décimo lugar em faturamento anual por colaborador, com R$469 mil. O ecossistema catarinense emprega muita gente para o volume de receita que gera.
Isso não é necessariamente fraqueza. Reflete uma base ampla de empresas de serviço e produto ainda em crescimento. Mas aponta o próximo desafio do setor: ganhar produtividade, subir na cadeia de valor e internacionalizar, para que a receita acompanhe o tamanho dos times.
O ritmo de contratação também pede cautela. Os empregos cresceram 1,8% em 2025, pouco acima da média nacional de 1,5%. A ultrapassagem sobre Minas aconteceu nesse ano, já que no levantamento anterior SC ainda era o terceiro. Mas, com crescimento tão moderado, ela não sinaliza um boom de contratações.
Quem decide onde montar times fora do eixo Rio-São Paulo encontra em SC um mercado de talentos com escala comprovada. E quem investe encontra um ecossistema que registrou 28 fusões e aquisições em 2025, 47% a mais que no ano anterior.
O indicador a acompanhar é se a expansão da base de empresas vai virar receita. Com a diferença para o Rio Grande do Sul na casa de R$130 milhões, a quinta posição em faturamento está ao alcance já no próximo levantamento. O que vai dizer se SC consegue subir além disso é a produtividade por colaborador.